
V Em frente, Selena
Robin Jones Gunn

Srie Selena 10







Com a proximidade da formatura, a vida de Selena torna-se uma montanha-russa de emoes. Decises a tomar, escolhas a fazer, mudanas radicais pela frente. Mas Selena
ainda no consegue ver com clareza o que est para acontecer, e precisa de uma ajuda especial que ilumine um pouco o seu caminho.

V EM FRENTE, SELENA
Selena reuniu uma turma de amigos para irem  Califrnia, a fim de conhecer algumas faculdades onde pretendem estudar. O pessoal est animadssimo e no v a hora
de "botar o p na estrada". Mas Selena no contava com algumas situaes difceis que acabam aparecendo. Primeiro, ela tem de decidir quem ir na viagem, pois na
van do seu pai no cabe toda a galera. Resolvido esse dilema, e depois de pegar a estrada, surgem outros problemas: um dos integrantes da turma  atropelado numa
das cidades onde eles param e, pra completar, enfrentam problemas com o carro.
A viagem prossegue sem maiores dificuldades e eles se divertem muito, reencontram velhos amigos e conhecem uma tima faculdade onde a maioria da turma quer estudar 
no prximo ano. E, de quebra, passam um dia curtindo as atraes de um fantstico parque de diverses.
No final da aventura, Selena conclui que deve seguir em frente, sempre confiando em Deus, apesar das incertezas do seu relacionamento com Paul e do prximo ano na 
faculdade.

Digitalizado por deisemat














Ttulo original: Hold On Tight
Traduo de Myrian Talitha Lins
Editora Betnia, 2002
Digitalizado por deisemat
Revisado por deisemat







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SEMEADORES DA PALAVRA e-books evanglicos






Para Cindy e Carrie, com muita gratido,
pelas boas reunies que tivemos
s teras-feiras pela manh.







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Captulo Um

Selena Jensen entrou na confeitaria Mother Bear. Fazia j um ano que trabalhava ali, mas ainda no se cansara do aroma de canela nem do cheiro de pozinho recm-assado 
que pairava no ar. Mal pisava ali dentro, fazendo tinir o sininho da porta, e j o sentia. Nessa tarde de primavera, porm, no fora ali para trabalhar. Ia se reunir 
com as amigas.
Deu uma espiada para a mesinha do canto, junto  janela. Percebeu que fora a primeira a chegar. Todas as segundas-feiras, s 4:00h em ponto, ela, Vicki e Amy se 
encontravam ali. Isso j vinha acontecendo havia vrios meses. As trs iam para a mesma mesa e ali ficavam a contar seus segredinhos, a dar conselhos umas as outras, 
a resolver pequenos conflitos e, s vezes tambm, a "gozar" umas das outras impiedosamente.
D. Amlia, a proprietria da lanchonete, uma mulher gorducha, de gnio alegre, achava-se ao balco e de l cumprimentou a garota.
- Acabei de tirar uma fornada de pezinhos, disse para Selena. Vocs vo querer o mesmo de sempre, um pozinho grande com bastante glac?
- Com certeza! exclamou ela.
Deu uma olhada em volta. Havia mais seis fregueses no recinto e, ao que parecia, D. Amlia estava sozinha para atender a todos.
- Quer que eu mesma v a pegar o nosso ch? continuou.
- Precisa, no, replicou a senhora. Eu pego. J sei direitinho o que vocs costumam pedir, concluiu, virando-se para cumprimentar uma velhinha que entrara na loja.
Selena acomodou-se na cadeira de sempre, apreciando o facho de luz do Sol que entrava pela janela e batia em seu cabelo louro, longo e bem encaracolado. Gostava 
demais daquela sensao de que algo bom estava para acontecer. Sempre experimentava isso na primavera e, nesse ano, esse sentimento era ainda mais intenso. Estava 
no ltimo ano do ensino mdio, e o futuro lhe acenava com inmeras possibilidades. Talvez fosse por isso que se sentisse to impaciente para que Amy e Vicki chegassem 
logo. Tinha algo para lhes contar, algo que poderia ser muito promissor.
Nesse momento, um velho e "maltratado" Volvo parou do outro lado da rua, estacionando junto a um parqumetro. Era Amy. Selena ficou a observar a amiga de constituio 
mida, que arrastou os culos de sol para o alto da cabea e ajeitou o cabelo escuro e curto. Em seguida, olhou para um lado e para outro e se ps a atravessar a 
rua apressadamente. Caminhava com um passo meio ziguezagueante, a cabea baixa, parecendo no olhar para onde ia.
 assim que ela encara a vida tambm, pensou Selena, zigue-zagueando e com a cabea abaixada. Vou comentar isso com ela.
"Observao da personalidade", era o nome que Vicki dava a esse tipo de percepo. Fora o que ela dissera certa vez quando comentara com Selena que esta mordia o 
lbio inferior, o que era sinal de ansiedade. A garota acatara o comentrio da amiga com gratido, mas com surpresa tambm. Nunca percebera que tinha a mania de 
morder o lbio inferior.
A Amy, porm, ultimamente, no andava muito interessada nessas observaes. Dois meses atrs, ela demonstrara estar aberta a esse tipo de relacionamento. Contudo, 
um ms depois, fechara-se e parecia no querer se abrir mais. Entretanto Selena j estava satisfeita de ela vir se reunir com as amigas, apesar de no falar muito 
nesses encontros. Algum tempo atrs, Selena quase perdera a amizade da colega; e no queria que isso acontecesse de novo.
Assim que a outra entrou, a garota lhe acenou sorrindo. Fazia cerca de um ano que as duas eram amigas, e seu relacionamento tinha experimentado muitos altos e baixos. 
Apesar das inmeras diferenas que havia entre elas, porm, ambas se respeitavam muito e gostavam uma da outra. Era isso que sustentava sua amizade.
- A Vicki ainda no chegou? indagou Amy, sentando-se de frente para Selena.
A garota abanou a cabea.
- Na hora do almoo, conversei com ela na escola e disse-lhe que tinha algo pra contar para as duas. Por isso achei que ela seria a primeira a chegar.
- Ento acho que vai ter de contar primeiro pra mim, disse Amy, correndo os olhos pela roupa da amiga. Gostei dessa sua blusa. Quando foi que a comprou?
- Acredite se quiser, encontrei-a numa sacola que minha me ia mandar para o Exrcito de Salvao. Acho que era da Tnia. Imagine s! Eu gostar de uma roupa que 
foi da minha irm!
Amy estendeu a mo para tocar a parte superior da manga que tinha uma aplicao de tecido diferente.
- Gostei deste pano aqui. E a cor acentua bem o azul dos olhos, comentou Amy sorrindo. Se um dia voc se enjoar dela e for jogar fora, jogue pra mim, viu?
Nesse instante, D. Amlia chegou  mesa delas, trazendo uma bandeja com o lanche das garotas. Selena pegou uma das xcaras de ch quente, e Amy, o pratinho com os 
pezinhos de canela.
- Hoje  minha vez de pagar, anunciou Amy. Depois eu levo l no caixa, viu, D. Amlia?
- Tem pressa, no, replicou a mulher. Podem "curtir" o lanche a.
O sininho da porta soou. Era Vicki que chegava. Vinha apressada, o rosto afogueado. Passou rapidamente por D. Amlia e, antes mesmo de se sentar, j foi logo falando:
- Desculpem, meninas. Minha gasolina estava quase acabando, e eu fiquei sem dinheiro. Ento tive de passar no banco antes, e a fila estava enorme. Ah, vocs j pediram? 
Hoje eu queria ch gelado. Vou pegar um copo cheio de gelo e jogar o ch quente nele. Algum vai querer mais alguma coisa?
Selena e Amy abanaram a cabea dizendo que no. Vicki saiu andando depressa por entre as mesas, dirigindo-se ao balco. Observando-a, Selena se deu conta da diferena 
gritante entre suas duas amigas. Enquanto Amy seguia pela vida zigue-zagueando de cabea baixa, Vicki avanava a todo vapor, com o queixo bem erguido, o cabelo castanho, 
longo e sedoso, voando ao sabor do vento. Embora inicialmente Selena tivesse interpretado esse jeito otimista e entusistico de Vicki como orgulho, fora essa atitude 
da colega que fizera com que se aproximasse de Selena. Na poca em que haviam se conhecido, Vicki era uma garota meio namoradeira e tinha mais interesse em buscar 
relacionamentos com rapazes do que com garotas.
Amy arrancou um pedao na beirada do seu pozinho.
- Ser que podemos comear a comer antes de Vicki voltar? Estou morrendo de fome.
- Claro. E ela deve voltar j, concordou Selena, retirando o saquinho de ch de dentro da xcara.
Deu uma espiada para o lado onde Vicki estava e ficou a imaginar como suas amigas diriam que ela, Selena, encarava a vida. Achavam que ela ziguezagueava ou que andava 
de queixo erguido? Reconhecia que tinha mudado muito no ano que se passara e sabia que as amigas tambm haviam mudado. E como ser que estariam da a um ano? Ou 
da a seis meses, quando todas j estariam no primeiro ano faculdade?
Assim que Vicki retornou para a mesa, Selena comeou a falar da notcia que tinha para lhes dar.
- Esto prontas pra ouvir minha grande surpresa?
- No deve ser nada de to importante assim, interveio Vicki, derramando o ch quente num copo com gelo picado. Voc teria me contado na escola, sem que eu tivesse 
esperar at agora.
-  que eu queria contar para as duas juntas.
- Muito obrigada, ajuntou Amy.
Amy mudara de escola no meio do ano, quando seus pais haviam se divorciado. Agora estudava numa escola estadual, e no no Colgio Royal, que era uma escola evanglica, 
particular, onde as outras duas estudavam. Fora ali que as trs tinham se conhecido.
- E ento? indagou Vicki.
- Meu irmo ligou ontem  noite e disse que vai  Califrnia na semana que vem. Ele 't querendo visitar a Universidade Rancho Corona, pra fazer o mestrado l. Tem 
quase certeza - de que vai fazer nela mesmo. Mas quer ir l pra conhecer a escola antes de tomar a deciso final.
- Isso  que  a grande notcia? comentou Vicki, com um sorriso meio gozador. Voc poderia ter me contado na escola.
- Espere a, interveio Selena, sem perder o entusiasmo. Ele vai de carro e perguntou se eu queria ir com ele. E meus pais deixaram.
- Humm! Que timo pra voc! exclamou Vicki. Olha, na volta traz um surfista de presente pra cada uma de ns.
- Voc j no foi  Califrnia no recesso de Pscoa do ano passado? quis saber Amy.
- Fui.
- E depois, nas frias, voltou l para o casamento daquela sua amiga, no foi? continuou Amy, fazendo um beicinho meio brincalho. E ainda quer que a gente fique 
feliz por voc ir outra vez? Voc est s viajando, curtindo aventuras, e ns aqui. No vamos pra lugar nenhum. Na minha vida toda, nunca fui  Califrnia. A nica 
viagem que fiz foi pra Seattle, uma vez s.
- , interps Vicki com ar alegre, dirigindo-se a Selena, espero que voc se divirta bastante.
Selena deu um sorriso amplo.
- Ei,  melhor desejar que ns nos divirtamos bastante! 
- Ns quer dizer voc e Wesley ou ns trs?
- Ns todas! replicou Selena em tom firme. Wesley vai na van do meu pai e disse que eu poderia convidar minhas amigas pra irem conosco. Vamos ter de pedir dois dias 
de licena na escola. Acho que eles vo nos dar, j que  pra conhecer uma faculdade. Wesley disse que pode nos levar a qualquer universidade que quisermos. Isto 
, desde que entendamos que ele quer passar um dia na Rancho Corona.
- Eu aceito, concordou Vicki sem hesitao.
- Mas que tipo de faculdade vamos ver? Perguntou Amy, demonstrando incerteza.
- Amy! interveio Vicki, dando um tapinha no brao da amiga. Voc acabou de dizer que nunca foi  Califrnia. Aceite logo o convite e pronto!
A garota continuava um pouco indecisa, mas afinal disse:
- , seria bem divertido!
- Quando  que a gente vai? indagou Vicki.
- Na quarta-feira aps as aulas, explicou Selena. Eu vou com o carro at Corvallis, e de l at a Califrnia eu e ele vamos nos revezando na direo. Vamos levar 
mais ou menos vinte horas na viagem, ento pretendemos dormir no carro. Em Los Angeles, vamos ficar na casa de um casal conhecido do Wesley.
- E onde fica essa Universidade Rancho Corona? quis saber Vicki.
- No sei bem.  naquela rea. Minha irm mora  uma hora de carro dessa escola, ento provavelmente na outra noite vamos dormir na casa dela.
- Vai ser legal demais! exclamou Vicki, tomando um gole de ch gelado e dando uma espiada para Amy para ver se a outra estava se empolgando tambm.
- E a gente volta quando? indagou Amy.
- Vamos chegar no domingo  noite, bem tarde, explicou Selena. Vo ser uns dias bem puxados, mas acho que ser timo. Vocs vo querer ir, n?
Amy fez que sim, mas ainda no parecia muito entusiasmada.
- Vou ter de pedir licena no meu servio e verificar com minha me.
- Eu tambm, disse Vicki. Mas creio que no vai ser problema.
- Ah, que bom que vocs me lembraram! exclamou Selena. Tambm tenho de conversar com D. Amlia e pedir dispensa.
- Ela sempre deixa que voc altere seu horrio de trabalho quando quer tirar uma folga, comentou Vicki. Vamos torcer para o meu patro tambm concordar.
Selena riu.
- Seu patro? Por que ele no deixaria?
O patro da garota era seu pai. O Sr. Navarone tinha uma revendedora de automveis em Portland. Vicki trabalhava na empresa algumas horas por dia, fazendo servios 
de escritrio.
- , eu sei, concordou a garota. Ele vai me deixar ir. Alis vai ficar satisfeito de saber que estou interessada em fazer faculdade. Ele no somente vai me deixar 
ir, como tambm  capaz de me dar dinheiro pra irmos a um daqueles parques de diverses da Califrnia.
Amy ficou um pouco mais animada.
- E ser que vamos poder ir? indagou. Podemos mesmo? Que tal ir ao Estdio da Universal? Daria pra gente ir l? Ou pelo menos dar uma chegada em Hollywood?
- Acho que sim, respondeu Selena. Wesley disse que poderamos fazer o programa que quisssemos.
E as trs amigas se aproximaram mais umas das outras para pensar no que iriam fazer. E, ali sentadas, comendo pozinho de canela, puseram-se a imaginar uma poro 
de planos, vendo os raios de Sol a iluminar o cantinho onde se encontravam. Selena sentiu uma onda de satisfao ao pensar no que iriam fazer. Nesse momento, compreendeu 
que os prximos dez dias iriam demorar a passar.


Captulo Dois

Naquela mesma noite, Selena ligou para o irmo.
- A Vicki e a Amy vo conosco, informou. Espero que voc no se incomode de ficar rodando com as trs de um lado para outro.
- No, replicou o rapaz calmamente.
Wesley herdara muitos traos do pai, inclusive o de aceitar situaes novas ou difceis apenas dando de ombros.
- Acho que quatro  um numero timo, continuou ele. Vamos poder dormir no carro sem aperto, e no  gente demais para ficar na casa dos meus amigos. Voc disse pra 
elas que vamos rodar direto at l?
- Disse.
- E avisou que vamos passar um dia na Universidade Rancho Corona?
- Avisei. E onde  exatamente que fica essa escola?
-  perto de Temecula, ao sul do Lago Elsinore.
Selena ficou na mesma. Os nomes lhe eram desconhecidos.
- J esqueceu que comentei sobre a escola? indagou o irmo. Por falar nisso, eles devem ter um site na internet. Seria bom dar uma olhada nele, antes de irmos. Alis, 
voc poderia consultar o site de outras faculdades tambm, pra ver se h algum pr-requisito relacionado com visitas ao campus.
- tima idia. Eu, a Vicki e a Amy j estamos com o nome de trs escolas que queremos visitar, alm da Rancho Corona,  claro. Ah, Wesley, e o que voc acha de aproveitarmos 
e fazermos algum programa interessante tambm?
- Programa interessante? Acho que s de vocs passarem cinco dias comigo j estaro tendo muita diverso. O que mais poderiam querer?
- ? Engraadinho... O que eu quis dizer foi ir ao Estdio da Universal, ou a algum parque de diverses.
- Pra mim, 't timo. Mas levem bastante dinheiro, viu? Esses parques so muito caros.
- Voc teria preferncia por algum? indagou Selena.
- J que pergunta, eu escolheria o Montanha Mgica, replicou ele. Estou mais interessado numa montanha-russa do que em ver artista de cinema. Mas deixo a deciso 
final com voc e suas amigas.
Depois que Selena desligou, ficou um bom tempo sentada no sof da sala, pensando. Dali, ouvia os rudos que a me fazia na cozinha, tirando as vasilhas da lava-louas. 
No andar de cima, o pai estava mandando os dois irmos menores irem dormir. V May j se achava instalada em seu quarto grande e confortvel. Selena poderia continuar 
ali, sozinha, imersa em seus pensamentos.
O primeiro fato de que se lembrou foi de que Wesley e Amy estariam juntos. No ano anterior, durante as frias, a garota dera a entender que tinha um forte interesse 
nele. O rapaz nunca lhe dera motivos para pensar que estivesse interessado nela. Selena, pelo menos, nunca notara isso. Fazia j vrios meses que Amy no o via, 
pois ele fora estudar na Universidade Estadual do Oregon, em Corvallis. A garota no tinha meios de saber se amiga iria demonstrar o mesmo sentimento de antes. S 
saberia quando os dois se encontrassem de novo. A possibilidade de haver um relacionamento entre eles deixava-a meio tensa.
Ademais, ainda teriam de escolher a que parque de diverses iriam. Amy parecia bem interessada em ver o Estdio da Universal. Todavia, como era Wesley que as estava 
levando de carona, ele deveria ter o direito de escolher o passeio. Vicki no faria muita questo da escolha. Selena tambm no. A ento a deciso ficaria entre 
Wesley e Amy. Os dois, de novo.
Selena mordeu o lbio inferior e de repente se deu conta do que fazia, e parou.
Que bobagem! pensou. Estou ficando tensa por causa de algo to insignificante! Simplesmente vou ligar pra Amy e dizer-lhe que o Wesley sugeriu que fossemos ao Montanha 
Mgica. E como foi escolha dele, ela vai entender. Espere a. Mas se ela concordar, ser que no estar querendo fazer mdia com ele? Ser que devo perguntar diretamente 
a ela se ainda est interessada nele? Talvez eu deva consultar a Vicki sobre o que ela acha que devo fazer. No. Ia parecer que estou fofocando sobre a Amy. Se for 
pra falar com algum, tem de ser com a Amy.
Afinal, decidiu que iria conversar com a Amy, mas no hoje. Era melhor dar um tempo, e, quem sabe, aquela sensao incmoda com relao a Wesley e sua amiga desaparecesse. 
E por que ser que isso a incomodava tanto, afinal?
Levantou-se do sof e foi para a cozinha. Abriu a geladeira  procura de algo para comer.
- Como  que est indo o dever de casa? indagou a me.
- J vou comear, replicou Selena sem se virar para ela.
Tinha certeza de que a me olhara para o relgio e vira que j passava de 8:30h. Depois voltara a fitar a filha com certa apreenso, pelo fato de j ser to tarde 
e ela ainda no ter comeado a fazer o dever. Nos ltimos dois meses, Selena vinha ficando acordada at meia-noite estudando, por causa do excessivo volume de trabalhos 
escolares. Se algum lhe dissesse que no final do terceiro ano os estudos iriam ficar mais fceis, essa pessoa deveria estar falando de outra escola; no do Colgio 
Royal. Selena se achava to atarefada com suas atividades - o trabalho, o servio voluntrio na Highland House, as reunies da igreja e os deveres de casa - que 
nem lhe sobrava tempo para encontros com os amigos. Talvez fosse por isso mesmo que ficara to empolgada com esse passeio  Califrnia.
- J sei, disse a garota sem se virar para olhar a me, eu devia ter comeado mais cedo. Preocupa, no, me. Hoje no tem muito exerccio, no.  que eu tive de 
ligar para o Wesley pra conversar sobre a viagem. Tem suco de laranja a?
- S o concentrado, no freezer, replicou a me. E l no Mother Bear? Conseguiu a folga?
- Consegui, disse a garota, abrindo o freezer e pegando uma lata de suco congelado. D. Amlia disse que me liberaria, sem problema, mas vou ter de trabalhar nesta 
sexta-feira aps a aula.
Pegou um jarro e encheu de gua para preparar o suco. A me terminou seu trabalho e fechou a lava-louas. Em seguida, se ps a limpar o balco com um pano mido.
- timo, disse ela. Acho que vai ser uma viagem muito proveitosa pra voc e o Wesley. Ser que voc tambm vai querer se inscrever na Rancho Corona? Ser que a gente 
j no deveria ir comeando a preencher a papelada pra vocs levarem? *
- Papai disse pra esperar um pouco. A taxa de inscrio  muito cara, e ele j pagou naquelas outras trs faculdades, no ano passado.
Selena sempre conseguira manter uma mdia bem elevada em todas as matrias, desde os ltimos anos do ensino fundamental. Contudo isso no lhe parecia "grande coisa". 
Entendia que, simplesmente, tinha uma mente privilegiada. Coseguia fixar na memria todas as informaes que lhe chegavam aos sentidos. Alguns dias depois, quando 
ia fazer uma prova, ela as "buscava" nesse banco de dados e as punha no papel. Em seguida, esquecia-se de tudo que no lhe interessava muito. No se considerava 
uma aluna superinteligente. Apenas sabia lidar bem com o sistema de aprendizagem. Isso era uma vantagem para ela, pois j conseguira duas bolsas de estudos e fora 
aceita em duas das faculdades nas quais se inscrevera no ano anterior. A essa altura, s preciva decidir em qual delas iria estudar, pois os pais j tinham aprovado 
todas as que ela havia selecionado.
Bom, todas no. Houve uma que eles rejeitaram. A Universidade de Edimburgo
- Chegou alguma carta pra mim hoje? indagou.
- Acho que no. J olhou l naquela poltrona na saleta?
A me se referia  poltrona predileta de Selena, que ficava na saleta onde o pai trabalhava. Anteriormente, esse cmodo fora a biblioteca da residncia. Alis, tratava-se 
de uma velha manso vitoriana, que o bisav de Selena construra em 1915. Havia mais ou menos uns seis meses, a garota iniciara uma animada correspondncia com Paul 
Mackenzie. Ela o conhecera, havia mais de um ano, no Aeroporto de Heathrow, na Inglaterra. Todas as vezes que chegava uma carta dele, os pais a colocavam na cadeira, 
pois Selena sempre ia sentar-se ali, para l-la.
Selena acabara se envolvendo emocionalmente com o rapaz por meio da correspondncia. Esse envolvimento atingira o ponto alto em dezembro do ano anterior. Afinal, 
porm, Selena percebera que estava atribuindo ao relacionamento dos dois um significado mais profundo do que Paul dava. A ento decidiu pr um "freio" nas cartas. 
Em vez de escrever para o amigo todos os dias, como vinha fazendo, passou a faz-lo apenas de quinze em quinze dias. Alis, desde o comeo, ele tambm lhe escrevia 
semana sim, semana no.
Em Janeiro, por exemplo, ele lhe enviara apenas duas correspondncias: uma carta bem pequena e um postal. E ele tinha sempre um tom muito srio e sincero. Nada de 
palavras melosas nem de cobranas. Paul parecia mais estar "conversando" com ela. Nunca dava o menor indcio de que havia interesse sentimental de sua parte. Nunca 
terminava as cartas usando a expresso "Com amor", como era comum entre outros jovens. Entretanto, para Selena, a amizade sria, franca e sincera que os dois tinham, 
na verdade, era um tipo de amor, a melhor espcie de amor que pode haver. De certa forma, o relacionamento dos dois era mais forte do que o que ela ou suas amigas 
tinham com os rapazes que conheciam.
A garota abrigava no corao uma esperana tranqila. Era por causa dela que continuava escrevendo para ele. Em fevereiro, enviara-lhe um cartozinho, que ela mesma 
fizera, referente ao "Dia da Amizade" *. Recortara figuras e palavras de uma revista e as pregara num corao vermelho. Na mensagem dizia: "Deus  amor... Ns amamos 
porque ele, nos amou primeiro" (1 Joo 4.16,19). Era um versculo bem adequado para expressar o que queria dizer. Era um carto relacionado com a data, mas no significava 
que ela estivesse confessando que amava o rapaz ou que desejava namor-lo. Falava do amor de Deus e do seu eterno amor por todas as pessoas, inclusive pelos dois.
E na verdade, era assim que Selena via a amizade com Paul: envolvida dentro do grande amor de Deus por aqueles que permanecem nele. Apesar de tudo, porm, sempre 
que a garota recebia uma carta do rapaz sentia emoes muito fortes.
Colocou um pouco de suco de laranja em um copo e guardou o jarro na geladeira. Em seguida, foi para a saleta. Em sua poltrona predileta no havia nenhuma carta.
- Tudo bem! sussurrou consigo mesma, no aposento silencioso que ainda guardava o cheiro dos livros velhos. Cuide bem dele, viu, Senhor? Sei que tens operado profundamente 
na vida do Paul nesses ltimos meses e te dou graas por isso. S peo que tu o guardes e o protejas, naquela escola l em Edimburgo. Que ele possa decidir o que 
vai estudar no ano que vem. Sei que ele tem de resolver isso nas prximas semanas, mas est sendo muito difcil para ele. Obrigada, Senhor.
Selena ligou o computador do pai. Antes de comear o dever de casa, queria dar uma passada na internet, para buscar informaes sobre a Universidade Rancho Corona, 
como Wesley pedira. Quando ia digitar o endereo da escola para entrar no site dela, lembrou-se de que nunca procurara informar-se sobre a faculdade em que Paul 
estudava. No ano anterior, mesmo sem ter se informado sobre essa universidade, dissera aos pais que era para l que desejava ir. O nico fato que sabia a respeito 
dela era que Paul estudava l. Contudo seus pais haviam recusado, e afinal ela nunca procurara saber mais detalhes sobre a escola.
Nesse momento, em seu interior, travava-se uma luta. Reconhecia que devia contentar-se com as pesquisas que iria fazer nessa viagem com Wesley. Devia decidir matricular-se 
numa das faculdades em que j tinha sido aceita. Algo dentro dela, porm, no queria abrir mo da idia de ir estudar na Esccia. Era como se em seu corao houvesse 
um compartimento, cuja porta se achava fechada, mas queria ser aberta. Ela estava bem trancada havia vrios meses, depois que ela pusera de lado o sonho de estudar 
na mesma escola que seu amigo. Hoje, porm, a porta desse quartinho se abrira um pouquinho. De dentro vinha um pequeno facho de luz, que parecia acenar para ela, 
como que a cham-la.
Ento, em vez de digitar "Universidade Rancho Corona", Selena escreveu "Universidade de Edimburgo. Esccia".


Captulo Trs

- O que voc quer dizer com isso, que o Ronny disse que vai? indagou Selena para Vicki, fitando-a fixamente.
As duas se encontravam no estacionamento da escola e a sineta deveria tocar a qualquer momento. Se no andassem depressa, iriam chegar atrasadas  primeira aula.
- Liguei pra ele ontem  noite e lhe contei da viagem. Ele disse que vai, que quer ir conosco. Falou tambm que vai perguntar aos outros caras da banda dele se querem 
ir. Expliquei pra ele que vamos ter lugar pra dormir, mas tem de levar dinheiro pra comer.
Selena continuou parada, os olhos fitos na amiga. A sineta tocou, mas a garota nem se moveu.
- Vamos, Selena, interps Vicki, pondo-se a caminhar em direo ao prdio, seno chegamos atrasadas!
- Vicki, disse a garota saindo atrs dela, quem falou que podia chamar mais gente? Por que voc convidou o Ronny?
Na verdade, ela sabia por qu. Havia meses que a colega estava interessada no rapaz, embora ele a tratasse da mesma forma como agia com Selena e as outras garotas. 
Talvez a Vicki estivesse pensando que, se passasse uns dias junto com ele, viajando dentro de uma van, perto dele o tempo todo, conseguiria conquist-lo.
- Ah, Selena, tem muito espao no carro, replicou Vicki. Seus pais gostam demais dele. Wesley tambm se d muito bem com o Ronny. Qual  o problema?
- Voc, Vicki!
- Eu?
A garota parou em frente  porta de entrada. No rosto, estampava um ar de inocncia que irritou Selena.
- Ah, deixe pra l, falou Selena, erguendo uma das mos como que se rendendo e virando-se. Na hora do almoo, a gente conversa.
E entrou no prdio ainda fervendo de raiva.
Selena foi correndo para a sala. Assim que abriu a porta, a professora lhe fez um aceno indicando que poderia entrar. Isso significava que ela no precisaria ir 
 secretaria pegar uma permisso para entrar, apesar de estar atrasada. Essa era uma das vantagens de tirar s notas altas e de sempre chegar  hora. Alguns alunos 
viviam atrasados. Por causa disso, com frequncia passavam pela mesma rotina. Apresentavam-se  classe, o professor fazia um aceno recusando sua entrada, e eles 
tinham de ir  secretaria pegar permisso para entrarem.
Naquele momento, porm, Selena no ficou muito empolgada com o fato de a professora ter deixado que ela entrasse. Seu pensamento estava longe da sala de aula. O 
que ser que seu irmo iria dizer? E seus pais? Como poderia "desconvidar" o Ronny, depois que a Vicki j o convidara? Felizmente ele era muito seu amigo, e, quando 
ela lhe explicasse tudo, ele iria entender bem. Mas, por que teria de "desconvid-lo"? Na verdade, seria muito legal se ele pudesse ir tambm, desde que ele, e no 
a banda toda. O Warner, o baterista, por exemplo, era tremendamente irritante para Selena. Se ele fosse, estragaria o passeio para ela. 
Por que estou pensando nisso? Esse passeio  meu e de minhas amigas. Quem convida sou eu. Posso chamar quem eu quiser.
Quando chegou a hora do almoo, ela j tinha resolvido como iria se defender. Diria que seus pais e seu irmo  que decidiriam quem poderia ir. Se eles achassem 
que o Ronny podia ir, ele iria. Ento ela lhes diria que no seria bom que o Warner fosse, e assim eles no permitiriam a ida dele. Com isso, os colegas no iriam 
culp-la pela deciso que fosse tomada.
Quando Selena entrou no refeitrio, sua turma j estava  mesa em que costumavam se sentar. Todos se voltaram para ela e comearam a falar ao mesmo tempo, antes 
que ela se sentasse.
- Selena, disse Tre, um dos rapazes da banda, a Vicki disse que s vamos ter despesa com a alimentao. Vocs no vo querer que a gente ajude na gasolina, no?
- Vocs vo  pra praia? indagou Margaret, uma garota do grupo. Eu tambm quero ir.
- J verifiquei na secretaria, interveio Ronny. A gente pode perder umas aulas sem nenhum problema, j que vamos pesquisar faculdades.
- Beleza! exclamou Margaret. Podem contar comigo.
Vicki continuava com ar de inocncia. Selena, sem se deixar envolver, dirigiu-lhe um olhar de contrariedade e disse:
- Pessoal, vocs precisam entender que no sou eu quem decide.  o meu irmo que 't arranjando tudo. Ento, ele e meus pais  que vo resolver quem pode ir e quem 
no pode. Na verdade, no era pra convidar todo mundo.
- Quantos cabem na van? quis saber Warner.
Selena fechou a boca trincando os dentes.
- Oito, mas essa no  a questo.
Warner fez uma contagem rpida do grupo.
- Somos quatro aqui querendo ir, disse ele.
Vicki ergueu a mo e contou nos dedos.
- Mais eu, Selena, Amy e Wesley. Oito. Perfeito.
Selena dirigiu  amiga outro olhar "atravessado".
- No sou eu quem decide isso, gente. No escutaram o que eu disse? Tenho de conversar com meus pais e meu irmo.
- Ser que voc pode trazer uma resposta amanh? quis saber Margaret. Vicki disse que voc 't planejando visitar uma universidade que foi onde meus pais se conheceram. 
Se eles souberem que uma das faculdades aonde vamos  a antiga escola deles, na certa vo me deixar ir.
Selena no se sentiu irritada com aquela colega, pois ela no sabia que o convite no era geral. Alis, naquele momento, ela at se deu conta de que no se importaria 
se Margaret fosse. Embora no tivesse tido a idia de convid-la, agora sentia que seria muito bom se ela participasse do passeio. A garota entrara para o Colgio 
Royal nesse ano. Os pais dela tinham sido missionrios no Peru, e a moa viera de l recentemente. Pouco a pouco, ela fora se revelando uma colega muito legal, que 
estava sempre fazendo algo de positivo para a turma. Um dia trazia biscoitos e distribua entre todos. Em outro, colava pequenas frases de incentivo no escaninho 
dos amigos. Selena entendeu que iria at se sentir mal, se no pudesse retribuir um pouco da gentileza de Margaret para com ela. Essa viagem seria uma boa oportunidade 
para isso.
- Vou ver se d pra trazer a resposta amanh, replicou.
A situao toda estava ficando meio complicada. Como poderia falar que Wesley "havia dito", se fosse o caso, que Ronny, Margaret e Tre poderiam ir, mas o Warner, 
no. E todos sabiam que a van comportaria a turma toda. O fator decisivo seria o fato de que Wesley dissera que quatro era o nmero ideal. Na realidade, se fossem 
todos, teriam de dormir sentados. Desse modo, quase no dormiriam.
Acho que a soluo mais justa e mais fcil seria eu dizer: "Sinto muito, mas vocs no podero ir conosco, s a Vicki e a Amy. Ah, e talvez o Ronny tambm. Ah, e 
a Margaret!" Puxa, isso 't virando um pesadelo!
Selena teve vontade de desabafar em Vicki a raiva que sentia naquele momento. Contudo conteve-se e ficou calada. Tinha receio de dizer algo de que depois viesse 
a se arrepender. Anteriormente, inmeras vezes, ela havia "explodido" primeiro, para depois pensar bem no que dissera. Nessas ocasies, acabava sempre tendo de pedir 
desculpas a algum por sua exploso. Dessa vez, no queria comear o passeio j com algum magoado.
Aps o jantar, exps a situao para os pais. Quando terminou de falar, o pai tinha uma expresso tensa. Estava com a testa franzida, o semblante carregado. Parecia 
que a cabea estava comeando a lhe doer. E Selena sabia exatamente como era essa sensao.
- Bom, disse a me, soltando um suspiro, vamos pensar bem.
- S mesmo voc, Selena! exclamou o pai, abanando a cabea.
A garota imediatamente caiu na defensiva.
- No fiz nada disso por querer! A Vicki  que no deveria ter falado com ningum sem me consultar primeiro!
- Voc explicou isso pra ela? indagou a me.
- No. Achei que se dissesse algo assim pra ela, poderia no dizer com muito jeito e ofend-la.
- , concordou a me, estendendo o brao e dando um tapinha na mo da filha, nisso voc agiu certo. Sabemos que no foi sua inteno criar toda essa confuso. Ento 
no pense que estamos culpando-a pelo que aconteceu.
- O que eu quis dizer, interps o pai,  que s voc  que se mete numa situao dessas. Parece que sempre arranja um jeito de entrar em confuses. Mas eu sei que 
no era sua inteno que isso acontecesse, e ns vamos dar um jeito. O melhor agora  ligar para o Wesley e ver o que ele acha..
Fizeram vrias tentativas de telefonar para o rapaz, at 11:00h da noite, mas as ligaes sempre caam na secretria eletrnica. Acabaram deixando quatro mensagens 
para ele. Afinal o pai sugeriu que fossem dormir e ligassem para ele no dia seguinte, bem cedo, antes de Selena sair para a escola.
- Amanh, voc simplesmente diz para os seus colegas que ainda no tem a resposta, comentou a me em tom diplomtico. Eles podem esperar mais um dia.
Pois sim, me, pensou Selena, tente chegar na escola amanh sem uma resposta, e ver o que acontece!
A garota foi para seu quarto e fechou a porta. O cmodo estava todo bagunado, o que, dessa vez, deixou-a irritada. Geralmente aquilo no a incomodava muito. Contudo, 
quando havia algo no resolvido em sua mente, parecia que tudo o mais que estivesse "desarrumado" aumentava de intensidade. Entretanto, como era muito tarde, no 
tinha nem vontade nem energias para arrumar o quarto. Isso fez com que sentisse falta de Tnia, sua irm que tinha mania de limpeza. Quando ela estava ali, ficava 
"brigando" com Selena para que esta guardasse seus objetos que se encontravam espalhados por todo o aposento. Assim que ela fora embora, Selena, pela primeira vez 
na vida, tivera condies de decidir como o quarto iria ficar. De l para c, s o arrumara totalmente uma ou duas vezes, e assim mesmo, quando sabia que ia chegar 
visita.
Pegou o papel em que imprimira as informaes sobre a Universidade de Edimburgo que retirara na internet. Jogou-se na cama e se ps a examinar novamente os dados. 
Ali havia um mapa do campus e uma lista com o nome de todos os prdios da escola. Agora j era de manh na Esccia. Ser que Paul estava indo para a aula? Para qual 
dos prdios ser que ele iria? Seria aquele que tinha um nome comprido "James Clerk Maxwell? Ou talvez fosse o Ogston? Notou que num canto havia uma marca com a 
informao "Centro Estudantil". Devia ser ali que os alunos almoavam. Com quem ser que ele almoaria? Ser que por vezes chegava atrasado, por causa de colegas 
destrambelhados que faziam planos que no combinavam com os dele?
Afinal largou o papel. No lhe adiantaria nada ficar "sonhando" com Paul. J fizera isso antes, e s servira para deix-la com uma profunda ansiedade que no poderia 
satisfazer. No queria sentir isso de novo. Bem no fundo do corao, sabia que queria que seu amor se focalizasse em Deus, o nico que poderia dar-lhe toda a satisfao 
que desejava. No queria mais viver ao sabor das emoes, em que as fantasias e a imaginao aniquilavam a realidade.
Dando um suspiro fundo, pegou a Bblia que se achava sobre a mesinha-de-cabeceira. Abriu-a e tirou dela um carto que se achava ali. Nele ela copiara o texto de 
2 Corntios 10.3-5. Estava querendo decor-lo, mas parecia que o trecho no queria se fixar em sua mente. Um pastor que fizera uma palestra para os jovens da igreja 
lhes recomendara que memorizassem esses versos. Isso os ajudaria a ter controle sobre a prpria imaginao.
Dando uma olhada para o quarto bagunado, ela o leu em voz alta. "Porque, embora andando na carne, no militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milcia 
no so carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando ns sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando 
cativo todo pensamento  obedincia de Cristo".
- "Levando cativo todo pensamento  obedincia de Cristo", repetiu ela para tentar fix-lo na mente.
Em seguida, levantou-se para ir escovar os dentes e vestir o pijama. Enquanto isso, ia orando silenciosamente. E na verdade, tinha muito assunto para orar. Primeiro 
havia a viagem de carro e a confuso criada com os colegas. Depois eram os pensamentos e a imaginao que queriam desesperadamente se voltar para Paul. E ainda havia 
a escolha da faculdade onde iria estudar. Agora que estava de posse das informaes sobre a Universidade de Edimburgo, ficara ainda mais difcil no pensar em como 
seria bom ir para l.  claro que seu objetivo nisso era estar junto do rapaz, o que no era um motivo muito justo, era?
Com tantos pensamentos rondando a mente, Selena teve dificuldade para pegar no sono. Sem saber bem por que, recordou-se da conversa com Wesley no dia anterior, lembrando 
de que ele dissera que preferia ir a uma montanha-russa. Nesse momento, seu estmago lhe dava a impresso de que estava numa. Parecia que se encontrava num rebulio 
emocional que ainda demoraria um bocado para se acalmar.
Pegou os cobertores e se cobriu bem. Fechou os olhos com fora. Finalmente conseguiu dormir.


Captulo Quatro

Quando Selena se encontrou com os colegas no dia seguinte,  hora do almoo, sentia o corao batendo forte. Disse-lhes que no conseguira falar com o irmo e que, 
portanto, ainda no tinha uma deciso final.
- De qualquer jeito, informou Tre, eu no consegui folga no meu trabalho. 10. Pode me riscar da lista.
- , mas tem outra pessoa querendo ir, interveio Margaret.
- Quem? indagou Vicki.
- Drake. Talvez ele possa ficar com o lugar do Tre, se ele no for mesmo.
Selena sentiu o corao bater ainda mais forte. Drake era o melhor jogador de futebol americano da escola; e tambm o maior namorador. No ano anterior, ele tinha 
demonstrado interesse por ela, e ela havia correspondido. Eles at chegaram a sair juntos, mas no houve um namoro de verdade entre eles. Contudo o relacionamento 
dos dois deixou Selena meio confusa com relao aos seus sentimentos. E tambm s serviu para causar muitos conflitos com seus amigos, principalmente com Amy.  
que essa colega tambm estivera interessada no rapaz, antes de ele pedir Selena para sair com ele.
No presente, ela e Drake se tratavam como simples conhecidos; e raramente conversavam. Ento dava para imaginar como seria uma viagem dessas, o tempo todo dentro 
do carro com Amy e Drake juntos, sem mencionar os outros. A cabea dela at comeou a latejar, no mesmo ritmo das batidas do corao. No dava para aguentar mais 
essa situao.
- Pessoal, disse ela, sentindo o nvel da adrenalina subir, , eu preciso dizer pra vocs que esse passeio no era pra ser um convite aberto a todos. 'T virando 
uma confuso tremenda. Eu no sabia que a Vicki iria chamar todo mundo pra ir conosco. Se eu soubesse, teria avisado a ela que no era pra fazer isso.
As palavras foram saindo sem que ela tivesse tempo de pensar no que dizia.
- Quer dizer que voc no quer que a gente v? perguntou Margaret.
- Voc no me avisou que era um grupo restrito, soltou Vicki abruptamente. Voc s disse que o Wesley tinha falado que levaria voc e algumas amigas. Pensei que 
o convite se estendia a todos os amigos. Por que no me falou que era s pra mim, voc e Amy?
- Achei que voc tinha entendido isso.
-  claro que no, declarou a outra cruzando os braos.
- Ento ns no precisamos ir, no, comentou Ronny prontamente, tentando acalmar a situao que parecia estar ficando tensa. No tem importncia, no, Selena. A 
gente entende. O passeio  seu. Parece que ns tomamos as rdeas dele e no deixamos que voc convidasse quem quisesse.
Ouvindo isso, a garota se sentiu meio sem jeito.
- No, Ronny, disse ela. No  que eu estivesse querendo convidar s algumas pessoas...
- Mas foi o que fez, interps Warner. Convidou Amy e Vicki.
- U, gente, ela escolheu quem ela quis, comentou Margaret. Ela convida quem ela quiser. Vocs esto deixando a Selena com sentimento de culpa.
- Estamos no, defendeu-se Warner.
- Bom, disse Tre, dando de ombros, eu no posso ir mesmo.
E o rapaz se levantou e foi devolver a bandeja no balco.
Selena tinha a impresso de que o mundo todo se voltara contra ela. Por que ser que seus amigos no conseguiam entender a situao? Por que era tudo culpa dela?
- Gente, principiou Margaret, pigarreando e falando um pouco mais alto, vamos fazer como o Tre e desistir do passeio. No vamos dificultar as coisas pra Selena.
Em seguida, ela se ps de p e concluiu:
- D licena. Acho bom eu ir dizer para o Drake que houve um engano e ns no fomos convidados, no.
- Espere a, interveio Selena, j imaginando como o Drake iria entender aquilo tudo. No  que vocs no foram convidados, no.  que eu ainda no conversei com 
meu irmo. D pra esperar at amanh? A eu trago a deciso final. Isso no era pra ser um problemo assim, no!
- , acho que eu fui a culpada de tudo, comentou Vicki em voz meio baixa e no mais com o ar de inocncia. Mas no foi minha inteno criar esse pesadelo todo, no!
- Eu sei, replicou Selena. Voc no fez nada errado de propsito, no.
Em seguida, olhou para o Ronny, na expectativa de que ele dissesse algo para ajudar a amenizar os sentimentos dos que estavam magoados. O rapaz enfiou na boca o 
ltimo pedao do sanduche que comia e disse:
- Se voc conseguir falar com o Wesley hoje  noite, ligue pra mim depois, 't? Apesar de tudo, eu ainda quero ir com vocs, se for possvel.
A vontade de Selena era dizer: "Claro, pode, sim. Tenho certeza de que o Wesley vai gostar muito se voc for". Mas o que ser que o Warner e os outros iriam pensar? 
Ento ela respondeu apenas:
- Ligo, sim.
Na verdade, iria telefonar para o Ronny mesmo que no conseguisse falar com o irmo. A poderia ter uma conversa em particular com ele sobre a situao toda.
Fiel  sua promessa, Selena ligou para o Ronny assim que chegou em casa. Contudo a ligao caiu na secretria. Ento discou o nmero de Wesley. Felizmente ele atendeu.
Explicou-lhe a situao e em seguida perguntou o que achava que ela deveria fazer. O irmo fez uma pausa, e a garota ficou a imaginar se ele no faria a mesma exclamao 
que o pai fizera na noite anterior: S voc, Selena!
- Bom, Selena,  claro que a viagem tem de ser agradvel pra voc, principiou ele. Mas acho tambm que  uma oportunidade pra voc fazer algo de especial para os 
seus amigos. Creio que deve pensar nesse lado dela.
- Como assim?
- Veja a situao por outro ngulo. Suponhamos que fosse o Ronny que estivesse tendo a chance de fazer uma viagem como essa, e ele convidasse duas pessoas da turma, 
mas no a chamasse. Como voc se sentiria?
- A questo  que nosso grupo no  assim to unido, sabe? protestou ela. No  dessas turmas que sempre esto juntas. Eles esto sempre saindo uns com os outros, 
fazendo programas sem me convidar. Alm disso, eu chamei a Amy, que nem estuda em nossa escola mais. Eu pensei mais num passeio de garotas. Quando tem rapazes no 
meio, a atmosfera muda completamente.
- Ei, Selena, interveio Wesley, falando devagar, eu sou rapaz.
- , eu sei, mas...
A garota ficou sem argumento. O irmo tinha razo. Indo s as trs, j havia a possibilidade de a atmosfera ficar meio tensa por causa do interesse que Amy tivera 
por Wesley. Talvez Selena tivesse um pouco enganada, quando pensava em como o passeio seria.
- Olhe aqui, Selena, no sei o que lhe dizer. Se voc quiser, eu concordo em levar mais alguns amigos seus, se isso for proveitoso pra eles. O objetivo principal 
dessa viagem  eu conhecer a Universidade Rancho Corona e voc visitar algumas faculdades. No  pra ir  praia, nem conhecer Hollywood, nem ir a qualquer outro 
lugar que eles queiram ir. Se voc deixar isso bem claro pra eles, talvez alguns mudem de idia. Avise que ns no vamos ter muito tempo pra passeios, no.
- , eu sei, disse a garota, dando um suspiro. Voc tem razo. Eu devia pensar no bem dos meus amigos. S que no gosto da companhia do Warner.
- Ento no o convide.
- Mas voc acabou de dizer que poderia convidar todos.
- Sim, mas isso  com voc.
- , voc no me ajudou nada. Primeiro diz uma coisa, depois, muda tudo.
- No mudei, no. Escute, Selena, voc deve fazer o seguinte. Faa uma programao bem rgida, de visita s faculdades que voc, a Vicki e a Amy queiram conhecer. 
Depois, se houver tempo, podemos encaixar nela um divertimento qualquer, como ir a uma praia ou algo assim. Mostre esse planejamento pra eles, e lembre-lhes de que 
tero de arcar com as despesas de alimentao. Depois vamos ver quem vai querer ir. Se o Ronny quiser ir, pra mim 't timo.
- Mas e o Warner?
- Que tem ele?
Selena ficou a remexer nervosamente os dedos dos ps, encolhendo-os e esticando-os. Sentia o queixo tenso.
- Me ajuda a, Wesley! No quero que o Warner v!
- 'T bom. Ento pode usar meu nome. Diga-lhe que no quero que ele v.
- Mas voc nem o conhece...
- , tem razo. No conheo, no. Voc  que o conhece. Ento diga-lhe que ele no pode ir.
Selena soltou um suspiro curto. Sentia-se muito irritada. Ao que parecia, no havia uma soluo tranqila para o problema.
- E a questo do dormir? disse. Com muita gente, no vai ser possvel ningum deitar pra dormir.
- A gente pode se revezar. Cada hora um dorme no banco da frente, que inclina um pouco. Todo mundo dorme sentado no avio, no dorme? Ento pode dormir na van tambm.
A garota mordeu o lbio inferior com tanta fora que achou que iria feri-lo.
- 'T bom, Wesley, disse afinal. Vou desligar agora, e no me ligue de volta, no, viu? No aguento mais essas suas solues "furadas".
- O.k., replicou ele em tom calmo, no parecendo nem um pouco preocupado com a irritao dela. Depois me avise o que voc decidiu.
- Aviso, respondeu a garota.
Desligou o telefone e foi ao poro,  procura da me. Ela estava tirando roupas da lavadora e colocando na secadora. Sem rodeios, Selena lhe exps todo o problema 
e ficou na expectativa de ver o que a me diria. Seu desejo era que ela viesse com uma soluo mgica, que agradasse a todos. Contudo ela se encostou na secadora 
e indagou:
- E a? O que voc vai fazer?
Isso era o que Selena mais detestava nesse perodo de passagem para a fase adulta: os pais deixarem que ela tomasse a maioria das prprias decises. Eles diziam 
que, arcando com as consequncias, boas ou ruins, de suas escolhas, ela aprenderia muitas lies e amadureceria. No entanto essa atitude a estava deixando desorientada. 
Parecia que seus pais sentiam uma estranha satisfao, tpica de pais, ao atribuir-lhe a responsabilidade por todos os seus atos.
- Ainda no sei, replicou afinal.
- Esse Warner  um cara difcil de conviver? Perguntou a me.
- , parece que os outros no se irritam com ele tanto quanto eu. Ele tinha a mania de chegar perto de mim e passar o brao no meu ombro. Ele  muito alto, e eu 
tinha a sensao de que ele estava se apoiando em mim. Parecia que ele queria que os outros pensassem que estvamos namorando.
- Ele ainda faz isso?
- No. Um tempo atrs, falei com ele que no gostava e ele parou, finalmente. Agora ele fica me tratando mais ou menos mal. Fica dizendo frases meio ferinas e me 
olha com raiva. 
A me deu um sorriso significativo.
- O que ? indagou Selena.
- Se vocs tivessem quatorze ou quinze anos, eu diria que ele tem uma paixozinha infantil por voc.
- Isso mesmo! concordou a garota. O que torna tudo ainda mais irritante  que no temos mais quatorze anos. Afinal j estamos terminando o ensino mdio. Por que 
ser que ele no pode agir como um cara normal?
- ; alguns garotos demoram mais pra amadurecer. Voc sabe disso, n? O que voc est vendo como raiva  apenas imaturidade.
- 'T bom, me. ento me diga. Voc acha que, numa viagem como essa, eu devo convidar um cara imaturo, s pra ser legal com ele?
- Sei no, replicou a me pensativamente. Pode ser que um passeio como esse sirva pra ele amadurecer um pouco.
Selena ergueu as mos num gesto de quem pede socorro.
- Ah, por que sou eu que tenho de fazer o Warner amadurecer? E por que essa questo toda est girando em torno dele? Era pra ser um passeio agradvel pra mim e o 
Wesley, pra ns conhecermos faculdades. Depois eu chamei a Amy e a Vicki. Era s isso, um grupinho compacto e fechado. Por que no pode ser assim?
- E o Ronny?
- O.k., eu, Wesley, Amy, Vicki e Ronny.
Assim que ela acabou de mencionar os nomes, percebeu que havia dois casais - Wesley e Amy, Vicki e Ronny. Ela ficaria sobrando. A no ser que o Warner tambm fosse. 
Mas a situao ficaria pior. E ela no havia nem se lembrado de Margaret, nessas ltimas consideraes. E se ela fosse, bem como o Warner, e os dois acabassem formando 
um par? Nesse caso, seriam trs casais, e ela estaria sobrando.
- Estou comeando a ficar com dor de cabea, disse Selena. Vou para o quarto. Falei com o Ronny que ligaria pra ele.
- D pra voc levar esta cesta de roupa e deixar na cozinha pra mim? indagou a me.
- Claro, replicou a garota, inclinando-se para peg-la.
- Ah, espere a, interveio a me. J viu a carta que chegou pra voc? Est l na poltrona, na saleta.


Captulo Cinco

S de saber que havia uma carta para ela, Selena se sentiu mais aliviada. Colocou a cesta de roupas sobre o balco da cozinha e correu ao seu cantinho predileto. 
Pegou o envelope e olhou bem para o seu nome escrito com a letra grande de Paul. Sorriu. Sempre que pegava uma carta do rapaz era como se uma brisa suave soprasse 
em seu interior. Acomodou-se na poltrona e abriu a carta, escrita em papel bem fino. Em seguida, se ps a ler.

Cara Selena,
Finalmente consegui tomar algumas decises. Demorei um bocado e passei por muita luta para discernir qual era a vontade de Deus para minha vida. Sei que voc me 
ajudou muito com suas oraes. Obrigado.

A garota ergueu os olhos para o alto e engoliu em seco. Sabia muito bem o que era ter de tomar decises, e como isso implicava muita luta, uma verdadeira tortura. 
Parecia-lhe estranho que ela tivesse ajudado Paul, incentivando-o e orando por ele. No entanto, quem poderia estar orando por ela? E por que ser que ela prpria 
no conversava com o Senhor a respeito das lutas que estava enfrentando? Voltando a ateno e o pensamento para a carta de Paul, continuou a ler.

No sei se j lhe expliquei como eles dividem o ano letivo aqui. Na semana que vem, por exemplo, encerra-se um bimestre, que eles denominam "bimestre de primavera". 
Em seguida, temos um recesso de um ms, e depois inicia-se o que eles chamam de "bimestre de vero". Vai de meados de abril a meados de junho. Pois . Resolvi ficar 
e cursar esse perodo. Depois, ento, devo retornar aos Estados Unidos.

Selena sentiu uma onda de satisfao e de esperana ao saber que Paul iria voltar  sua terra. Ele estudara em Portland no ano anterior, embora sua famlia morasse 
em San Diego, na Califrnia. O pai dele era pastor de uma igreja ali. Ser que o rapaz viria para Portland ou iria estudar em outro lugar? Continuou lendo.

Como j disse, foi muito difcil para mim chegar a essa deciso. Quando vim para c, meu plano era fazer o curso todo aqui, na Universidade de Edimburgo. Eu queria 
isso desde que tinha quinze anos e estava comeando o ensino mdio.  que eu tinha visitado a escola nessa ocasio e a vira com o olhar de um adolescente. Alm disso, 
queria sair de casa e vir morar com meu av. Como voc sabe, ele morreu antes de eu vir.  que a universidade aqui exigia que, antes de me matricular nela, eu j 
tivesse cursado um ano numa escola superior nos Estados Unidos. Foi por isso que estudei a em Portland, na Faculdade Lewis e Clark.
Bom, ento vim para c, pensando que talvez pudesse ajudar minha av e achando que a universidade ainda era como eu a vira aos quinze anos. Na verdade, minha av 
 uma pessoa muito auto-suficiente e no necessita de minha ajuda. Ela j deu a entender tambm que minhas idas para a casa dela nos finais de semana esto sendo 
um peso para ela. Fiz algumas amizades na escola, mas nenhuma delas muito profunda, j que no passo os sbados e domingos aqui. As aulas so timas, e creio que 
esse ano que passei nesta escola representou uma excelente experincia de vida para mim. E o ponto alto dele foi o fato de eu ter voltado a buscar comunho com o 
Senhor. Entretanto este lugar possui uma atmosfera de solido que  muito penosa. Mas sou grato a Deus pelo fato de que sempre que clamei a ele, ele me acudiu e 
veio ao meu encontro.
Quanto aos planos para o futuro, ainda estou em fase de elaborao. Quando lhe pedi que orasse por mim com relao a isso, estava pensando em voltar para os Estados 
Unidos no final de maro, quando encerrasse o "bimestre de primavera". Contudo entendi que ser proveitoso para mim fazer as disciplinas que eles vo oferecer nesse 
perodo que vai de abril a junho. Durante o ms de recesso que teremos, pretendo viajar bastante. Quero visitar um acampamento para velejadores, que fica no norte 
da Esccia. Depois vou para Stranraer, pegar um barco e navegar para Belfast, na Irlanda do Norte.

Selena parou de ler outra vez e deixou a imaginao voar um pouco, com o que Paul dissera. Ela tinha estado na Irlanda, em janeiro do ano anterior. Iria escrever 
ao rapaz imediatamente recomendando-lhe que visitasse um ponto turstico desse pas chamado "Passarela dos Gigantes". Ali, em eras passadas, houvera uma erupo 
vulcnica e a lava escorrera para o mar e endurecera. Formara-se, ento, um enorme bloco de rochas, que lembrava os degraus de uma escada. Realmente parecia uma 
estrada para gigantes.

Gostaria que voc orasse a Deus pedindo que ele me proteja nas viagens que vou fazer e me oriente nas decises que ainda tenho de tomar. Preciso resolver o que farei 
depois que terminar esse curso aqui em junho. Vou parar por aqui. Hoje  tarde vai haver um jogo de rugby, no Estdio Murrayfield.  entre Esccia e Frana. Talvez 
voc j saiba que o esporte predileto do pessoal aqui  o rugby. Parece que vai ser um jogo excelente. Vale a pena "matar" umas horas de estudo para assistir a ele.
Espero que tudo esteja indo hem a. Mais uma vez, muito obrigado por suas oraes e palavras de incentivo. Voc no faz idia de como elas so importantes para mim.
Com muita gratido,
Paul
Assim que Selena chegou ao final, voltou  primeira pgina e leu tudo de novo. Sempre que recebia uma carta do rapaz fazia isso.
Quando j estava quase terminando a leitura pela segunda vez, o telefone tocou. Sua me atendeu e gritou para a filha avisando que era o Ronny querendo falar com 
ela.
Dobrou a carta cuidadosamente e a recolocou no envelope. Em seguida, pegou o aparelho que havia sobre a escrivaninha do pai.
- Oi! disse ela em voz alegre.
Ronny no respondeu imediatamente. Aps alguns segundos, ele replicou:
- , parece que voc est com uma disposio melhor do que estava na hora do almoo. Isso quer dizer que conversou com seu irmo?
A garota sentiu o rosto afoguear-se. Sua impresso era de que a tinham pego num momento de intimidade com Paul. Sentiu certo constrangimento. Era como se ela e ele 
estivessem juntos, a ss, ali na saleta, os olhos fitos um no outro, e de repente, a porta se abrisse e o Ronny entrasse.
- , conversei com Wesley, principiou ela recuperando-se. No sei se estou com tudo bem definido ainda, mas ele disse que gostaria que voc fosse.
- timo! replicou o rapaz. Ento eu vou. Arranjei uma pessoa para parar os gramados pra mim no sbado. Alis, meus pais querem saber que faculdades vamos visitar. 
E eu preciso saber quanto de dinheiro devo levar.
Selena mencionou as escolas as quais iriam e depois disse-lhe que teria de levar dinheiro para todas as refeies. Informou ainda que s teriam alguma diverso se 
sobrasse tempo.
- 'T bem, concordou ele. Meus pais acham que devo ajudar na gasolina tambm. Pensei em dar uns 50 dlares para o Wesley, ou voc acha pouco?
- Parece at muito, respondeu Selena.
- Papai disse que sai mais barato que uma passagem de avio.
- Ronny, voc acha que o Warner e a Margaret quereriam ir se eu lhes dissesse que no temos certeza se vamos  praia ou a um parque de diverses? Quero dizer, eles 
esto sabendo mesmo que no se trata de um passeio, mas de uma pesquisa em faculdades?
- No sei, mas acho que sim. O Drake queria saber se pretendem visitar alguma universidade na regio litornea. Ele queria dar uma olhada na Faculdade Westridge, 
em Santa Brbara.
Drake! Selena sentiu o nervosismo voltar. Assim que Ronny mencionou esse nome, ela percebeu que os restos de alegria que tivera com a carta de Paul acabaram-se totalmente. 
Havia se esquecido de que ele queria ir. Ou talvez o tivesse tirado do pensamento, pelo fato de ter ficado to irritada com relao a Warner.
-  Ronny, o problema  que vai ficar muito apertado. Quem voc escolheria pra ir conosco? Quero dizer, os j definidos so eu, Wesley, voc, Vicki e Amy. Sobram 
apenas trs lugares na van, se a gente lembrar que vai precisar de espao pra bagagem. Se o Drake, Margaret e Warner forem, eu acho que vai ficar cheio demais, levando-se 
em conta que  uma viagem bem longa.
- , pode ser. No sei. Voc ter de decidir, ento.
- Eu queria que todo mundo parasse de mandar que eu resolva! exclamou a garota meio irritada. Voc no imagina como  aborrecido a gente ter de ficar responsvel 
por esse lado, pra essa viagem ser um acontecimento agradvel e tranqilo. Agora parece que acabou virando um concurso de popularidade, ou algo assim.
O rapaz no respondeu nada.
- Quero dizer, continuou Selena, como voc se sentiria se tivesse de tomar essas decises?
- Sei l. Provavelmente iria procurar pensar o que seria melhor tendo em vista a viagem toda. E se eu tivesse de dispensar alguns, eu dispensaria. Acho que isso 
no prejudicaria nossa amizade em nada. Todo mundo entende a situao, Selena.
- Voc entende porque j sabe que vai. Mas, e se voc fosse um dos que eu teria de dispensar?
- Entenderia perfeitamente, replicou ele sem hesitao.
- , 't bom. Mas voc  o Ronny. Voc sempre entende tudo muito bem. E os outros? Entendero?
- Se eles forem realmente seus amigos, sim. E sua deciso no iria mudar nada no seu relacionamento com eles.
- No sei, no, Ronny. O mais provvel  que digam que se eu fosse amiga deles, no haveria nem discusso. Iria querer que todos fossem conosco.
- , talvez.
Selena comeava a sentir de novo a mesma dor de cabea que tivera horas antes, quando conversara com o irmo.
- Ronny, faz um favor pra mim? Por enquanto, no comente com ningum que voc vai, 't? Espere at amanh, depois do almoo.
- O.k., replicou ele.
- Vou orar sobre tudo isso, e amanh a gente resolve.
- Como queira! exclamou o rapaz.
- 'T bom, ento, concordou ela, sentindo-se to dividida quanto o amigo. O que tiver de ser, ser!


Captulo Seis

Era quarta-feira de tarde, e o grupo j ia iniciar a viagem de visita s faculdades. Selena achava-se parada na rampa de sua casa, olhando o pai que afixava o bagageiro 
no alto do carro. Ronny estava no gramado atirando um pedao de pau para o Brutus, o co da famlia. Amy fora l dentro, para uma ltima corrida ao banheiro. Vicki 
se achava ao lado de Selena, dizendo-lhe algo, mas nesse momento seus olhos se voltaram para Warner, que dissera que seu lugar era no banco da frente, e j se apoderara 
dele. Estava sentado l firme como uma rocha.
- Ser que o Drake desistiu porque soube que a Margaret no iria? indagou Vicki em voz baixa. Percebi que, nestes ltimos dias, os dois tm estado muito juntos.
- Pode ser, resmungou Selena.
Os pais de Margaret no haviam dado permisso  filha para ir porque ficaram sabendo que quem iria com o grupo era o irmo de Selena, e no os pais desta.  hora 
do almoo, na escola, Drake procurara a garota e lhe comunicara que mudara de idia. No iria, pois "tinha muita coisa pra fazer".
Selena chegara  deciso final uma semana antes. Resolvera que todos poderiam ir, se quisessem: Ronny, Warner, Drake e Margaret. Contudo, interiormente, comeou 
a desejar que Drake e Warner, principalmente este ltimo, desistissem da viagem. Drake desistira havia poucas horas, e a partir da, Selena comeou a desejar que 
Warner fizesse o mesmo. Todavia ele no fizera. Iria com o grupo.
Agora estava l, "plantado" no banco da frente. A garota se ps a repassar mentalmente as recomendaes que a me fizera com relao a ele. Dissera-lhe que ela deveria 
estabelecer limites para o rapaz e aplic-los sempre que necessrio. Sharon Jensen tambm lhe lembrara que esse tipo de experincia poderia ter um efeito muito positivo 
em Warner, contribuindo para seu amadurecimento. Depois elogiou a filha por sua atitude madura, quando concordou em deixar que ele fosse, embora isso no lhe agradasse 
muito.
Nesse momento, Selena se sentia tudo, menos madura. No tinha nem um pouco de vontade de dirigir o carro do pai naquele trajeto dali at Corvallis, uma distncia 
de 160 quilmetros. No queria pensar que a vida de Ronny, Warner, Vicki e Amy, de certa forma, estaria nas mos dela. Ficaria bem mais tranquila se o pai tivesse 
se oferecido para lev-los at onde o irmo estava. Entretanto sabia que ele no o faria. Confiava plenamente nela. Agora ento seus amigos estavam na dependncia 
dela. Nesse instante se dava conta de que ser madura e responsvel, numa ocasio dessas, na verdade, era um peso que a enervava. Nunca imaginara que pudesse sentir 
isso.
Contudo deu um sorriso meio forado e agradeceu ao pai que colocara as malas e sacolas no bagageiro.
- Olha, filha, o tanque est cheio. Verifiquei o nvel do leo hoje de manh, disse o Sr. Jensen, entregando a chave do veculo para Selena. Lembre o Wesley de checar 
o leo outra vez antes de voltarem.
- Vou lembrar.
- E assim que chegarem em Corvallis, ligue pra casa, recordou a me.
- 'T bom.
- Verifique se todos puseram o cinto de segurana, recomendou o pai. Fiz um seguro total, ento, caso acontea algo, o grupo todo est coberto por ele. Mas, por 
favor, andem sempre dentro do limite de velocidade, obedecendo direitinho  sinalizao, e todos com cinto de segurana.
- O.k., falou a garota. Ns vamos andar direitinho. Tenho certeza de que vai sair tudo muito bem.
Aquelas recomendaes de ltima hora dos pais a estavam deixando ainda mais nervosa.
- , interveio a me, e ns estamos orando nesse sentido. Boa viagem pra vocs, e se houver algum problema, telefonem.
- 'T bem, me. A gente telefona.
Selena deu um passo em direo ao carro para entrar nele. Antes, porm, que ela subisse ao veculo, a me a segurou, deu-lhe um abrao e um beijo no rosto. Aquela 
demonstrao de afeto deixou-a meio sem graa.
- Tchau! replicou rapidamente, correndo para a van.
- Tchau! gritou o pai.
Ainda bem que ele no tentara beij-la na frente dos amigos tambm. Sentiu uma ponta de vergonha por haver ficado constrangida com os gestos afetuosos dos pais.
Amy e Vicki tambm entraram, ocupando o banco logo atrs do de Selena. Ronny sentou-se no terceiro, levando seu enorme violo.
- Ponham o cinto de segurana, pessoal! falou o Sr. Jensen.
Para alvio de Selena, todos obedeceram.
- Todos prontos? indagou a garota, ligando o carro.
Ficou espantada ao perceber que no estava gostando muito de se achar ao volante e praticamente na "chefia" do grupo. Desde pequena sempre ouvira os outros dizerem 
que tinha "tendncia" para ser lder. O problema ali talvez fosse o fato de que estava liderando seus colegas. Ou poderia ser que estivesse sem jeito porque os pais 
se encontravam na rampa, abraados, olhando para eles e acenando efusivamente. Davam a impresso de que ela estava de partida para uma perigosa viagem no mar e que 
talvez nunca mais a vissem. Fosse qual fosse a razo daquela sensao incmoda, o certo  que, felizmente, assim que chegaram  estrada e rumaram para o Sul, comeou 
a sentir-se melhor.
- Algum quer chicletes? indagou Vicki.
- Que tipo que ? quis saber o Warner.
- Menta. Quer?
- No. S masco de bola, explicou ele. Ah, agora me lembrei de uma coisa. Esqueci de trazer. Selena, pare a no primeiro lugar que puder. Preciso comprar chicletes 
pra mim.
- No vou parar s pra comprar chicletes, no, replicou ela em tom spero.
Ela prpria ficou surpresa com o modo como falara. Por uns instantes, todos ficaram em silncio. Em seguida, abrandando a voz, ela explicou:
- Meus pais disseram pra ir at Corvallis sem parar. Voc pode esperar chegar l pra comprar, no pode?
O rapaz ergueu as longas pernas e colocou os ps sobre o painel do carro. Mais parecia um gafanhoto todo encolhido.
- , acho que no tenho outra escolha, disse.
- Faz o favor de colocar os ps no cho, pediu Selena. 
- Voc vai me obrigar?
- Warner, no estou enxergando o retrovisor da direita. Sua perna est atrapalhando minha viso.
- 'T no.
- Warner, insistiu Selena, perdendo o pouco de pacincia que ainda lhe restava, abaixe as pernas! Esse carro  do meu pai e ele no gosta que ningum ponha os ps 
no painel assim!
- Seu pai no 't aqui!
- Mas o carro  dele, replicou a garota. Ponha os no cho, Warner.
Com gestos lentos, o rapaz abaixou as pernas e virou-se para olhar para ela.
- Voc vai ser implicante assim a viagem toda, ?
-  possvel, disse Selena. E voc vai ser uma "mala" assim a viagem toda, vai?
Os outros jovens se mantiveram calados.
- Desculpe, Warner, falou ela logo em seguida. Eu no devia ter dito isso. Vamos agir de outra maneira. O que quero dizer  o seguinte: meus pais confiaram muito 
em mim, com relao a essa viagem, e quero estar a altura da confiana deles. Ser que voc pode colaborar pra isso?
- Claro, respondeu ele, dando de ombros. Voc  a dona do passeio e 't comandando tudo. Eu s estou indo porque sei que vai ser um "agito".
Selena pensou que ele no fazia idia de como tudo aquilo estava sendo um "agito" para suas emoes. Estava acontecendo exatamente o que ela no desejava que acontecesse. 
Warner participava da viagem e, com menos de vinte minutos de estrada, ela j discutira com ele. Lembrou-se ainda de que, assim que pegassem Wesley, eles seriam 
seis: trs garotas e trs rapazes. Se formassem pares, seriam Vicki e Ronny, Wesley e Amy, ela e Warner. S de pensar nisso, sentiu o estmago "embrulhar". Ento, 
de agora at domingo  noite, teria de lutar contra a forte antipatia que tinha para com esse colega.
Senhor, orou, por que  que isso  to difcil? O que h de errado comigo? Achei que j tinha resolvido essa questo e que decidira ser legal e cheia de amor para 
com todos, como o Senhor quer! Sinto muito, Senhor, mas  impossvel!
- Quer chicletes, Selena? indagou Vicki em tom brando, estendendo-lhe uma "tirinha" e procurando amenizar a situao.
- Quero, obrigada!
Warner abriu a sacola de viagem que colocara entre seu assento e o do motorista e tirou de dentro dela uma revista sobre skatismo. Pegou tambm um walkman e ajustou 
o fone de ouvido. E assim ficou ele durante algum tempo: isolado em seu mundo particular, ouvindo um som e batendo os dedos no painel ao ritmo da msica.
Ao que parecia, ele trouxera tambm um bom sortimento de lanches. A todo momento, enfiava a mo na sacola e pegava algo. Primeiro, foi uma lata de refrigerante que 
bebeu quase de um s gole. Em seguida, amassou a latinha e jogou-a no cho do carro. Depois comeu um pacote de pipoca, deixando cair migalhas por toda parte. A seguir, 
foi um saquinho de chocolates M&M's que devorou sem oferecer nada a ningum. Assim que terminou, atirou a embalagem do lado de Selena, pois o seu j estava cheio 
de lixo. A foi a vez de um pacotinho de castanhas com sabor "churrasco", que deixou o carro todo com cheiro caracterstico.
Enquanto Warner se empanturrava, Ronny permaneceu quieto, no banco de trs, tocando suavemente o violo. As trs garotas se puseram a conversar sobre as expectativas 
que tinham com relao as faculdades que iriam visitar, passando umas s outras mais informaes que haviam obtido. Obviamente a conversa delas ali no era do mesmo 
teor das que mantinham no Mother Bear, onde se reuniam todas as segundas-feiras.  que sabiam que os dois rapazes estavam escutando. Selena se sentiu um pouco mais 
reanimada ao perceber que as duas colegas haviam assimilado bem o "esprito" da viagem.
- Meu tio me deu alguns cupons para o Montanha Mgica, informou Amy a certa altura. No sei se vo adiantar muito, mas diz aqui que so vlidos em todos os parques 
de diverses da rede "Six Flags".
- Como assim? indagou Vicki. Vale uma entrada no parque?
- No; acho que d um desconto de seis dlares no ingresso.
- , interveio Vicki, minha me me emprestou um guia automobilstico * da Califrnia. Ele traz os preos e horrios de todos os parques, lojas e shoppings. Sei que 
no estamos pensando em ir a nenhum desses lugares especificamente, mas se a gente resolver ir, pelo menos j temos o que consultar.
- timo! exclamou Selena. Tenho certeza de que poderemos fazer algo. Mas ter de ser de ltima hora.
- Assim  que  bom, comentou Vicki.
Pouco antes de chegarem  cidade de Salem, comeou a cair uma chuva fina. Selena diminuiu a velocidade e ligou o limpador de pra-brisa. O trfego estava aumentando, 
j que eram quase 5:00h.
- Sabe de uma coisa? principiou Vicki, inclinando-se para diante para dizer algo a Selena.
Era quase impossvel ter uma conversa mais confidencial, pois Warner se achava bem perto da motorista.
- Ah, continuou Vicki, sei que  pra gente ir direto pra Corvallis, mas estou precisando ir ao banheiro. No vai dar pra esperar. Ser que podemos fazer uma parada?
- Claro, disse Selena.
Warner ergueu os olhos da revista e tirou o fone de ouvido.
- Ah, ento vamos parar, ?  dona da viagem, ser que posso sair do carro? Ah, deixa, deixa!
- O Warner, por que voc tem de agir assim? indagou Vicki em tom seco.
O rapaz atirou nela o saquinho de castanhas.
- Pense rpido! disse ele.
Selena olhou no retrovisor para ver qual seria a reao da amiga. A colega permaneceu calma, ganhando pontos a seu favor.
- Voc est agindo como um "mala", Warner, explicou ela. Por que no pra com isso?
- O que ser que est acontecendo com as mulheres deste carro? indagou o rapaz em tom de zombaria.
- Ah, deixe disso, Warner! interveio Ronny firmemente.
Era a primeira vez que ele se manifestava, desde que tinham iniciado a viagem. Selena ficou surpresa com a exclamao do colega, mas sentiu-se grata a ele pelo apoio 
que lhes dava. Contudo no disse nada. Limitou-se a ligar a seta e mudar de pista para sair da estrada. Assim que avistou um posto de gasolina, entrou nele e estacionou 
numa vaga lateral, prxima  entrada dos sanitrios.
- Volto j, gente, disse Vicki.
- Eu tambm vou l, anunciou Selena.
- Eu tambm, informou Amy, deslizando para a porta e saindo logo atrs de Vicki.
- Isso  uma lei da natureza, comentou Warner em voz alta para que todos ouvissem. As fmeas da espcie vo ao banheiro em bandos.
Apenas ele riu de sua piadinha.
- Olhe aqui, Ronny, disse Selena, entregando ao colega a chave do carro. Toma conta a pra ns.
As trs garotas se dirigiram para o sanitrio. Assim que fecharam a porta, comearam a falar ao mesmo tempo.
- No estou suportando aquele cara! exclamou Vicki. No imaginei que ele ia ser to aborrecido assim! 'T me deixando irritada!
- Por que voc o convidou, Selena? quis saber Amy.
- Bem, replicou a garota, dando uma olhada de lado para Vicki, no era essa a minha inteno, no.
Contudo ela logo entendeu que no adiantaria ficar botando a culpa na colega. Ento acrescentou em tom calmo:
-  meio complicado. Podem crer, meninas. Eu orei muito sobre a situao e, quando resolvi estender o convite a ele tambm, achei que estava agindo certo.
- Isso foi timo pra ele, talvez, comentou Amy. Mas pra ns, que estamos tendo de suport-lo, no 't nada legal.
- No vai dar, no, interps Vicki. Temos de ver como vamos resolver esse problema. Ele vai "estragar" a viagem pra todo mundo. Quando ele comeu aquelas castanhas, 
tive a impresso de que eu ia desmaiar.
- Isso mesmo! ajuntou Amy.
- A gente pode tentar estabelecer uns limites pra ele, disse Selena. Foi o que minha me sugeriu. Vamos dizer a ele que est nos incomodando e que pare de fazer 
essas coisas.
- Voc acha que vai resolver? indagou Amy.
- Tudo que ele faz me irrita, informou Vicki.
- , eu sei, concordou Selena, lavando as mos e olhando-se no espelho.
Seu cabelo estava comeando a ficar arrepiado por causa da chuva. Alguns cachinhos estavam se formando nos lados da testa.
- S sei que no poderemos continuar assim a viagem toda, no, comentou Vicki, chegando  pia para lavar as mos e tambm examinando sua imagem no espelho. Uh, meu 
cabelo est pssimo, resmungou.
- Ih, gritou Amy de dentro do reservado, no comea a falar em cabelo, no, seno a Selena pega o assunto, e pronto. Vamos ficar s com o problema do Warner. O que 
vamos fazer com ele?
Vicki e Selena se entreolharam e disseram ao mesmo tempo:
- Gritar!


Captulo Sete

As trs garotas permaneceram no banheiro, com a porta fechada, ainda mais alguns minutos para resolver o que fariam. Decidiram que antes de recomearem a viagem 
iriam confrontar Warner. Iriam dizer-lhe o que as estava incomodando e pedir-lhe que tentasse ser um pouco mais atencioso com os outros. Uma lio que essas amigas 
j tinham aprendido era que a maneira mais certa de se resolver um problema com algum era procurar essa pessoa e conversar de maneira amistosa. Esperavam que isso 
desse certo com o Warner tambm.
Quando retornaram  van, viram que o rapaz estava sentado no banco de trs com o Ronny e que este, ao que parecia, estava lhe dando um "aconselhamento". O "lixo" 
que Warner jogara no assento da frente ainda estava l. Assim que Selena abriu a porta do carro, ele se virou para ela e disse:
- O Ronny 't me dizendo que estou irritando todo mundo.
A garota olhou para o Ronny e em seguida para Amy e Vicki, que ainda se achavam paradas junto  porta. Amy entrou e fitou o rapaz.
- No sei quais eram suas expectativas com relao a esta viagem, mas sei que todos ns aqui pretendamos passar uns bons momentos. Entretanto, se algum fica s 
se impondo, agindo com falta de educao e sem considerao com os outros, a vai ser difcil conseguir isso. Alis, ser impossvel a gente se dar bem.
Warner parecia desconcertado.
- Por que  que 't todo mundo contra mim? Indagou.
- No estamos, no, disseram Ronny, Amy e Vicki juntos.
Selena fora a nica a ficar calada. Ronny continuou:
- E como eu estava tentando lhe explicar, Warner. Quando a gente 't participando de um grupo, todos procuram pensar nos outros e ter considerao para com os interesses 
dos outros em primeiro lugar. Se algum diz frases sarcsticas ou agressivas, 't atrapalhando o senso de unidade do grupo.
- Mas eu estou s brincando, replicou ele. Vocs no entendem piadas, no? Por que todo mundo 't to tenso afinal?
Selena comeou a achar que a antipatia que sentia pelo rapaz "passara" aos outros. Agora eles estavam se posicionando "do lado" dela e tentando "consertar" o Warner, 
para que este no a incomodasse mais. Se ela se visse mesmo como parte integrante de um grupo, como dissera Ronny, teria de reconhecer que fora a primeira a agir 
errado. Fora ela que no tivera considerao com Warner, pois dissera que no poderiam parar antes de chegar a Corvallis.
E olhe s, pensou, acabamos parando. Ento o que eu disse ficou sem efeito.
- Espere a, gente, disse ela, eu tambm no tenho agido com senso de grupo. Warner, eu fui muito grosseira com voc e peo que me desculpe.
O rapaz olhou para os colegas, um por um, e em seguida deu de ombros.
- 'T bom, disse afinal. Vamos tocar em frente, ento?
- O.k., concordou Selena, estendendo a mo para pegar a chave do carro com Ronny.
Vicki, que ainda estava do lado de fora, abriu a porta do banco da frente e entrou.
- Oi! disse Warner, comeando a sair do banco de trs. A  meu lugar!
- Seu lugar? indagou a garota, pegando os saquinhos vazios e enfiando-os na lixeirinha que havia perto do porta-luvas. E isso  seu lixo tambm, n? Sabe o que mais? 
Quem remove o lixo tem direito de viajar no assento da frente. Alis, falta pouco para chegar a Corvallis.
- Eu vou no banco da frente, insistiu Warner, fazendo um gesto com o polegar indicando o assento traseiro para a jovem. Se eu no for na frente, tenho enjo.
Selena deu uma olhada para Amy, que arregalara os olhos. Vicki tambm tinha no rosto uma expresso de incredulidade.
- Quer dizer que voc quer viajar no banco da frente at a Califrnia e depois na volta tambm? indagou Vicki sem se mexer para sair do assento.
- Quero, a no ser que vocs queiram que eu vomite em todo mundo aqui atrs.
Sem dizer mais nada, Vicki saiu e foi se sentar no banco do meio, ao lado de Amy. Warner entrou no carro, com movimentos rpidos, e bateu a porta com fora. Imediatamente 
Selena pensou que, se o pai dela estivesse ali, iria dizer:
"No precisa bater to forte, no. Assim estraga a porta."
Teve vontade de dizer isso, mas ficou em silncio. Resolveu indagar:
- Warner, por que voc quis vir conosco?
- Como assim? perguntou ele.
- Como voc acha que e uma viagem de pesquisa?
- Uma igual a esta. Por qu?
Vicki inclinou-se para diante e entrou na conversa.
- Warner, alguma vez voc j fez uma viagem assim, com amigos?
- J. Uns meses atrs, nossa banda foi a Longview.
- Longview? repetiu Amy. Mas Longview fica s a sessenta quilmetros de Portland. Voc nunca viajou assim com sua famlia ou com amigos?
O rapaz abanou a cabea.
- No, respondeu. Mas qual  o problema? Eu quis vir porque a turma toda vinha.
- A turma toda, no, interveio Vicki. O Tre no pode vir. O Drake e a Margaret tambm decidiram no vir.
- Puxa, mas eu preciso dizer?
- Precisa, se for possvel, disse Selena. Isso pode nos ajudar.
- U, eu vim porque ando com vocs, explicou ele, falando lentamente.
- Voc 't querendo dizer que  porque somos seus amigos? insistiu Vicki. Porque se for isso, ento, precisa nos tratar bem melhor do que tem nos tratado. Ningum 
trata um amigo desse jeito.
- , ela tem razo, concordou Ronny. Voc tem de melhorar um pouco nesse aspecto, companheiro. Todos ns estamos querendo ficar do seu lado, mas vamos l! Voc tambm 
tem de fazer sua parte. Quero dizer, procurar entrar no esprito de grupo, colega.  isso que estamos querendo lhe mostrar.
Warner continuava dando a impresso de no haver entendido. Selena desistiu e ligou o carro.
- Vamos continuar a viagem, disse ela. Daqui a pouco, o Wesley vai ficar preocupado, pensando que nos aconteceu algo.
Interiormente, comeou a desejar que seu irmo acabasse se revelando um bom "juiz" para controlar esse grupo que parecia to irritadio. Talvez ele pudesse ensinar 
o Warner a ter um pouco mais de considerao com os outros.
Chegaram a Corvallis sem maiores complicaes. Isso se deu porque Selena resolveu se "desligar" de Warner e se concentrar em procurar o endereo de Wesley. Afinal 
encontraram a casa. Era um velho sobrado, como dissera o pai, na verdade uma repblica de estudantes. Antes mesmo que chegassem  porta, Wesley apareceu e cumprimentou-os 
alegremente. Assim que avistou o irmo mais velho, Selena se sentiu reconfortada.
O rapaz era muito parecido com o pai, principalmente nos olhos, de tom castanho. Ele tinha tambm o mesmo tipo de cabelo do pai, castanho e bem ondulado. A nica 
diferena era que o filho no estava comeando a ficar calvo. Wesley tinha mais de um metro e oitenta de altura. Isso tambm deixou Selena mais reanimada.  que, 
olhando apenas por esse ngulo, Warner no era mais o maior do grupo.
- Selena, entra l e liga pra mame, disse o irmo. Ainda no estou com tudo pronto.Talvez seja bom todo mundo andar um pouco pra esticar as pernas.
Selena notou que o Warner imediatamente foi ao carro. Entendeu que ele iria pegar seu skate, que colocara embaixo do banco. Subindo a escada para o quarto do irmo, 
ela foi lhe falando em voz moderada, sobre o conflito que tinham tido na vinda at ali.
- Fiz tudo que pude, explicou ela ao entrarem na saleta dele. Primeiro, tomei a atitude de convid-lo, o que acho que foi at legal de minha parte. Mas quando ele 
comeou com as grosserias, fui meio dura com ele. Depois pedi desculpas. Ns todos lhe explicamos que ele deve agir com esprito de grupo, mas parece que no entendeu. 
Falou que ter de viajar o tempo todo no banco da frente, seno vai enjoar.
Wesley franziu a testa. Como Selena e o irmo eram de famlia grande, haviam aprendido desde pequenos que os filhos tinham de compartilhar tudo uns com os outros. 
Isso significava que deveriam se revezar no banco da frente. Cada hora era um que tinha o direito de se sentar nele.
- Quer que eu fale com ele que no quero lev-lo na viagem? indagou Wesley.
- , mas como  que voc vai dizer isso? Ele j veio at aqui.
- A gente pode lev-lo de volta a Portland. Ou ento o botamos num nibus pra l. Ou podemos ligar para os pais dele e dizer que no vai dar pra ele ir conosco.
Selena suspirou.
- No sei. E eu que pensei que, ao convid-lo, estaria resolvendo um problema! Na verdade, ficou pior. Eu devia t-lo rejeitado de cara e deixado que ficasse com 
raiva de mim.
- Voc orou a respeito de tudo isso, no orou? Perguntou o irmo.
- Orei, e com toda sinceridade.
- Ento vamos seguir pela f daqui por diante. Temos de crer que ele 't aqui por alguma razo.
- Isso significa que ele vai conosco? indagou Selena.
- Pode ser que sim ou que no, respondeu Wesley, dando uma olhada no relgio de pulso. Liga l pra casa e avisa o papai e a mame que chegou bem at aqui. Estou 
com umas roupas na secadora. Vou ver se j acabaram de secar pra eu arrumar a mala.
- Puxa, voc nem arrumou a mala ainda?
- No vou demorar muito, no, disse ele, rumando para os fundos da casa.
Selena ligou para os pais, mas disse-lhes apenas que tinham chegado bem a Corvallis e no haviam tido nenhum problema com o carro. Preferiu omitir o conflito criado 
por Warner.
- Mas fizemos uma parada perto de Salem, explicou. Vicki precisou ir ao banheiro. Acho que Wesley 't terminando de arrumar a mala e depois seguiremos viagem. Amanh 
ligo de novo, assim que puder.
Os pais no haviam lhe pedido que telefonasse regularmente durante a viagem. Contudo tinha certeza de que ficariam muito satisfeitos, se ela o fizesse.
- timo! replicou a me. Ento divirtam-se! Estamos orando por vocs!
Selena desligou sentindo-se um pouco mais reanimada. Agora o Wesley estaria no comando de tudo, por assim dizer. Ele assumiria a direo, e tudo se resolveria. E 
se houvesse algum problema, ele tambm seria o responsvel. Essa era uma posio da qual Selena abria mo com todo o prazer.
Quando j se virava para sair e ir l para fora, viu Amy entrando sala a dentro a toda pressa.
- Selena, venha c, depressa. Houve um acidente com o Warner. Chame o Wesley!
- O que foi?
- Ele "bateu" num caminho!


Captulo Oito

- Ele resolveu ir andar de skate, explicou Amy, quase sem flego, para Wesley e Selena que corriam junto com ela rua abaixo. A apareceu um caminho virando a esquina 
e ele foi "pegar traseira". Segurou no pra-choque e ento o sinal fechou, e o cara freou de repente...
- E o Warner "trombou" em cheio nele, concluiu Selena no momento em que chegavam ao local do acidente.
O rapaz achava-se cado no cho, cercado por dezenas de curiosos.
- Ele 't achando que quebrou o brao, informou Vicki. Um rapaz ali j chamou o resgate.
Selena olhou para o colega, que fazia uma careta de dor, e notou que o brao direito dele estava mesmo dobrado num ngulo estranho. Seu primeiro impulso foi partir 
para a agresso, dizendo:
"Que  que voc estava pensando, cara? No imaginou que isso poderia ser perigoso?"
Contudo compreendeu que no seria legal. Nesse instante a ambulncia chegou. Os socorristas colocaram Warner numa maca e o levaram para o hospital. Selena ficou 
aliviada ao lembrar-se de que Wesley estava ali. Ele se encarregou de ligar para os pais do rapaz e explicar o acontecido. A me dele se informou acerca da localizao 
do hospital para onde o tinham levado. Em seguida, disse que eles poderiam seguir a viagem, pois mesmo que seu filho no tivesse quebrado o brao no poderia mais 
ir com eles. Segundo Wesley, ela afirmou que, como Warner estava agindo de forma irresponsvel, correndo riscos daquela maneira, no merecia o privilgio de fazer 
uma viagem daquelas. Ao que parecia, ela encerrou a conversa, dizendo:
- Eu e meu marido estvamos com esperana de que nessa viagem ocorresse uma mudana nele. Warner nunca soube desenvolver amizades nem aprendeu a assumir responsabilidades.
Afinal os cinco seguiram para o hospital. Iam muito quietos e pensativos. Quando j entravam no estacionamento, Selena comentou:
- Eu no queria que acontecesse nada de ruim com ele, no, gente.
- No comece a se culpar pelo que houve, no, Selena, interveio Vicki prontamente. Foi apenas um acidente. Aconteceu porque o Warner estava se arriscando, querendo 
se exibir. No teve nada a ver conosco.
- , eu sei o que a Selena 't sentindo, falou Amy. Eu tambm me sinto um pouco culpada.
- Vamos l, pessoal, disse Wesley, desligando o carro. O melhor que a gente pode fazer  ir l, ficar um pouco com ele e reanim-lo.  s o que podemos fazer.
- Voc vai lhe comunicar que a me dele disse que ele tem de voltar pra casa? indagou Selena.
- Vou, a no ser que voc queira dizer.
- No, obrigada, replicou a garota.
Eles deram uma paradinha na loja de presentes que havia no hospital e em seguida rumaram para a ala de acidentados, onde o rapaz se encontrava, deitado num leito.
- Disseram que quebrei o brao em dois lugares, informou Warner assim que os avistou. O mdico me mostrou a chapa de raios-X. Por que ser que aquele idiota teve 
de dar aquela freada?
- O motorista do caminho? falou Vicki quase gritando. Warner, voc  que no deveria estar pegando traseira nele! Que foi que passou pela sua cabea?
A garota se achava afastada da cama, com as mos nos quadris.
- J fiz is s antes, e no aconteceu nada, replicou o rapaz.
- Olhe aqui, disse Selena, trouxemos uma lembrancinha pra voc, um daqueles cartes humorsticos. Pelo menos, voc poder dar uma risada.
- Obrigado. , mas com o brao engessado, vou precisar da ajuda de vocs na viagem.
- Warner, principiou Wesley, a sua me vai vir aqui. Ligamos para os seus pais, e ela disse que no quer que voc coninue a viagem. Ela vem busc-lo pra lev-lo 
de volta pra casa.
- Mas por qu? indagou o rapaz, parecendo muito abalado.
- Ah, ela vai lhe explicar tudo, respondeu Wesley.
- Foi voc que lhe disse pra vir me buscar?
- No. Eu s liguei pra l e contei o que havia acontecido. Ela falou exatamente o que eu acabo de lhe dizer, comentou ele, dando uma olhada para o relgio. Ela 
deve chegar mais ou menos dentro de uma hora e meia. Se voc quiser, podemos ficar aqui lhe fazendo companhia.
Warner tinha uma expresso de tristeza. Por uma frao de segundo, Selena quase sentiu pena dele.
- Precisa no, disse ele com os olhos baixos. Vocs tm de continuar viajando. No quero atras-los.
- Isso  muito legal de sua parte, comentou Ronny. Muito obrigado.
- Sinto muito que isso tenha lhe acontecido, disse Selena, dando um sorriso leve, porm sincero.
- Todos ns sentimos, acrescentou Amy. Espero que no doa muito.
- Ah, j estou bom, gente. Podem ir!
- Obrigado, Warner, disse Wesley, vamos tirar suas coisas do carro e trazer pra c.
O rapaz fez que sim e acenou para os colegas.
- Vou deixar o carto aqui, disse Selena, abrindo o envelope e colocando o carto ao lado dele, na cama. Cuide-se bem, 't?
Warner fitou-a. A expresso dele era de quem estava mais conformado. Parecia at que havia "crescido" um pouco.
O grupo voltou para o carro e reiniciou a viagem. S depois de rodarem uns trinta quilmetros foi que voltaram a falar de Warner. Pelo visto, durante esse trajeto, 
cada um estava imerso nos prprios pensamentos, como que procurando colocar em ordem as emoes.
- Vocs acham que Deus permite que essas coisas aconteam pra que tiremos algum proveito delas? indagou Vicki. Quero dizer, quem sabe, se com esse brao quebrado, 
o Warner venha a se quebrantar e se tornar um pouco mais humilde? Pode ser que as lies que ele vai aprender com o acidente sejam mais valiosas do que as que aprenderia 
conosco, na viagem!
- Quer dizer, as lies que ns iramos enfiar-lhe "goela abaixo", comentou Selena. Esse  o meu problema. Tenho muita facilidade pra ver os erros dos outros, perceber 
onde eles precisam mudar. E como enxergo claramente essas falhas, acho que eles tambm deviam enxerg-las e procurar corrigir-se imediatamente.
- , interveio Ronny, mas isso at que  bom, Selena. Pelo menos voc demonstra que tem interesse por eles, j que quer que eles melhorem.
- Bom, quando ela no enfia pela "goela abaixo", como ela mesma disse, interps Amy.
Selena olhou para a colega que agora estava sentada no banco da frente, ao lado de Wesley. Amy no se virou para encarar Selena, mas esta sabia exatamente a que 
situao a outra estava se referindo.
- , eu sei, eu sei, concordou ela. Reconheo que minha quota de sabedoria pra lidar com outros no  l muito elevada. , Amy, voc sabe, pois j teve de aguentar 
minha falta de jeito. Mas espero que eu esteja melhorando e aprendendo a ser uma boa amiga.
- Est, desde que no arranje nenhuma corneta! comentou Amy.
Selena ficou tensa. Alguns meses antes, tentara ajudar Amy tocando uma cornetinha de brinquedo, mas acabara cometendo uma tolice. Sua amiga acabara de sair do The 
Beet (um clube para jovens) em companhia de Nathan, seu antigo namorado, e Selena estava seguindo-os. Em dado momento, o rapaz segurou a Amy pelos ombros, e Selena 
pensou que ele a estava agredindo. Para socorrer a colega, tocara uma cornetinha s costas deles, para assustar o Nathan e dar tempo a Amy para que corresse. S 
que esta no estava precisando da ajuda de ningum; e no saiu correndo. Selena ainda no entendia como fizera uma idiotice daquelas.
- Ah, mas pelo menos voc reconhece quando est errada, interveio Vicki. S por ter essa qualidade, j 't sendo uma boa amiga. Eu no sou assim. Tenho medo de que, 
se reconhecer meus erros, os outros vo ficar com raiva de mim ou no vo gostar mais de mim. Ento tenho essa dificuldade.
- Nem sempre, disse Selena.
- , pode ser que de uns meses pra c, depois que fui ao acampamento e acertei minha vida com Deus, isso tenha mudado. Mas antes, eu nunca admitia meus erros. No 
 mesmo, Amy?
- Sei no, replicou a outra. Me deixe fora disso.
- Mas  verdade, sim, insistiu Vicki. Bom, mas isso j  passado, e Deus me perdoou tudo, n?
- , replicou Selena, vendo que ningum dissera nada.
- Ns temos e de deixar tudo pra trs e seguir em frente, continuou Vicki. Seguir com nossa amizade e nosso relacionamento normal, agora que o Warner no 't mais 
conosco. No podemos passar a viagem toda com sentimento de culpa por causa dele.
- Isso mesmo! assentiu Selena.
- Mas parece que 't tudo diferente, n? continuou Vicki. Quero dizer, parece que estamos numa outra viagem, diferente daquela em que ele estava conosco, e o Wesley, 
no.
- 'T querendo dizer que a troca foi boa? indagou Wesley, olhando para a garota pelo retrovisor e dando um sorriso.
- Sem dvida nenhuma, replicou Amy. Vocs vo me desculpar, gente, mas me sinto aliviada por ele no ter vindo. Ele ia nos incomodar o tempo todo.
- Minha impresso  de que est tudo mais tranqilo, comentou Selena. Vocs esto sentindo o mesmo? O ambiente parece mais calmo.
-  porque o Ronny 't dormindo l atrs, explicou Wesley, dando outra espiada pelo retrovisor.
Nesse instante, Ronny comeou a fingir que estava roncando alto.
- No, pessoal, comentou Vicki,  que ele  assim mesmo. Fica mais calado, sempre procurando promover a paz.
- , mas com esse ronco, interps Wesley, no vai ter muita paz comigo, de noite, no.
- Ah, 't bom! disse Selena. Voc ronca mais que isso, Wesley, e tenho provas claras.
- Algum 't com fome, gente? indagou o rapaz. Tenho de abastecer, ento podemos aproveitar pra fazer um lanche!
- No mude de assunto, no, insistiu a garota para "zoar" o irmo.  melhor voc confessar logo, j que aqui estamos todos juntos. Alis, j, j todo mundo vai ficar 
sabendo disso.
- 'T bom, 't bom. Eu ronco feito um serrote. Pronto. Agora todos j sabem.
- O Kevin at gravou o ronco dele no Natal, pra mostrar pra ele como ele ronca.
- , mas ele aumentou o volume do gravador, defendeu rapaz, ligando a seta e pegando a pista da direita.
- Aumentou no, replicou a garota. Voc ronca daquele jeito mesmo.
- Algum tem preferncia por alguma lanchonete, pessoal?
- Qualquer uma, respondeu Vicki, menos Burger King. Ontem  noite fui numa.
- E hoje eu almocei num McDonald's, informou Amy.
- Eu gostaria de comer um sanduche Subway, sugeriu Ronny.
Wesley riu.
- Que turma! Cada um quer uma coisa, hein? Acho melhor a gente chegar ao posto primeiro, pra depois vermos quais as opes que temos l.
Antes que ele pegasse a sada, porm, no painel do carro apareceu uma luzinha vermelha piscando.
- Que estranho! exclamou o rapaz.
- Algum problema? quis saber Selena.
- No sei. Essa luzinha acendeu alguma vez quando voc estava vindo pra c?
- No e eu nunca vi esse alarme acender.
De repente, ouviu-se um silvo e um jato de vapor comeou a escapar do motor, formando uma nuvem no pra-brisa.
- Ei, ei! resmungou Wesley. Segurem-se firmes, crianas, acho que vou ter de parar j. Houston, continuou ele imitando a voz de um astronauta, estamos com problemas!
Selena dirigiu ao irmo um olhar de censura como que querendo dizer:
"Como  que voc pode vir com brincadeiras numa hora dessas?"
O rapaz ligou o limpador de pra-brisa e o esguicho de gua, desembaando a vidraa. Assim pde chegar ao acostamento. Um forte cheiro de pano mofado encheu o ambiente.
- Parece a mangueira do radiador, falou Ronny.
- S pelo cheiro voc sabe dizer qual  o problema? perguntou Vicki.
- s vezes, sei. Quem tem um carro velho, como eu, volta e meia encara algum problema desse tipo, explicou o rapaz, inclinando-se para a frente e tentando enxergar 
l fora atravs da vidraa meio opaca. Parece que ali perto do posto de gasolina tem uma loja de autopeas, disse ele.
- Onde? indagou Wesley ainda rodando bem devagar, enquanto os outros carros passavam por ele a toda velocidade.
Um homem que havia parado atrs dele buzinou com fora e lanou-lhe um olhar irado ao ultrapass-lo.
- Ali,  direita daquele Denny's.
- Ah, j vi.
Quando Wesley j ia ligar a seta para entrar no posto, ouviu-se um barulho alto de pneus derrapando. Selena se virou para trs e viu um enorme caminho que vinha 
na direo deles, em alta velocidade.


Captulo Nove

- Vai bater em ns! gritou Amy.
Selena segurou na lateral do banco, j esperando a batida. Wesley acelerou e virou a van para dirigir-se ao estacionamento da loja. Nesse momento, o caminho os 
ultrapassou, dando uma buzinada forte, e quase esbarrou no carro.
- Foi por pouco! exclamou Vicki, fechando os olhos e pondo a mo no rosto.
- Qual era a daquele cara? indagou Amy.
- Tive a impresso de que ele no estava conseguindo parar, comentou Selena, acompanhando com o olhar o outro veculo.
Ela reparou que ele acelerou para atravessar um sinal amarelo. Logo  frente, havia uma curva. O caminho seguiu rodando at sumir de vista.
- Que motoristas mais loucos, os deste lugar! disse por fim.
- Pois eu at que estou gostando daqui, interps Wesley, desligando o carro e saindo, j que tem uma loja de autopeas aberta.
Os outros o seguiram. De dentro do compartimento do motor do carro, estava saindo uma fumaa espessa. Ali fora, o cheiro de pano mofado estava ainda mais forte.
- Voc no vai abrir, no, n, Wesley? disse Amy. Parece que vai explodir tudo.
- , Ronny, falou o rapaz, acho que voc 't com a razo. Provavelmente  uma mangueira mesmo. Vamos esperar um pouco o negcio esfriar. Depois a gente olha. Garotas, 
querem ir comer algo ali no Denny's?
- Querendo nos mandar embora? indagou Amy em tom de gozao. Tem medo de que fiquemos atrapalhando o conserto?
- No, se quiserem, podem ficar a, replicou o rapaz. Estava s querendo ser gentil com vocs.
- Estou brincando, disse a moa, dando um tapinha no brao dele.
Selena procurou ficar atenta ao que se passava entre eles, sem olh-los diretamente.
- Eu vou comer, disse Vicki. Mais algum quer vir? Vou guardar lugar pra nossa turma l.
Selena resolveu ir junto, e as duas foram atravessando o estacionamento, deixando os outros trs para trs, para solucionarem o problema do carro.
- Vicki, principiou ela, voc acha. que a Amy 't interessada no Wesley? Acha que ela 't demonstrando isso?
- Eu no notei, no, replicou a outra, segurando a porta para a amiga entrar. Acho que ela no 't exagerando suas atenes pra ele, no. Percebe-se que ela tem 
admirao pelo Wesley; sempre teve. Na minha opinio, voc no precisa se preocupar, achando que ela 't passando dos limites, no.
- Duas pessoas? indagou a recepcionista, cumprimentando-as com os cardpios na mo.
- Somos cinco, replicou Selena, e, por favor, queremos uma rea de no-fumantes.
- Ah, o recinto aqui  todo de no-fumantes, explicou a mulher. Na Califrnia,  proibido fumar em todos os restaurantes.
Ela as conduziu a uma mesa ampla.
- Seria bom se houvesse essa lei no Oregon, disse Vicki. Acho horrvel quando a gente 't comendo, e na mesa do lado tem algum fumando. A comida fica com gosto 
de cinza de cigarro.
Selena no estava escutando direito. De onde estava, espiando pela janela, avistava a van. Eles tinham aberto o cap e a fumaa continuava saindo dele. Havia outro 
homem junto com Wesley, Ronny e Amy, todos olhando para o compartimento do motor. Achou que a amiga estava muito perto I seu irmo, fitando-o como se estivesse bebendo 
cada palavra dele.
- Voc acha mesmo que a Amy no vai tentar conquistar o Wesley nesta viagem? No sei se voc 't lembrada, mas naquele passeio que fizemos o ano passado, ela tentou 
e acabou criando uma confuso. Por causa desse interesse dela por ele, nossa amizade ficou meio prejudicada. Eu no queria que isso se repetisse desta vez, concluiu 
Selena.
A garota continuava com o olhar voltado l para fora e no via o que Vicki fazia naquele momento.
- Ser que eles tm peixe aqui? indagou Vicki, correndo os olhos pelo cardpio. Estou com vontade de comer sticks de peixe.
- Sticks de peixe? repetiu Selena, abanando a cabea.
A colega no ouvira nem uma palavra do que ela dissera. Ou talvez tivesse ouvido, mas estava evitando responder.
A garonete anotou o pedido delas e colocou copos de gua sobre a mesa. Selena virou-se novamente para ver o que estava se passando l fora. Wesley, Amy e o outro 
sujeito tinham entrado na loja, e Ronny ficara no carro, remexendo em algo dentro do cap. Pensou em como fora bom que ele tivesse vindo junto, j que tinha muita 
experincia com defeitos em carros. Antes de ele dizer que o problema devia ser na mangueira, Selena tivera receio de que houvesse algo de muito srio, e talvez 
tivesse de cancelar a viagem.
- Sabe de uma coisa, principiou ela no momento em que a garonete trazia uma salada que Vicki pedira. Estou achando timo o Ronny ter vindo. Que bom que voc o convidou!
- Ele tambm achou muito bom que voc o tenha chamado, comentou a outra, pegando uma folha de alface e removendo o tempero cremoso que fora colocado nela.
- E sabe o que mais? continuou Selena. At agora no vi voc com nenhuma atitude diferente com ele.
- Como assim?
- Nesta viagem, voc 't agindo do mesmo modo como age na escola, com outras pessoas ou comigo e com a Amy. Quero dizer, sei que voc tem interesse no Ronny e quer 
que ele lhe d uma ateno especial, mas no 't fazendo nada pra... aqui Selena parou sem saber qual seria a palavra certa.
- Ficar "dando em cima" dele? completou Vicki. Como eu fazia antes?
- No era exatamente essa expresso que eu queria, replicou Selena.
- No, mas  verdade. Agora parei com isso. Se o Ronny me quiser, ter de gostar de mim do jeito que sou na base do 24 por 7.
- 24 por 7? indagou Selena.
- . Do jeito que sou vinte e quatro horas por dia, sete dias s semana. Ah, e por falar nisso, a Amy tambm no 't "dando em cima" de seu irmo, no, se  disso 
que voc 't querendo falar.
- Eu no disse que ela estava.
- Pode crer, Selena, eu entendo desse assunto. E conheo bem a Amy no que diz respeito aos rapazes em que ela tem interesse. Ela 't agindo normalmente. Acho que 
no 't mesmo passando dos limites, como eu j disse.
Nesse momento, a garonete trouxe um hambrguer que Selena pedira e o peixe de Vicki. As duas abaixaram a cabea e oraram silenciosamente. Vendo a amiga orar, e 
se lembrando do que ela acabara de dizer, Selena comeou a pensar que estava agindo como uma irm enxerida e antiptica; e uma pssima amiga. E no desejava absolutamente 
ser assim. Fez um grande esforo para se lembrar do versculo que falava sobre "anular sofismas", mas s se recordou de parte dele. Contudo, isso bastou para que 
despertasse e passasse a fixar a mente em outras questes. Virou-se para um quadrinho em acrlico, que estava sobre a mesa, com a lista das sobremesas.
- Vamos pedir uma sobremesa dessas e dividir entre ns duas? pediu para Vicki, segurando seu hambrguer com as duas mos e apontando para a lista com o dedo mnimo.
- Puxa, Selena, replicou Vicki, voc ainda nem comeou a comer o sanduche e j 't de olho na sobremesa?
Imediatamente a garota deu uma mordida no hambrguer e engoliu.
- Pronto, j comecei. Agora vamos conversar sobre a sobremesa.
Vicki riu e concordou em "rachar" com ela um brownie com sorvete. Afinal, antes que recebessem a sobremesa, Wesley, Ronny e Amy chegaram e se sentaram  mesa com 
elas.
- Pois , disse o irmo de Selena, vamos poder pegar estrada de novo, graas ao Ronny e ao mecnico que veio nos socorrer.
Ronny sorriu, com aquele seu jeito tpico, e deu de ombros.
- ... como eu disse, tenho muita experincia com minha velha caminhonete, muita mesmo. 
Com um jeito brincalho, Selena pegou a mo direita do rapaz e a ergueu.
- E o que a experincia diz com relao a comer coma mo suja?
Na mesma hora, Wesley olhou para as dele tambm. Meio sem graa, os dois rapazes saram da mesa e foram ao sanitrio.
- Quer saber a verdade? interveio Amy. Embora sua mo no esteja suja de graxa, nela tem a mesma quantidade de bactria que h na deles.
- Muito obrigada! replicou Selena. E voc vem nos dizer isso agora, que j acabamos de comer.
- Bom, eu comi de garfo e faca, defendeu-se Vicki, que nesse momento estava devorando o brownie com sorvete.
- Vou pedir um brownie tambm, disse Amy, fechando o cardpio e colocando-o na mesa.
- S isso? quis saber Selena.
- E uma tigela de sopa, explicou a garota. Isso  que  refeio bem balanceada, hein?
- Ah, que  isso? interps Vicki. No d pra gente se preocupar em fazer refeies saudveis numa viagem. Ou mesmo depois que entrarmos para a faculdade.* Minha 
prima disse que, no primeiro semestre da faculdade, ela engordou quase cinco quilos. S comia em lanchonete e gastou um dinheiro.
De repente, Selena se deu conta de que assim que fosse estudar fora, da a alguns meses, ela tambm estaria cuidando pessoalmente de sua alimentao, pelo menos 
quando no almoasse na cantina da faculdade. No lhe agradou nem um pouco a possibilidade de engordar quase cinco quilos no primeiro semestre.
- Acho que vamos ter de vigiar, disse ela, e prestar contas umas s outras. , e o pior,  que estou dizendo isso e ao mesmo tempo comendo essa sobremesa engordante.
Quando Vicki e Selena estavam terminando a sobremesa, Wesley e Ronny retornaram e fizeram o pedido  garonete. Ento a conversa se generalizou, e Selena procurou 
participar dela com alegria. Contudo estava se sentindo um pouco apreensiva. Nesse momento, tinha conscincia de que a idia de ir estudar fora a incomodava bastante, 
embaando um pouco o prazer desta viagem de carro para a Califrnia. O futuro lhe reservava muitas responsabilidades e situaes desconhecidas, das quais ela nunca 
tivera experincia. 
Quando regressavam ao carro, Wesley indagou:
- Quer dirigir um pouco, Selena? Eu queria ir para o ltimo banco e tirar um cochilo.
Isso a deixou um pouco mais tensa. Sentiu-se bastante nervosa.
- Tudo bem. Dirijo. Pra que lado vamos?
- Para o Sul,  claro, disse o irmo com um sorriso, entregando-lhe a chave do veculo. Eu vou orient-la aqui na sada, pra voltar  estrada. Depois  s continuar 
seguindo para o Sul.
Ronny sentou-se no banco da frente, ao lado dela.
- Se ficar com sono, disse ele, posso pegar o volante pra voc.
- Obrigada, Ronny. Prefiro que voc me mantenha acordada, o.k.?
Wesley foi orientando a irm sobre a sada at que chegaram  rodovia. Em seguida, deitou-se no ltimo banco. O trfego no estava muito intenso. Eles iam conversando 
animadamente, e volta e meia Selena dava uma espiada no painel do carro para ver se havia alguma luzinha vermelha.
- Algum tem idia de onde estamos? indagou ela a certa altura.
- Tem um mapa por aqui? perguntou Ronny, apalpando embaixo do seu assento. Bom, temos aqui semente de girassol, anunciou ele, exibindo um pacotinho que estava envolto 
por uma gominha. Algum quer?
- No, obrigada, disse Vicki. Estou tentando reduzir os alimentos saudveis nesta viagem, concluiu a garota em tom de gozao.
- Temos uma lanterna de mo, continuou o rapaz, mostrando o objeto. Esta pode ser bastante til.
Afinal ele encontrou um mapa no exato momento em que passavam por uma placa indicando o nome da cidade seguinte.
- Weed, prxima sada, leu Selena.
- Weed? indagou Vicki, rindo. Como ser que  essa cidade?
- No tenho a menor idia, replicou Selena. Ronny, d uma olhada no mapa pra ns. Veja a se eu no fiz algo errado e agora ns estamos no meio de Idaho.
- Creio que em Idaho no existe cidade chamada Weed.
- Procure no mapa.
 O rapaz acendeu a lanterna e se ps a examinar o desenho.
- Achei, disse afinal. Weed.  na Califrnia, sim. Voc no fez nada errado, Selena. Ainda estamos no Estado certo, concluiu ele com um tom de riso.
 A garota pensou que talvez o amigo tivesse percebido que ela estava tensa, e procurara faz-la rir para que relaxasse um pouco. Segurou o volante com firmeza, bem 
consciente de que, mais uma vez, se achava no comando da situao e que a vida de todos dependia dela. Contudo no estava "curtindo" nem um pouco a circunstncia 
que vivia naquele momento: com a responsabilidade de tudo e seguindo para um rumo desconhecido.


Captulo Dez

Continuando a rodar noite adentro, Selena sentiu os ombros meio doloridos pela tenso. L fora, estava se formando uma neblina, e os faris dos carros que vinham 
em sentido contrrio a incomodavam.
- Pelo que diz o mapa, informou Ronny, estamos passando perto do Monte Shasta. Sabia que ele tem quase cinco mil metros de altitude?
- , no da pra ver nada, disse Vicki, inclinando-se para diante, tentando enxergar algo atravs do pra-brisa, como Selena e Ronny. Est completamente nublado. 
Ser que vai chover?
- Espero que no, replicou Selena. Estou com esperana de que tenhamos cu claro e muito sol nesta viagem o tempo todo.
- Sabe o que mais? principiou Ronny. Isso  igual a seguir a Deus.
As duas garotas ficaram aguardando que ele prosseguisse: Ronny tinha o temperamento introspectivo de um artista. Por causa disso, passava um bom tempo calado e depois, 
de repente, soltava um pensamento sbio. Parecia que ele estava sempre pensando, colhendo as informaes e processando-as. Afinal, aparentemente, acendia-se uma 
luzinha na cabea dele, e o rapaz expressava uma verdade importante.
- Olhe s, disse ele afinal. Estamos no escuro, com o cu todo nublado e rodando a toda velocidade. L fora tem um monte altssimo , s que no o estamos enxergando.
- E voc acha que a vontade de Deus  mais ou menos assim? indagou Vicki.
- , porque s vezes... e aqui ele fez uma pausa para dar mais nfase ao que dizia. s vezes a gente tem de seguir em frente pela f, sem ver nada do que est l 
fora.
Selena se sentia to nervosa que teve vontade de dizer ao rapaz que ele estava era "por fora". Contudo no disse. Guardou o pensamento rebelde s para si.
- Deus no diz que a Palavra dele  uma lmpada para nossos ps e luz para o nosso caminho? continuou ele. Pois bem,  o que est acontecendo conosco agora. S conseguimos 
enxergar alguns metros  nossa frente, com a luz alta do carro. No estamos conseguindo ver aonde vamos chegar, nem mesmo algumas das placas de sinalizao que esto 
na estrada. Enxergamos apenas o que se acha bem perto.
- Puxa, Ronny, isso  muito importante! exclamou Vicki.
Selena no achou a explicao do amigo assim to interessante, mas tambm, ela no estava "curtindo" o rapaz, como a amiga estava. Desejou que Amy no estivesse 
dormindo para poder ouvir o que diziam. Ela era a que mais precisava entender esses pensamentos sobre a vontade de Deus. De repente ouviu-se um rudo surdo de ronco, 
vindo do banco de trs.
- Que foi que eu disse? perguntou Selena.
-  o seu irmo? indagou Vicki. Ser que o silencioso no quebrou ou algo assim? Nunca vi ningum roncar desse jeito!
- Pois pode ir se acostumando. Vai ouvir esse ronco muitas vezes nos prximos dias.
- Eu vejo tudo isso da seguinte maneira, continuou Ronny, sem ligar para o ronco de Wesley. Quero dizer, sobre a vontade de Deus.
 Aqui ele pegou um canudinho dentro de uma lata de refrigerante vazia, que estava no lixo, e o ergueu mostrando-o s garotas.
- Este canudinho, disse, representa o tempo, desde o incio da criao at o fim. Ns nos achamos inseridos nele, e por isso nossa viso  limitada. Mas Deus, continuou 
Ronny, inclinando a cabea para um lado ligeiramente e dando um sorriso para Selena, Deus no se acha. limitado ao tempo, como ns. Ele se encontra totalmente fora 
dele.
- Ah, interps Vicki, voc cr que Deus v tudo. Ento ele sabe tudo o que vai acontecer, antes de acontecer.  isso? 
- ;  o que creio, afirmou o rapaz. Ele se acha "fora" dos fatos e acontecimentos. Ele no tem nenhuma restrio ou limite, como ns temos. Creio que no mesmo momento 
em que Deus foi caminhar com Ado e Eva, no jardim do den, ele tambm est conosco aqui, neste segundo, num carro, na Califrnia.
 Selena sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Era assombroso imaginar que Deus estava com eles ali agora, da mesma forma que estivera com Ado e Eva. Bem l 
no fundo, sentia algo se acalmar.
 Deus, pensou, t ests mesmo aqui conosco, no ests? Tu ests no controle de tudo!
- Ento, disse Vicki, voc acha que, como ele v tudo antes da hora, ele j sabia que Warner ia quebrar o brao?
- Acho, afirmou o rapaz, recolocando o canudinho no lixo. Mas no creio que ele tenha mandado um anjo pra pisar no freio e forar o acidente, no. Ns sofremos muitos 
males porque resolvemos seguir nossa vontade e no buscamos ouvir o que o Senhor quer nos dizer.
- Sabe o que mais, Ronny? falou Vicki. Voc devia compor um corinho falando tudo isso. No acha, no? Daria um hino maravilhoso!
- Boa idia! D pra voc pegar meu violo a atrs pra mim, sem acordar o Wesley?
- Creio que sim.
E nas duas horas seguintes, Ronny ficou tocando acordes no instrumento, enquanto Selena dirigia, Amy dormia, Wesley roncava, e Vicki ia escrevendo as frases soltas 
que o rapaz compunha.
Senhor, neste momento s tenho
A luz alta do farol do carro
Para dirigir meus passos em teus caminhos.
As trevas escondem dos meus olhos as tuas maravilhas.
Envia,  Deus, a luz do dia!
Ser que teu rosto se acha por trs daquela nuvem?
Quero saber, preciso te ver.
Fora do tempo, dentro do meu corao, 
S quero a ti, Senhor, sempre, Senhor!

Vai ser um hino lindo! exclamou Vicki.
- Ah, isto  apenas um esboo, comentou Ronny, voltando a dedilhar o violo.
Ouvindo a msica suave de Ronny e aquelas palavras positivas, Selena sentiu que comeava a se acalmar. E, para surpresa sua, nos momentos que se seguiram, experimentou 
uma forte sensao de paz, como havia muito tempo no sentia. E no parava de pensar em como Deus se achava bem ali, junto com eles.
Afinal tiveram de parar novamente para abastecer. J estavam perto da cidade de Sacramento. Era noite alta, mas Selena no sentia mais medo.
Wesley acordou, sentindo-se descansado, e agradeceu  irm. No fora sua inteno deixar que ela dirigisse tanto tempo. Quando pegaram a estrada de novo, com o rapaz 
ao volante, foi a vez de Selena ir se sentar no banco de trs, que Vicki apelidara de "cantinho do ronco". A garota dormiu profundamente at que pararam novamente, 
dessa vez num estacionamento bastante barulhento. A ela despertou e abriu os olhos, sentindo os msculos doloridos. Ergueu a cabea e olhou para fora. Descobriu 
a razo por que o irmo parara ali.
- Lanchonete In and Out Burger! exclamou ele. Vamos sair, pessoal!
Selena bocejou e procurou descolar os olhos que estavam grudados nos cantinhos.
- Que horas so? indagou.
- Hora de comer um hambrguer duplo com um milk-shake, respondeu o irmo.
Aquela rede de lanchonetes ainda no tinha filiais em Portland. Contudo, desde que Wesley comeara a conversar sobre a viagem, ele dissera que iria parar em todas 
as In and Out Burger por que passassem. Pelo visto, aquela era a primeira. Isso significava que finalmente se achavam no sul da Califrnia, j que era o nico lugar 
do pas onde a rede atuava.
Pelo brilho do Sol e pelo calor que entravam pela janela, Selena se deu conta de que j era dia alto. As nuvens que cercavam o Monte Shasta tinham ficado por l 
mesmo.
Enquanto os outros desembarcavam, ansiosos para comer algo, a garota pegou a mochila e saiu tambm. Com mais um bocejo, trancou a porta do carro e acompanhou-os. 
Dentro do restaurante, a fila estava longa. Olhou o amplo cardpio estampado no alto, bem acima da caixa registradora. Constatou que ali s serviam hambrgueres, 
batatas fritas, refrigerantes e milk-shakes.
- Quer que eu pea pra voc? indagou Wesley  irm.
- Quero. Preciso ir ao banheiro.
- O que vai querer?
Selena torceu um pouco os lbios dando um meio sorriso e disse:
- Sticks de peixe.
- Qu?
- Ah, deixa pra l. Pede o que quiser.
O rapaz abanou a cabea. Selena no viu as amigas na fila e deduziu que deviam ter ido ao sanitrio.
- Que bom que no banheiro no tem fila, resmungou a garota, abrindo a porta.
Avistou as duas em frente ao espelho.
- Estou com aparncia de viajante mesmo, comentou Amy. Olhe s o meu cabelo.
Vicki, porm, no estava reclamando de nada. Em vez de perder tempo com lamentaes, ela se ps a arrumar-se. Tirou da mochila os artigos de uso pessoal: escova 
de dentes, uma toalha pequena e a bolsinha de maquiagem. Ela trouxera at uma camiseta limpa que vestiu rapidamente, depois de haver lavado o rosto e molhado a parte 
da frente do cabelo. Com trs minutos, estava pronta e arrumada.
- Ah, isso no 't certo! exclamou Amy, olhando-a atentamente. Voc fica maravilhosa s com uma pia e uma ajeitada no cabelo! Eu preciso de no mnimo uma hora e 
uma boa chuveirada!
- Vocs querem algo emprestado? indagou Vicki, estendendo-lhes a mochila que estava cheia.
A pele dela estava impecvel; os olhos, claros e brilhantes. O cabelo, castanho e sedoso, achava-se penteado para trs, bem ajeitado, preso por um passador. A garota 
estava at perfumada.
- Pode nos dar tudo! respondeu Selena.
- , concordou Amy. E fala com aqueles caras que s vamos voltar daqui a uma hora. Eu tambm gostaria de trocar de roupa agora. S que minhas coisas esto todas 
amarradas l no bagageiro da van. Duvido que Wesley queira tirar tudo pra eu pegar uma camiseta.
- Tem outra a que voc pode vestir, se quiser, informou Vicki. 'T no fundo.  branca.
- S tem uma? indagou Selena meio desapontada.
Ela achava que sua cala jeans estava o.k.. Mas a blusa azul-clara, que vestira no dia anterior, pela manh, achava-se bem amarrotada. Ademais sujara-se com chocolate, 
e ela no estava nem um pouco apresentvel.
- Sinto muito, replicou Vicki. S tem uma.
Ela se virou para sair e quase esbarrou em uma senhora que entrava apressadamente, acompanhada de duas garotinhas.
- Vou dizer pra eles que vocs viro j, concluiu saindo.
- , mas no iremos logo, logo, no, replicou Amy.
Em seguida, comeou a retirar os objetos da mochila da colega e a pass-los a Selena.
- No adianta, continuou Amy. No vamos conseguir fazer essa transformao mgica que Vicki consegue.
- Pra mim, comentou Selena, lavar o rosto j 't bom. Ser que ela tem um passador grande a? 'T fazendo calor, n? Quero prender o cabelo e afast-lo da nuca.
As duas garotas de fato fizeram uma tentativa de se ajeitarem um pouco. E ficaram a reanimar uma a outra, dizendo como a aparncia delas estava melhorando. S que 
o cabelo de Amy, que era escuro e bem curto, insistia em continuar meio espetado atrs, apesar de ela hav-lo molhado bem. E os olhos de Selena ainda estavam avermelhados, 
sinal de que os forara muito durante a noite, quando estivera dirigindo.
- Desisto, disse Amy afinal.
Fechou o zper da mochila de Vicki, colocou-a ao ombro, e as duas saram do banheiro. Logo avistaram Wesley, Ronny e Vicki que acenaram para elas. Achavam-se no 
canto esquerdo do salo, numa rea reservada.  mesa, viam-se cinco bandejas com hambrgueres e batatas fritas. Os refrigerantes estavam em copos descartveis, tamanho 
grande, brancos com listras vermelhas. Selena pegou um dos copos e examinou-o atentamente.
- Olhe s estes desenhos de palmeiras no meio das listras! exclamou. Que gracinha!
- Tpico da Califrnia! acrescentou Amy, tambm admirando o copo.
- Olhe embaixo dele, disse Wesley.
Os quatro levantaram cada um o seu para ver o que havia ali, procurando talvez algum brinde.
- Oh, que legal! exclamou Ronny, o primeiro a descobrir o segredo.
-  Joo 3.16! disse Selena, examinando o dela bem de perto. Legal demais!
- E vocs repararam como a batata 't fresquinha? Indagou Ronny, pegando um punhado delas. Tem um cara l dentro que fica s picando as batatas numa mquina e jogando-as 
na panela pra fritar. Comam pra vocs verem!
- Vamos comer, gente, interps Vicki, tambm se servindo de um punhado de fritas, seno o Ronny acaba com tudo.
Depois que todos j haviam lanchado bem, concordaram que Wesley tinha razo quando dissera que, para "curtir" bem a Califrnia, tinham de lanchar no In and Out Burger. 
O nico problema era que todos reclamavam de que haviam comido demais. Achavam que os cintos de segurana nem iam caber neles.
Selena acomodou-se no banco do meio, junto  janela, com Amy do seu lado. Vicki agora ia na frente, e Ronny, no ltimo banco, no "cantinho do ronco". Minutos depois, 
achavam-se de volta  rodovia, com as vidraas abaixadas, sentindo a brisa quente a circular no interior do carro.
- Posso ligar o rdio e procurar uma estao legal, gente? indagou Vicki.
- Espere um pouco, replicou Selena. Antes quero fazer uma pergunta para o meu amado irmo aqui. Onde  que estamos? Pra onde vamos e quando chegaremos l?
- Estamos perto de Bakersfield. Nossa primeira parada  na Escola Bblica Valencia Hills. E vamos chegar l dentro de uma hora mais ou menos, dependendo de como 
estiver o trnsito em Grapevine.
- Agora sou eu que tenho uma pergunta, interveio Amy. Vai dar pra gente tomar um banho antes de chegar l?
Wesley soltou uma risada.
- Estou falando srio, insistiu a garota.
Wesley deu uma olhada na direo de Vicki e olhou-a rapidamente.
- Por qu? indagou ele. Vocs esto timas! Ser que estou com algum cheiro?
- No, replicou Amy, mas acho que eu estou.
- Ah, que nada! interps Wesley. Voc 't bem. Alm disso, vocs  que tm interesse em avaliar a escola, e no eles em avali-las.
- Oh, muito obrigada! disse Amy em tom irnico.
- No, continuou o rapaz, dando uma espiada para ela pelo retrovisor, eu no disse isso com sentido depreciativo. Quis dizer que voc 't tima! Assim, do jeito 
como 't, voc 't com aparncia excelente!
Ouvindo aquilo, Amy deu um sorriso leve, ligeiramente significativo. Selena ficou a pensar em como ela interpretara o comentrio dele. Uma luzinha vermelha se acendeu 
dentro dela.
Ser que meu irmo estava dizendo galanteios pra Amy? pensou.


Captulo Onze

- Posso procurar uma rdio agora? indagou Vicki.
- Pode, Vicki, vai, respondeu Wesley. Mas assim que comearmos a subir a Grapevine vai ficar difcil. Voc s vai achar uma estao boa depois que descermos pra 
baixada de Los Angeles.
-  isso a que  a Grapevine? indagou Selena.
A garota notou que a estrada larga ia atravessando uma maravilhosa sucesso de serras. E a paisagem se tornava ainda mais impressionante porque a longa rodovia naquele 
trecho era plana e reta. Olhou para trs e pensou que o vale que haviam acabado de atravessar era muito belo, mas tinha uma beleza triste. Era estranho saber que 
aquela regio, de terrenos muito planos, toda dividida em fazendas, era a ltima parte da Califrnia ainda no urbanizada. Sabia que assim que sassem da Grapevine, 
e entrassem no Vale San Fernando, veriam uma sucesso de cidades; e s cidades. Era assim dali at a fronteira com o Mxico.
- Me d o mapa a, pediu. Quero ver onde estamos.
Assim que encontrou a linha vermelha, marcada com o nome de "Rodovia 5", comentou:
- No sei por que chamam isso de Grapevine. Ela  toda reta! *
- Talvez a estrada original tivesse muitas curvas, disse Wesley. Depois eles foram fazendo reformas, e ela ficou mais reta.
- Vamos passar pelo Parque Nacional de Los Padres, informou Selena ainda examinando o mapa.  nossa esquerda fica o Monte Fraiser, que tem cerca de trs mil metros 
de altitude.  nossa direita, est o Sawtooth, que tem mais de dois mil metros.
Aqui ela se deu conta de que estava parecendo um guia turstico e ento concluiu:
- Regressando ao hotel, teremos postais  venda por preos especiais.
- Ns vamos a Santa Brbara? quis saber Amy.
- No, informou Wesley. Santa Brbara fica no litoral do outro lado do planalto.
- Era o Drake que queria ir l, lembrou Vicki.
-  mesmo, concordou Amy. Ento onde ficam as faculdades que vamos visitar?
Selena pegou a lista de escolas e, em seguida, ela e Amy se puseram a procurar no mapa as cidades de cada uma. Nesse momento, estavam numa subida longa, e Vicki 
se ps a procurar uma estao no rdio do carro. De repente deu com uma, num volume muito alto. Algum cantava uma msica em espanhol. Tentou outra, mas s encontrou 
estalidos e rudos tpicos de rdio.
- Ah, desisto, disse afinal. Oh, gente, olha que lindas essas colinas!
Selena, que estivera olhando o mapa, ergueu a cabea e ficou encantada com a paisagem. As encostas das colinas estavam cobertas de papoulas silvestres, at onde 
a vista alcanava. E as flores, com suas ptalas de cor laranja-vivo, se moviam  brisa, como que acenando para os viajantes.
- Que lindo! exclamou ela.
Ronny, que estivera muito quieto, ali no "cantinho do ronco", como que despertou ao olhar para as flores.
- Uau! disse ele. Parece que um gigante comeu um pacote inteiro de chips sabor queijo e depois limpou as mos a nessas colinas.
Selena riu.
- Voc inventa frases to interessantes, Ronny! comentou.
- , ajuntou Amy em tom de gozao, principalmente quando tem a ver com comida.
Quando haviam parado na In and Out Burger, o rapaz ficara com metade do hambrguer de Amy, pois ela no conseguira com-lo todo. Alm disso, ele devorara o que sobrara 
das batatas fritas de quase todos eles.
- Cada um recebe inspirao num tipo de situao, replicou ele.
Depois de dizer isso, voltou a deitar-se no banco e se ps a cantarolar baixinho para si mesmo.
E continuava cantarolando quando eles chegaram  Escola Bblica Valencia Hills, e deram uma volta pelo campus para conhecer a faculdade. Selena pensou que ele lembrava 
um msico meio desligado, tentando "encontrar" a melodia para uma cano que estava compondo.
Afinal os cinco saram do prdio central da escola e se dirigiram para o estacionamento. A certa altura, Selena deu mais uma olhada pelo lugar. Tentou imaginar-se 
estudando ali. Sentia-se bem naquele ambiente. Gostara do jeito dos dormitrios. Os quartos dos alunos eram sutes e tinham uma sala de estar em comum. Os estudantes 
que viram ali lhe pareceram bastante amistosos. Dois deles haviam cumprimentado a garota e seu grupo. Outro detalhe que ela estava apreciando muito tambm era o 
clima: quente. Teve at vontade de estar de bermuda em vez de cala jeans.
O de que Amy mais gostara ali fora do orientador que os guiara, na volta que deram pelas dependncias da escola.
- Jonathan, disse ela para Selena quando as duas voltavam para o carro, caminhando  frente dos outros. Que nome imponente! Jonathan. Passa a imagem de homem forte. 
Voc reparou a tatuagem que ele tinha no polegar?
- No era tatuagem, no, retrucou Selena. Era uma marca de nascena.
- Era no, insistiu Amy.
- Ento era uma tatuagem muito esquisita, apenas uma mancha marrom.
Amy abanou a cabea.
- Era um desenho de um urso, ou algo assim, afirmou.
Ela pegou na maaneta da van para abrir a porta, mas estava trancada. Wesley estava com a chave. Havia se esquecido disso. Continuou a mexer nela distraidamente, 
e de repente o alarme do carro disparou. Ela deu um grito e afastou-se dele. Selena olhou para trs, para ver se Wesley j estava chegando. Bastaria que ele apertasse 
uma tecla no chaveiro, mesmo  distncia, e aquela barulhada cessaria. Contudo seu irmo havia sumido. E tambm no se via nem sinal de Vicki e Ronny.
- Aonde ser que eles foram? gritou Amy tapando os ouvidos.
- Sei l. Eles estavam vindo atrs de ns.
Nesse instante, um carro vermelho, de tamanho mdio, ia passando. Nele estavam dois estudantes. Eles pararam e olharam para Amy e Selena. No bagageiro do veculo, 
via-se uma prancha de windsurfe a vela.
- Algum problema a? indagou o que estava ao volante. 
O rapaz tinha o cabelo bem louro e curto, a pele queimada de Sol e um sorriso muito simptico. Estendeu o brao esquerdo para fora da janela. Pela musculatura forte, 
dava para perceber que usava aquele equipamento esportivo.
Imediatamente, Amy tirou as mos dos ouvidos e aproximou-se deles.
- O alarme disparou acidentalmente, explicou ela, falando alto e inclinando-se para o motorista. A chave est com o Wesley, mas ele deve chegar j.
Selena ficou admirada ao ver como a amiga era capaz de iniciar uma conversa tranquila e amistosa com qualquer rapaz, em qualquer lugar.
- Ah, o Wesley Lengerfield? indagou o outro tambm berrando.
- No, Wesley Jensen. Ele no estuda aqui, no.
- Ah, mas voc estuda, n?
- No, replicou a garota sorrindo.
Selena ficou a observ-la. Ser que sua amiga engraadinha, com aquele cabelo meio espetado atrs, iria confessar que ainda no terminara o segundo grau?
- Vocs querem uma carona at o prdio central pra procurar o Wesley? ofereceu o rapaz.
- Claro, replicou Amy.
- Acho melhor a gente ficar por aqui mesmo, interveio Selena, chegando perto do carro.
O estudante que se encontrava no assento do passageiro inclinou-se para diante a fim de dar uma espiada nela e sorriu para a garota. Tambm era outro atleta forte, 
com um fsico de salva-vidas.
- Tem certeza? indagou ele.
- Tenho. Eu...
Antes que ela pudesse concluir a sentena, o estridente barulho cessou. A garota se virou ligeiramente para o lado e viu que Wesley vinha correndo na direo deles. 
Ainda estava com o chaveiro apontado para o carro.
- Esse deve ser o Wesley, comentou o estudante ao volante.
Amy sorriu, acenando que sim. Selena fez o mesmo. As duas ficaram sorrindo e acenando.
- Ento a gente se v por a, replicou o rapaz com um aceno, engatando a primeira marcha. At mais!
E foram saindo.
- Ah, sua espertinha! exclamou Selena, dando um tapinha no brao da Amy.
- Eu? espertinha? replicou a garota com os olhos brilhando. Se no me engano, voc tambm ficou bem interessada!
E as duas deram uma risadinha.
- , principiou Selena, a gente tem de reconhecer que eles so uns belos representantes dessa raa criada por Deus, no so?
Amy fitou-a com ar srio. Selena compreendeu que a outra se perturbara porque ela falara sobre Deus.
- Ei, disse explicando-se, s estou dando glria a quem temos de dar toda a glria!
- Que foi que aconteceu? indagou Vicki, que chegara correndo. Algum tentou arrombar a van? Aqui? Numa escola bblica?
- No, replicou Selena prontamente. A Amy estava demonstrando a ttica que ela emprega pra se travar conhecimento com rapazes numa faculdade! E voc precisava ver 
que rapazes!
- E a minha ttica parece que funcionou muito bem! comentou a outra caindo na risada, levando Selena a rir tambm.
- , suspirou Vicki, parece que perdi alguma coisa.
- E como! concordou Selena.
- Eu s sei, disse Amy, entrando no carro e sentando-se no banco da frente, que por mim, j podemos voltar pra casa. J sei em que faculdade vou estudar no prximo 
ano.
Selena riu de novo.
- No prximo ano? indagou. Achei que ia querer comear j nas frias. Talvez haja a um curso de windsurfe no vero. Voc tem muito interesse nesse esporte, no 
tem?
- Tenho, replicou Amy rindo mais ainda. Agora tenho.
- O que  que 't se passando com essas duas? Perguntou Wesley.
Ele tambm entrou e fechou a porta. Contudo, em vez de enfiar a chave na ignio e dar partida no carro, virou-se para trs e encarou o grupo. Selena sentou-se no 
banco do meio, junto  janela. Sentia-se mais tranquila, ouvindo Amy falar abertamente sobre os rapazes com quem haviam conversado, na presena de Wesley. Ou ser 
que isso no passava de uma ttica para demonstrar ao seu irmo que alguns rapazes tinham demonstrado "interesse em avali-la"?
- Ns vamos ter de fazer uma escolha agora, disse Wesley.
- Que escolha que nada, interveio Amy. Eu fico com o motorista, disse e caiu na risada de novo, no que foi seguida por Selena.
- , principiou Vicki, acho que a falta do sono 't comeando a nos prejudicar. Olha s, hein! Mais uns minutos, e a Amy vai perder o controle. Quando ela ri demais, 
solta um ronco.
- Ronco no! protestou a outra procurando ficar sria.
Ela fazia fora para conter o riso, mas seus ombros tremiam ligeiramente.
- Ronca, sim, Amy, concordou Selena. E voc sabe disso muito bem.
Wesley dirigiu um olhar de compreenso para a garota.
- No se incomode, no, Amy, disse ele. Eles dizem que eu ronco tambm.
- E  verdade! retrucou ela. Ontem  noite, escutei voc roncando, quando estava dormindo no "cantinho do ronco".
- Ns todos escutamos! interps Selena.
- Ah, ? E podem me ouvir agora? Temos de tomar uma deciso, ento me escutem.
Amy reprimiu suas risadinhas.
- Eu disse aos meus amigos, onde vamos dormir, que s chegaramos na casa deles bem tarde.  que pensei que levaramos mais tempo pra visitar essa escola. Mas vocs 
disseram que j viram tudo que queriam.
Selena fez que sim e observou que os outros fizeram o mesmo. O campus no era muito grande, e nenhum deles quis aceitar a sugesto de Jonathan para que assistissem 
a uma das aulas de doutrina. Alm disso, haviam pegado panfletos que continham todas as informaes de que precisariam, a respeito das aulas e da matrcula. Portanto 
poderiam seguir em frente. Wesley consultou seu relgio.
- So 4:05h. Poderamos fazer duas coisas. Ir  Hollywood...
- ! Vamos! exclamou Amy.
- Mas a gente pegaria um trnsito congestionado o tempo todo. E pra ser sincero, Amy, acho que voc vai ficar decepcionada com Hollywood na "vida real". Pra falar 
a verdade, de interessante, s tem o Teatro Grauman, onde h as palmas das mos dos artistas gravadas em cimento. O resto  s uma rua lotada de gente, com prdios 
velhos, umas lojas de suvenir bem fraquinhas e muito mendigo.
- Quando foi que voc esteve aqui? quis saber Selena.
- Mais ou menos um ano atrs. Vim com o Ryan. Deixe-me terminar o que quero dizer. Podemos ir a Los Angeles, como eu disse, ou seguir um pouco mais em frente e ir 
ao Montanha Mgica, concluiu ele com um sorriso significativo, dando a entender que sua escolha seria pela ultima opo.
- Montanha Mgica! gritou Ronny de seu lugar, no banco de trs.
- E a Amy tem cupons de desconto! anunciou Vicki.
- Pra mim est timo, disse Selena.
Todos olharam para Amy.
- Eu no ando na montanha-russa, informou a garota. Vou ficar sozinha l embaixo?
- Vai! replicaram todos em coro.
- 'T bom, concordou ela afinal. Vou me sentir abandonada! Mas pra me consolar, fico comendo algodo doce sentada num banquinho, esperando vocs.
- Ou ento pode se animar e ir dar uma volta na montanha-russa, interps Ronny.
Wesley retomou a estrada, enquanto os outros quatro se agitavam procurando os cupons ou olhando o mapa para ver que direo seguiriam.
- A sada  logo a adiante, informou Selena. O guia diz que  pra pegar a sada que diz "Parque Montanha Mgica", e pouco depois a gente chega l.
- , disse Wesley, d pra v-lo da estrada.
- Sabe o que mais, pessoal? disse Vicki, olhando para os cupons da Amy. Foi timo termos decidido ir l hoje, pois esses cupons s valem para os dias da semana. 
Se vissemos no final de semana, no poderamos us-los. Ah, vai ser legal demais!
Selena concordou com ela. Nunca estivera nesse parque, e hoje estava com vontade de se extravasar um pouco e se divertir a valer.
- Eu preferiria ter tomado um bom banho, insistiu Amy. Aqui 't bem mais quente do que em Portland. Ser que nenhum de vocs 't assim um pouco suado, no?
- Esquenta no, interps Wesley. Tem uma atrao nesse parque que pode deix-la bem fresquinha, mesmo que no d uma volta nela.
- O que voc 't querendo dizer com isso? quis saber a garota.
- Agora no posso dizer nada. Mas daqui a pouco vou lhe mostrar, replicou ele, entrando em um estacionamento enorme.
O lugar no estava muito cheio. E Selena entendeu que era melhor mesmo terem ido numa quinta-feira, do que sbado.
- Algum vai levar agasalho? indagou ela.
Nesse momento, sentia calor, como Amy, mas sabia que, depois que o Sol baixasse, poderia esfriar um pouco.
-  uma boa idia, comentou Wesley. Depois que entrarmos no parque, no vou querer voltar at aqui pra pegar um.
Afinal, todos pegaram um agasalho, o dinheiro e os cupons da Amy. E os cinco amigos se dirigiram para o porto do parque, rindo e fazendo graa o tempo todo.


Captulo Doze

- Ol, amigos! Como vo vocs? Os cinco esto juntos? indagou um rapaz vestido com o uniforme do parque.
Ele se achava postado logo  entrada, com outros funcionrios do Parque Montanha Mgica Six Flaggs, prontos para fotografar todos que chegassem.
- Se quiserem se ajuntar mais, posso tirar uma foto do grupo, prosseguiu ele.
- Claro, replicou Vicki, respondendo por todos.
Imediatamente a garota fez pose, olhando para a mquina e passando um brao nos ombros de Ronny. Selena fitou o rapaz para ver a reao dele. Apesar de o bon dele 
encobrir-lhe o rosto, deu para perceber que ele s ficara surpreso, pelo fato de Vicki se apoiar nele. No parecia aborrecido. Selena passou o brao pelo do irmo 
e Amy fez o mesmo no outro lado. Vicki aproximou-se mais de Amy e passou seu outro brao pelos ombros da amiga.
- Excelente! disse o fotgrafo, batendo logo a chapa enquanto eles se achavam reunidos. Aqui est o comprovante, continuou         ele. Se quiserem uma cpia da 
foto, apresentem isto no centro fotogrfico. Depois, quando estiverem indo embora, podem vir pegar o retrato.
- Eu vou querer uma, com certeza, afirmou Vicki.
- Tambm vou, disse Selena.
- E eu tambm, ajuntou Amy.
Em seguida as trs olharam para o Ronny.
- Tudo bem! falou ele, dando de ombros.
- E eu, quando quiser relembrar o passeio, dou uma espiada no da Selena, comentou Wesley, caminhando em direo ao centro fotogrfico.
Ouvindo-o dizer isso, Selena foi levada a pensar em como seu irmo estava sendo legal nessa viagem. Era bem mais velho que o resto da turma e, no entanto, no agira 
como se fosse superior a eles. Se existisse um concurso de melhor irmo mais velho do mundo, ela sem dvida indicaria o nome dele.
- Qual a primeira atrao a que vamos? indagou Vicki assim que acabaram de deixar o pedido das fotos.
- Querem ir pra "Cobra"? perguntou Wesley.
- Que  isso? quis saber Amy, posicionando-se lado a lado com ele.
Passaram por uma imensa fonte em formato circular. E como soprava uma brisa leve, eles sentiram os respingos dela. Selena ficou satisfeita com o contato fresco da 
gua.
- Eu queria tomar alguma coisa, disse ela.
- Que tal a Tidal Wave? sugeriu Ronny. Pelo que diz o guia, parece muito bom.
- , replicou Wesley com um sorriso significativo, agora  uma boa hora pra irmos l.
- Eu s quero saber, interveio Amy, onde ficam as lojas de suvenir e a praa de alimentao. Vou ficar esperando l.
- Ah, deixe disso! protestou Selena. No fique assim. Voc vai gostar dos brinquedos que h aqui. Eu vou com voc neles. Quem sabe? De repente pode at se sentir 
mais animada e andar num daqueles mais arriscados.
- Ah, no espere muito, no, retrucou a outra.
A expresso dela no era de quem estava querendo ser rebelde, no. Parecia que de fato se sentia incomodada. Dava a impresso de que a nica "diverso" que queria 
realmente era tomar um bom banho e cair na cama.
Selena teve de reconhecer que o cabelo da amiga estava mesmo bem desajeitado. E as olheiras no eram restos de maquiagem que escorrera, no. Eram sinal de cansao. 
No havia dvida de que Amy era uma dessas garotas que tinham uma aparncia melhor depois de um banho e de uma ajeitada no cabelo. No era como ela e Vicki, que 
ficavam bem "ao natural".
Pra falar a verdade, a prpria Selena tambm gostaria de ter podido vestir uma camiseta limpa, antes de irem para o parque de diverses. Se pudesse tomar um banho 
tambm seria timo, mas dava para esperar. Nesse momento, estavam ali, naquele parque de diverses, e seu objetivo era se divertir.
Wesley ia caminhando rapidamente em meio  multido, e os outros o seguiam. Dava a impresso de estar com um objetivo certo e bem definido. Os outros desistiram 
de dar sugestes sobre outros brinquedos e se limitaram a acompanhar aquele "desbravador" de camisa verde.
- Vamos por aqui, pessoal, disse ele a certa altura, virando-se ligeiramente para a turma e caminhando em direo a uma pontezinha.
Pouco depois, ouviram aqueles gritos tpicos de pessoas se divertindo em um desses brinquedos de parque.
- Depressa, gente! Vamos! falou o rapaz de novo, olhando ora para eles, ora para a gua que corria embaixo da ponte. Aqui, Amy!
E Wesley se posicionou atrs da garota, que dava  altura do joelho dele, e colocou as mos uma em cada ombro dela. Selena notou que ele tinha no rosto um sorriso 
malicioso. Amy se virou para olhar para ele, tendo uma expresso de admirao. Parecia satisfeita com o fato de ele a segurar pelos ombros. Ambos apreciavam o canal 
do riacho, que era belamente ornamentado.
Nesse momento, Selena se deu conta de que havia perdido um de seus brincos. Olhou para o cho  procura dele e voltou atrs alguns passos para tentar descobrir onde 
ele cara. Havia muita gente andando por ali, e ela compreendeu que seria praticamente impossvel encontr-lo.
De onde estava, olhou para os amigos na ponte. Viu seu irmo fazendo um aceno de cabea para Ronny. Este, seguindo o exemplo do outro, posicionou-se atrs de Vicki 
e colocou as mos, uma em cada ombro dela. A garota deu um sorriso que iluminou todo o rosto. E como Amy j fizera, ela tambm virou e olhou para o Ronny com uma 
expresso carinhosa.
Foi a que aconteceu algo. Um barco, cheio de passageiros que berravam, veio descendo o canal em alta velocidade. Wesley fez outro gesto para Ronny e os dois se 
abaixaram, escondendo-se atrs das garotas, mas segurando-as firmemente. O movimento do bote provocou um esguicho que caiu sobre Amy e Vicki. As duas ficaram ensopadas, 
totalmente encharcadas. Amy estava com o cabelo todo escorrido, pingando gua. Wesley e Ronny tambm se molharam bastante.
Vicki disparou a rir. Deu uma boa gargalhada e, ao mesmo tempo, se ps a bater no peito de Ronny com os punhos cerrados, abanando a cabea para espirrar gua nele. 
Selena tambm estava rindo. Desistindo de procurar o brinco, ela foi para junto dos amigos, agora todos molhados. Tirou o outro da orelha e guardou-o no bolso.
- Eu no disse que ia ficar bem fresquinha? disse Wesley, "gozando" de Amy.
A garota no reagiu do mesmo jeito que Vicki. Ficou parada pingando gua, parecendo meio atnita e com o ar de quem vai chorar. Ergueu a cabea e olhou para Wesley, 
afastando da testa a franjinha molhada.
- No consigo acreditar que voc fez isso comigo! comentou.
- Pois pode crer! replicou o rapaz, ainda com um sorriso brincalho. E acho melhor sair dessa ponte, se no quiser levar outro "banho"!
Segundos depois, ouviam novos gritos. Era outro barco que se aproximava. A turma toda saiu correndo.
- Agora vocs  que vo sofrer, disse Vicki, pegando Amy pelo punho. Ns vamos para o sanitrio, e vocs tero de nos esperar. E no sei quanto tempo vamos demorar!
- No tem problema, respondeu Wesley. Eu e o Ronny vamos esper-las em frente  barraquinha que vende tortas. 'T vendo aquela barraca ali adiante?
Vicki fez que sim, e as duas foram para o banheiro mais prximo. Selena ficou a olhar para as amigas que entravam no sanitrio. Wesley e Ronny encaminharam-se para 
a barraquinha, cumprimentando-se pelo sucesso da brincadeira. E ela ficara ali, sobrando. J receara que isso pudesse acontecer mesmo.
Dezenas e dezenas de pessoas, todas parecendo muito alegres, passavam por Selena, que permanecia parada no lugar. Teve uma sensao de tristeza, como a que sentira, 
certa vez, quando estava com seis anos. A famlia toda fora assistir a um concerto  noite. Em dado momento, ela se vira perdida, no meio da multido. Os pais j 
haviam lhe ensinado que, se um dia ela se perdesse, deveria ficar parada no lugar, esperando. Algum viria busc-la. Desta vez, porm, ningum viria procur-la.
Na outra ocasio, no concerto, ela ficara sozinha apenas alguns minutos. Seu pai logo aparecera, com o semblante preocupado,  sua procura, e imediatamente pegara 
na mo dela com firmeza. Recordava com nitidez as sensaes que experimentara naquele momento. Primeiro, fora o pavor que a dominara, por se ver perdida e sozinha. 
Em seguida, assim que o pai segurou sua mo, o medo se evaporou e ela se viu envolta por um enorme sentimento de conforto e segurana. No instante em que sentiu 
a mo do pai pegando a sua, ela se agarrou a ele firmemente. Nunca mais queria passar por aquilo, por aquele temor e aquela impresso de estar sozinha!
No entanto, ali estava ela, com dezessete anos, fazendo um passeio que quisera fazer, com os amigos em cuja companhia desejava estar, mas tomada pelo medo. Estava 
dominada por uma forte sensao de isolamento. Era como se tivesse voltado a ter seis anos de idade. S que, desta vez, ningum viria peg-la pela mo. Seu pai se 
encontrava a mais de mil e quinhentos quilmetros de distncia.
Foi ento que um pensamento lhe ocorreu. Era um desses pensamentos que comeam no corao e depois passam ao esprito, aquecendo-o maravilhosamente. O Pai celeste 
no se achava a mais de mil e quinhentos quilmetros de distncia. Estava bem ali, ao seu lado. Alis, ele sempre estava, pois prometera que sempre estaria.
Ao compreender isso, sentiu enorme paz. O pavor e o medo gelados se dissiparam. Teve a sensao de que Jesus, quase que imperceptivelmente, estendera sua mo ferida 
pelos cravos e pegara a sua. Agora, o que ela tinha a fazer era agarrar-se a ela firmemente.
-  Deus, murmurou para o invisvel, t s to real! Sei que es! E nunca vais me abandonar, no  mesmo?
Embora estivesse cercada de uma multido agitada, Selena se sentiu envolta numa calma intensa, que vinha da presena de Deus a seu lado. Piscou e correu os olhos 
 sua volta. Teve a impresso de que as pessoas iriam ficar olhando para ela, como se seu cabelo estivesse pegando fogo ou algo assim.  que se sentia totalmente 
diferente. Entretanto ningum a estava fitando. Evidentemente os outros no haviam tido aquela experincia de sentir a presena de Deus, que ela tivera. Ele se manifestara 
apenas a ela. E, com o corao transbordando de uma alegria intensa, encaminhou-se para o banheiro. Sentia-se outra. No era mais a garotinha de seis anos. No se 
via mais perdida nem isolada dos amigos. Algum a amava, e ela sabia disso.
Amy e Vicki achavam-se em frente ao espelho usando todos os produtos de beleza que a segunda trouxera, empenhando-se ao mximo para dar uma melhorada na aparncia. 
Amy penteara o cabelo todo para trs e se posicionara embaixo do secador de mos, tentando enxug-lo. Parecia que nenhuma delas notara que Selena no fora para ali 
com elas.
Afinal, elas acabaram ficando menos de dez minutos no banheiro. Amy j havia se refeito do choque que levara ao tomar aquele "banho". Agora assumia uma atitude brincalhona. 
Quando se reencontraram com os rapazes, todos estavam rindo, soltando piadinhas e "gozando" uns dos outros. Algum chegou inclusive a "amassar" um pedao de torta 
no rosto de Ronny. Selena pensou em relatar aos amigos a experincia que tivera pouco antes, em que sentira a realidade da presena de Deus de uma forma como jamais 
experimentara antes. Contudo logo percebeu que seria muito difcil ter uma conversa sria com algum que estava querendo mais  atirar-lhe um pedao de torta no 
rosto.
- Mais torta, gente? indagou Ronny.
- Eu no, replicou logo Wesley, levantando-se. Acho que escutei a "Cobra" me chamando.
-  mesmo, concordou Vicki. Tambm estou ouvindo.
E tentando imitar uma cobra, disse em voz sibilante:
- Wesssssley! Venha c! Wesssssley!
-  a montanha-russa? quis saber Amy em tom hesitante.
- , respondeu Wesley, a montanha-russa.
-  aquele brinquedo que faz...? continuou ela fazendo crculos no ar com o dedo.
- S duas vezes, explicou o rapaz. Antes de a gente perceber, j acabou.
Amy fitou Selena com expresso de splica.
- Voc vai mesmo querer ir nesse negcio, Selena? indagou ela.
A garota fez que sim.
- Vamos l, Amy, disse ela. Voc fecha os olhos.
- De jeito nenhum, interveio Ronny.  proibido fechar os olhos. Se fechar, eles mandam parar o brinquedo na hora e voc tem de descer pela escada de emergncia.
- E se eu fechar os olhos na hora em que a gente estiver de cabea pra baixo?
- Tem de sair assim mesmo, insistiu o rapaz. Tem uma rede embaixo, ento voc solta o cinto de segurana e cai l embaixo.
- Ah, gente, que ruindade! exclamou Amy.
Estavam caminhando mais depressa agora. Wesley, mais uma vez, ia  frente, e parecia ansioso para chegar l.
- No da pra vocs aceitarem que algumas pessoas gostam de se arriscar e outras no? continuou Amy falando mais alto. Quero dizer, por que tenho de sentir esse medo? 
No d pra ver que existe gente que anda em montanha-russa e gente que no anda? Eu estou em minoria aqui porque no gosto desse brinquedo. E da? 'T na hora de 
comearmos a respeitar as diferenas individuais, puxa!
Quando ela terminou seu pequeno discurso, Wesley j entrara na fila da "Cobra". Contudo, instantes depois, deixando Selena, Ronny e Vicki passarem  sua frente, 
ele saiu de l e foi ficar perto de Amy.
- Vocs podem ir, disse ele para os trs.
A fila estava andando rpido. Em seguida, dois rapazes entraram logo atrs dos trs, e Wesley no pde voltar para junto deles. Quando Selena e os outros chegaram 
ao ponto onde embarcavam, a garota se virou para trs. Viu que Wesley se inclinara ligeiramente e fitava a amiga bem nos olhos. Depois ergueu o brao e passou-o 
em torno do ombro da garota.


Captulo Treze

A fila para embarcar na "Cobra" estava indo to rpida, que no deu mais para Selena ver o que se passava entre Amy e Wesley. Ser que ele estava conversando com 
ela, como uma espcie de irmo mais velho? Ou quem sabe a garota comeara a chorar e ele tentava consol-la! Ou ser que Wesley expressava algum tipo de afeio 
pela jovem?
E por que ser que isso 't me incomodando tanto? Pensou. Sou totalmente a favor de Vicki e Ronny namorarem. Ento por que estou preocupada em que Wesley e Amy faam 
o mesmo? Ser que acho que ele  muito velho pra ela?
Logo em seguida, porm, ela se lembrou de que seu irmo no poderia estar interessado em Amy.  que ele tinha certas exigncias com relao s moas que namorava, 
e sua amiga no preenchia esses requisitos. Para Wesley, o ponto principal era que a jovem fosse crente, uma crente sincera. A prpria Amy j reconhecera, por diversas 
vezes, que no o era. Ento por que Selena ainda se sentia meio nervosa ao ver Wesley dando ateno  garota?
A fila ia andando. J estavam quase chegando. Vicki e Ronny conversavam sobre a montanha-russa. Do ponto onde se encontravam, j avistavam todas as subidas e descidas 
da "Cobra" e ouviam os gritos do pessoal que se achava nela. Vicki disse que algo a incomodava ali. Referia-se aos estalidos que ouviam em toda a estrutura quando 
os carrinhos estavam subindo a "montanha", para chegarem  primeira descida. Selena acenou concordando, mas no a escutava direito. Continuava a analisar seus sentimentos 
com relao a Wesley e Amy.
Quando afinal chegou a vez de eles pegarem o carrinho, Selena j havia entendido o que a estava perturbando. Tinha cimes do irmo. No queria que ele desse ateno 
a outra garota. Ele era seu irmo mais velho e, se ficasse ligado em algum, seu relacionamento com ela mudaria.
Ao entender isso, em vez de ficar tranquila, a garota ficou mais tensa. Sabia que no poderia controlar a vida de Wesley. E sua influncia sobre a amiga se limitava 
 escolha de roupas, quando faziam compras juntas. Portanto teria de abrir mo desse cime.  que tal sentimento atrapalharia seu relacionamento com o irmo e com 
Amy.
Senhor, orou, o que est acontecendo comigo? Tive duas revelaes importantes, uma em seguida da outra? Primeiro, tenho de me segurar firme, e depois, soltar... 
O que  isso?
Na plataforma onde iriam embarcar, havia um funcionrio do parque, uniformizado. Ele fez sinal ao Ronny para que entrasse num banco onde havia lugar apenas para 
uma pessoa. Em seguida, conduziu as duas garotas para o banco da frente.
- Logo na frente! exclamou Vicki, agarrando o brao de Selena e entrando. Que foi que eu fiz pra merecer esse castigo? Ser que ainda d pra mudar de idia?
As duas se sentaram e o homem encaixou a barra de segurana, que dava  altura dos ombros delas. Ficaram praticamente imobilizadas. No poderiam se virar, se quisessem 
comentar algo com Ronny. O rapaz se achava vrios bancos atrs do delas.
- , acho que no d pra mudar de idia, no, replicou Selena.
Nesse momento, o carrinho deu um arranco e passou a rodar, balanando um pouco para um lado e para outro. Selena sentiu o estmago embrulhar.
- No esquenta, no, continuou ela para Vicki. Voc vai gostar demais.  simplesmente maravilhoso!
- Tem certeza? indagou a outra com voz estridente, demonstrando nervosismo.
O carrinho ia subindo a rampa que levava ao alto, com os rudos tpicos de engrenagem em movimento. Era to ngreme que elas se achavam praticamente deitadas. Com 
o rosto voltado para o cu, Selena notou que ele estava de um azul bem claro.  direita, um avio que passava ia deixando um leve rastro de fumaa naquela imensido. 
Agora j se aproximavam do primeiro ponto alto da "Cobra", de onde desceriam em queda. A sensao que a garota percebia na boca do estmago era a mesma de quando 
algum raspa a ponta da unha no quadro-negro.
- Sabe o que mais? gritou para Vicki. Voc tem razo. Quero dar o fora!
- Selena, respondeu a outra tambm berrando e encostando a perna na da amiga, como que procurando apoio moral, voc  que  a corajosa aqui!
Selena tambm fez presso na perna de Vicki. Agora j se encontravam no alto.  frente delas, s o ar, mais nada. A garota se agarrou  barra de segurana e soltou 
um grito agudo, no momento em que despencavam at o ponto mais baixo da "Cobra". O vento soprou o cabelo delas para trs. Havia ainda a sensao de que o ar pressionava 
a pele do rosto, afastando-a da boca aberta. Segundos depois, passaram por um crculo e, da a pouco, por outro, com fortes solavancos. As duas gritavam o tempo 
todo.
Terminado o giro, saram do carrinho roucas, tontas e meio "fora do ar". Pararam ali e ficaram a esperar o Ronny. Quando o rapaz saiu, vinha com seu sorriso tpico, 
entortando a boca. Era o nico indcio que ele dava de que o nvel de adrenalina estava alto.
- Querem ir de novo? indagou ele.
- Acho que no, replicou Vicki, firmando os braos ao lado do corpo.
- Mas foi timo! exclamou Selena, em voz alta e um pouco rouca. O Wesley vai adorar esta "Cobra"! Onde ser que ele est?
Os trs foram caminhando juntos, com os passos ainda meio incertos, esbarrando uns nos outros, pedindo desculpas e rindo muito. Wesley e Amy se achavam a alguns 
passos da sada.
- Voc vai gostar demais! informou Selena para o irmo, assim que o avistou.
- E j quero ir, respondeu ele. Quem mais se arrisca?
- Eu vou, disse Ronny.
- Eu no, falou Vicki, dando um gemido. Pra que fui comer tanto?
- Ns achamos aqui um brinquedo que  mais do meu jeito, disse Amy para as amigas.  de criana. Algum quer ir comigo?
- Eu quero, replicou Vicki.
Selena ficou na dvida se ia com as duas.
- Onde vamos nos encontrar com vocs? indagou para o irmo.
Wesley apontou para um lugar onde poderiam se reunir depois. Combinaram de se encontrar ali da a quarenta minutos.
- Como  que voc 't, Amy? quis saber Vicki.
As trs iam caminhando lentamente em direo ao brinquedo que Amy escolhera e que se chamava "Corrida do Ouro".
- Estou bem, respondeu a outra. Gente, peo desculpas por ter causado um transtorno pra vocs.
- No, Amy, voc no causou transtorno nenhum, replicou Vicki.
- , mas acho que o Wesley ficou preocupado.
- Vocs conversaram bastante? indagou Selena.
- Conversamos. Selena, esse seu irmo  maravilhoso! Voc sabe disso, n? Claro que sabe. Ele leva a gente a pensar direitinho, sem nos deixar com a sensao de 
que somos uns idiotas. Eu queria ainda estar a fim dele.
- E no 't, no? perguntou Selena.
- No. Por qu? Dei a impresso de que estava?
- No muito. Talvez um pouquinho s.
Nesse momento, Selena avistou a placa que dizia "Corrida do Ouro". J iam quase passando do brinquedo.
-  aqui, gente, disse. E a fila 't bem pequena. Alm de a fila ser pequena, pequena tambm era a maioria dos componentes dela. Pareciam ter menos de dez anos, 
com exceo,  claro, dos adultos que estavam acompanhando os filhos.
- Ser que h um limite de altura e de peso a? indagou Vicki.
- No, creio que no, informou Amy. Acho que  uma montanha-russa mais lenta.
- Bom, interps Vicki, na verdade, as duas no teriam com que se preocupar.
- 'T insinuando que somos "baixinhas"? indagou Amy.
- No; estou querendo dizer que as duas juntas pesam quase o mesmo que eu.
- Ah, ... retrucou Amy em tom irnico.
- Que  isso? interveio Selena. No chega nem perto. Por que 't dizendo isso?
- Porque eu peso, sim, mais do que vocs.
- E da? ajuntou Amy. Voc no 't gorda nem nada. 'T tima. Voc  voc. E do jeito que estiver, 't sempre bem. A beleza no tem nada a ver com o tamanho da pessoa.
- , eu sei, eu sei, concordou Vicki. No vamos discutir sobre isso agora.
Selena se mostrou de acordo. O que ela queria naquele momento era saber por que Amy no estava mais a fim de Wesley.
- Ento me conta, disse. O que foi que meu irmo disse que fez com que voc se sentisse melhor?
- Conversamos sobre o meu medo de altura e de montanha-russa, e ele compreendeu perfeitamente. Disse que no ia mais me forar a nada. Perguntou se eu ainda estava 
muito chateada por causa do "banho". Expliquei que na hora fiquei muito aborrecida, sim. Mas depois passou. Acho que sou assim com relao a uma poro de coisas, 
explicou, dando de ombros. E foi s isso. Ele agiu comigo como um irmo mais velho, e eu gostei demais.
Nesse momento, as trs subiram em um carrinho, que era pintado de dourado. Selena ficou a se censurar interiormente por haver criticado a amiga e ter suspeitado 
dela. Entendeu que deixara a imaginao "voar" demasiadamente. Compreendeu tambm que j que fizera um julgamento errado a respeito de Wesley e Amy, poderia estar 
julgando incorretamente outros fatos tambm. E como estava meio confusa, ser que se encontrava em condies de tomar uma deciso to importante como a escolha da 
faculdade? Afinal isso iria pesar muito em sua vida.
Voltou a sentir o mesmo pnico de antes. Parecia que se esquecera de que, instantes atrs, sentira Deus muito prximo dela, segurando sua mo. Suas emoes estavam 
como que numa montanha-russa. Sua sensao, nesse momento, era de que elas giravam num daqueles crculos apavorantes. Sentia-se atordoada com as situaes desconhecidas 
que a aguardavam no futuro.
- , foi muito emocionante! brincou Vicki, no momento em que saam da pequena montanha-russa.
O brinquedo tinha o formato de uma mina de ouro, que se percorria num carrinho. Selena tambm no achou que fosse grande coisa, principalmente depois de ter andado 
na "Cobra".
- Pois eu gostei, comentou Amy. Foi do meu jeito. Ento parem de falar mal desse brinquedo, viu?
Seguiram para o ponto onde iam encontrar Wesley e Ronny. Os dois j estavam l e haviam combinado sobre os outros brinquedos a que iriam: "Batman", "Super-homem" 
e "Queda Livre". Selena e Vicki logo concordaram com o plano, mas imediatamente se lembraram de Amy.
- Tudo bem, pessoal, disse a garota. Eu vou com vocs at l e fico aguardando. Esses brinquedos no demoram muito. O que demora mais  a fila.
- Tem certeza de que no se incomoda de esperar? indagou Selena.
- Tenho, replicou Amy, olhando para o Wesley, com ar de satisfao.
Por alguma razo, Selena estava tendo dificuldade para crer que a amiga no nutria mais aquela paixozinha por seu irmo. Nesse momento, porm, no havia tempo para 
fazer uma avaliao mais detalhada da situao. Os cinco logo saram marchando para gozar as emoes e os arrepios do "Batman". Alm disso, ela sentia que sua cabea 
j estava transbordando de avaliaes - as que fazia com relao ao prprio futuro.
Enquanto estavam na fila, a "batcaverna" surgiu  frente deles - escura, misteriosa, "prometendo-lhes" muitas sensaes. O primeiro impulso de Selena foi compar-la 
ao seu futuro e s decises que teria de tomar sobre a faculdade.
- E se a gente no for estudar fora? disse ela de repente para Vicki.
- De onde tirou essa idia?
- Eu estava s pensando. Quem sabe a gente fica em Portland mesmo e estuda numa faculdade daquelas l, ou at numa universidade? Assim poderamos permanecer em casa.
Vicki dirigiu-lhe um olhar de espanto, como quem perguntava se ela havia ficado maluca.
- Por que voc 't dizendo isso? indagou. Nesses ltimos meses, voc no falou de outra coisa a no ser ir estudar fora. Selena, voc  o nosso exemplo de garota 
aventureira, que viaja o mundo todo. No pode agora se acovardar e nos deixar na mo!
Selena olhou para Amy com ar pensativo. A amiga estava sentada em um banco,  sombra, parecendo muito tranqila, tomando um refrigerante.
- , comentou Selena, seria bom se eu pudesse escapar disso.
- O que quer dizer com isso? interps Vicki. Est falando deste brinquedo ou de estudar fora?
Wesley passou o brao em torno dos ombros da irm e lhe deu um leve aperto.
- , minha sonhadora, parece que agora voc 't conhecendo a vida real, disse ele. E j no  sem tempo. Eu gostaria de no ter de lhe dizer isto, mas tenho de inform-la 
que ignorar o futuro no vai fazer com que ele desaparea, no. 'T na hora de crescer, irmzinha!
Selena sentiu o rosto avermelhar-se. Amy at que podia apreciar o jeito de Wesley para dar aconselhamento, mas ela no. As palavras dele s serviram para deix-la 
humilhada. Se no estivessem em pblico, ela lhe daria uns tapas.


Captulo Quatorze

- Foi o melhor parque de diverses a que j fui! exclamou Selena no momento em que deixavam o estacionamento do Montanha Mgica. Ela se remexeu, acomodando-se melhor 
no banco. Dessa vez, achava-se no da frente, ao lado do irmo. Seu aborrecimento em relao a Wesley se dissipou no momento em que terminaram a volta pelo "Batman". 
Resolveu se esquecer das frustraes e incertezas e curtir as horas restantes que passariam ali.
- E este  o melhor suvenir que j peguei! disse Vicki, que se achava no segundo banco, perto de Ronny, chegando o objeto ao olho.
Era um chaveiro, que tinha um minsculo telescpio, ao fundo do qual estava a foto que haviam tirado  entrada do parque.
- Eu tambm! concordou Amy, erguendo o seu. Gostei muito deste chaveirinho simples.  Wesley, Selena, caso ainda no tenha dito isto, muito obrigada por terem me 
convidado pra vir com vocs. Estou gostando tanto que nem tenho vontade de voltar pra casa.
- Espere a, interps Wesley, ainda temos mais dois dias. Pode ser que nesse tempo voc mude de idia.
- Ah, acho que no, retrucou a garota. Queria que esta viagem durasse um ms. No, dois meses. As frias todas. Ia ser to legal! Passar as frias todas na estrada, 
na companhia de amigos!
- , acrescentou Vicki, desde que fossem amigos mesmo!
Selena compreendeu que todos estavam pensando que tudo seria muito diferente se Warner tivesse vindo. Entretanto ningum disse nada.
- Enquanto vocs estavam naquele ltimo brinquedo, principiou Wesley, liguei para o Brad e a Alissa, o casal que vai nos hospedar. Eles disseram que daqui at l 
d mais ou menos uma hora.
- A que horas vamos ter de sair amanh cedo? quis saber Selena.
- Eu gostaria de sair por volta de 8:00h, respondeu Wesley.
- Cedo assim? comentou a garota dando um gemido. Voc no quer ficar algumas horas em companhia de seus amigos?
- ... concordou Amy. Deixando a gente dormir mais um pouco!
-  que eles vo  praia amanh; e querem sair bem cedo, explicou o rapaz.
- Humm, praia seria uma boa! disse Amy. Ser que no d pra gente pelo menos chegar perto do mar?
- S se for amanh  tarde, explicou Wesley. O principal agora  o meu compromisso no "Rancho Corona", que  s 11:30h. Depois disso podemos fazer o que quisermos. 
Ah, e tenho de ligar pra Tnia, pra saber se ela ainda vai poder nos receber em sua casa amanh. Ela mora a mais ou menos trs quilmetros da praia.
- 'T brincando! exclamou Amy. Eu no sabia disso!
- Estou gostando cada vez mais desse sul da Califrnia, comentou Selena, erguendo os braos acima da cabea. Deve ser legal demais morar perto da praia, n? concluiu 
ela, virando- se para o lado e reclinando um pouco o seu banco.
- Essa faculdade onde voc quer estudar  perto da praia, Wesley? indagou Vicki.
- No, replicou ele. Acho que fica a uns trinta ou quarenta quilmetros da costa, numa "mesa". Dizem eles que quando o cu 't claro, d pra ver o mar. E ao pr-do-sol 
pode se avistar a ilha Catalina.
- O que  uma "mesa"? quis saber Amy.
-  um planalto bem elevado e muito plano.
- Ento  como uma "mesa" mesmo, comentou Selena.
-  por isso que tem esse nome, disse Wesley. Parece uma mesa bem grande e plana.
Selena fechou os olhos e tentou imaginar uma escola localizada num lugar bem alto, vendo o pr-do-sol no Oceano Pacfico. Ao pensar nisso, sorriu. Visualizou uma 
fortaleza de cores claras e brilhantes, cheia de gente que ama a Deus. J estava gostando dessa faculdade, embora no soubesse nada a seu respeito nem tivesse visto 
nenhuma foto de l.
No dia seguinte, quando se dirigiam para l e avistaram as colinas e a "mesa" de que seu irmo havia falado, gostou ainda mais. Era por volta de 10:45h, quando saram 
da rodovia principal, ao sul do Lago Elsinore. Foi fcil identificar o lugar, pois era bem elevado e perfeitamente plano. O cu, no alto, estava claro at onde a 
vista alcanava. Viam-se apenas alguns "chumaos" de nuvens movendo-se preguiosamente.
Selena endireitou-se no banco e se ps a contemplar a paisagem atravs do pra-brisa. As encostas das colinas eram recobertas de flores silvestres. Sentiu uma forte 
expectativa. Aquela regio lembrava muito a Sua, aonde fora no ano anterior, em companhia de sua amiga Cris. Elas tinham feito um passeio pelas colinas verdes 
daquele pas, vendo muitas vacas e flores silvestres. Aqui o terreno era mais seco, em tons de marrom. E em vez de vacas pastando ao som de cincerros, Selena imaginou 
coelhos do mato, atravessando a correr as trilhas estreitas para caminhantes.
- "Universidade Rancho Corona", leu em voz alta a placa da estrada. Virar  direita.
Wesley fez a converso  direita e pegou a estradinha que dava para o alto da "mesa".
- Que lugar maravilhoso! exclamou Selena com ar sonhador.
- Ainda no chegamos, informou Wesley.
Pela voz, ele parecia cansado. Alis, todos estavam cansados e irritadios. Haviam dormido apenas cinco horas e meia, no cho do apartamento dos amigos dele. E Wesley 
viera acord-los bem cedo. Amy insistira em que queria tomar um banho, antes de partirem. Todos concordaram em que seria uma tima idia. O apartamento possua apenas 
um banheiro, e ento tiveram de fazer fila.
Selena foi a ltima. E quando chegou sua vez, a gua quente havia acabado. Teve de contentar-se com um banho frio. Quando saiu, vinha resmungando, mas depois se 
arrependeu. Reconheceu que no tinha sido uma atitude legal. Brad havia preparado um caf da manh muito bom para eles: ovos fritos com presunto e bolinhos amanteigados. 
Wesley lhe dissera que iriam tomar caf na estrada, mas ele preparara a refeio assim mesmo. Agora, j chegando  universidade, sua irritao passara.
- Ns vamos ter de nos reunir com algum da diretoria? Quis saber Amy. Quero dizer, ser que podemos apenas dar uma volta pela escola e ficar esperando-o? Ou voc 
quer que ns tambm tenhamos uma entrevista?
- No, replicou o rapaz, combinei de visitarmos as dependncias da escola, como fizemos em Valncia, com um dos alunos. Depois disso, vocs podem ficar  vontade 
e fazer o que quiserem. Eu precisarei passar pelo menos umas trs horas a.
Chegaram ao ponto mais alto da estrada, que nesse instante fazia uma curva para a esquerda. Da a pouco, avistavam a entrada do campus, formada por duas pilastras 
de pedra. Em cima, havia uma placa de madeira com as palavras: "Universidade Rancho Corona". Seguindo a sinalizao, eles se dirigiram para a secretaria e estacionaram 
numa vaga que trazia a inscrio "Visitantes".
- No parece muito uma escola, comentou Amy. Parece mais um acampamento ou um hotel fazenda. Gosto demais dessas telhas tipo colonial. Lembra os velhos filmes do 
"Zorro".
- Esse era o estilo do incio da colonizao da Califrnia, explicou Wesley. Acho que aqui antes era uma fazenda. Vamos perguntar isso  pessoa que for nos guiar 
na visita pela escola. Vamos l ento? Vou deixar a chave com voc, Selena, caso a gente se separe e vocs queiram vir pegar algo na van.
- Algum tem de acordar o Ronny, alertou Vicki, ajeitando o cabelo todo para trs e movimentando-se para sair do carro.
Ronny estava no ltimo banco, a cabea encostada  janela, o bon cobrindo o rosto. Amy virou-se para trs, esticou o brao e puxou o bon dele.
- Ronny! chamou. Chegamos! Acorde!
Com a claridade, o rapaz contraiu os msculos do rosto e descruzou os braos. Em seguida, limpou o canto da boca com as costas da mo. Selena deu um sorriso. Ele 
parecia um garotinho. Sentia falta do cabelo comprido que ele usava quando ela o conhecera. Era longo, louro e partido ao meio. Ele vivia arrumando-o atrs das orelhas. 
Agora, porm, fazia meses que o cortara. Contudo, em dados momentos, como nesse instante, a cabelo tinha a tendncia de ficar espetado, dando-lhe um ar parecido 
com "Dennis, o pimentinha".
Selena estava ansiosa para conhecer a escola. O lugar era belssimo. Ao lado do prdio da administrao havia uma buganvlia, com flores vermelhas, que chegava at 
o telhado. Wesley se dirigiu para a secretaria e ela o seguiu, enquanto os outros, mais demorados, iam saindo do carro. Dentro sentiu o conforto do ar-condicionado, 
dando-lhe uma sensao agradvel. Na recepo, havia uma mesinha de estilo moderno, de formato oval, onde se achava a recepcionista, uma estudante universitria, 
que tinha um fone de ouvido.
Assim que eles entraram, ela os olhou e imediatamente deu um sorriso amplo e amistoso. Parecia at que os reconhecia. Voc  Wesley Jensen? indagou.
- Sou. Tenho uma entrevista s 11:30h.
- J estvamos  sua espera, disse a recepcionista. E voc deve ser a Selena!
Ainda sorrindo, a jovem se levantou e deu um forte aperto de mo em cada um.
- Que bom que chegaram! continuou. Bem-vindos  Rancho Corona!
Selena deu uma olhada para o irmo. Estava achando aquela acolhida um pouco exagerada.
- Tem uma pessoa aqui que est ansiosa para v-los, disse ainda a moa. Vou cham-la.
A recepcionista j ia apertar uma tecla no aparelho telefnico, quando a porta da entrada se abriu e uma exuberante voz feminina gritou:
- Eles j chegaram?
Selena j ia se virando, quando escutou um gritinho que, como percebeu, conhecia muito bem. Logo em seguida, sentiu que algum a abraou, apertando-a com fora, 
e ouviu mais risadas bem junto ao seu rosto. A nica dica que tinha para identificar a recm-chegada que a estava recepcionando com tanto entusiasmo era aquele cabelo 
ruivo que "danava" em seu rosto, como um leque oriental. E isso bastou.


Captulo Quinze

- Katie! exclamou Selena, e tambm se ps a soltar gritinhos de alegria, enquanto se afastava da amiga para olh-la melhor. Ah, no acredito! O que voc 't fazendo 
por aqui?
- Eu estudo aqui, sua pateta! replicou a ruivinha agitada, explicando tudo num s flego. Voc no sabia disso, no, n? Na semana passada, voc mandou um e-mail 
para a Cris, dizendo que viria aqui, pois seu irmo queria conhecer a escola... Ei, voc deve ser o Wesley, n? Eu sou a Katie! Ento pedi a Dianne aqui, que  minha 
colega de quarto, que checasse a lista de visitantes e me dissesse o dia e a hora em que viriam. Agora vocs esto aqui. Dianne, quero lhe apresentar o Wesley e 
a Selena. Gente, esta aqui  minha amiga, Dianne.
- Quando ela me disse que vocs viriam hoje, eu, como gosto muito de surpreender os outros, no a avisei porque queria que vocs tivessem essa surpresa. E tiveram! 
 ou no  mesmo uma "coisa de Deus"?
Selena estava rindo muito ao ver como o rosto da amiga se avermelhava quando ela falava sem parar. Com isso, nem notou que Vicki, Amy e Ronny haviam entrado e se 
achavam parados de lado, observando a cena.
-  ela que vai ser nosso guia? indagou Vicki.
Katie virou-se bruscamente, fazendo danar o cabelo liso que lhe dava pelos ombros.
- Vou! respondeu a prpria. Eu me ofereci pra levar vocs. Ol pessoal! Meu nome  Katie. A Selena provavelmente nunca lhes falou a meu respeito.  que ns s fizemos 
um pequeno passeio juntas: fomos  Inglaterra e  Irlanda, no ano passado, concluiu ela, ironizando.
- Ah! exclamou Amy, aproximando-se dela. Voc disse que seu nome  Cris?
A garota ergueu os braos e correu os olhos pelo grupo, fazendo um ligeiro movimento de cabea.
- 'T vendo o que digo? perguntou. No! Eu sou a outra, a Katie. Mas todo mundo s lembra da Cris e s fala dela. S mandam... e aqui ela deu uma olhada significativa 
para Selena ...e-mails pra ela. Eu? Sou apenas a Katie. Amiga de todo mundo; namorada de ningum!
A essa altura, todos estavam dando risada, inclusive a Dianne, que deveria estar atendendo o telefone. Afinal, quando silenciaram, Selena apresentou os amigos s 
duas jovens. Agora j se refizera do espanto de haver encontrado a amiga ali.
- Bom, pessoal, disse Katie,  melhor sairmos logo daqui, antes que algum venha nos passar uma repreenso. Vamos comear nossa volta pelas dependncias da escola. 
Este prdio  o administrativo. Neste corredor, ficam as salas dos diretores, as secretarias, etc. Wesley, sua entrevista com o Prof. Scofield ser naquela segunda 
sala da direita. Mas  daqui a vinte minutos. Ento h tempo de sobra pra voc visitar a escola conosco.
O rapaz parecia cativado pela espirituosidade de Katie e por seu encanto simples.
- Vamos ento! disse ele, dando um de seus melhores sorrisos.
Katie saiu com eles pela porta de entrada e foi caminhando. Passaram por outros prdios de salas e escritrios e chegaram a uma ampla rea central, uma espcie de 
praa. No centro dela, havia uma fonte, revestida de ladrilhos azuis.  volta dela, viam-se bancos de ferro batido.  esquerda, havia algumas palmeiras altas, com 
suas folhagens elegantes sussurrando ao vento. Aquele rudo, quase uma msica, dava ao ambiente uma sensao de calma e tranquilidade. Alguns alunos estavam sentados 
 beira da fonte. Descalos, eles balanavam os ps dentro da gua. Outros achavam-se sentados ou deitados nos bancos,  sombra, lendo, conversando ou at cochilando.
- Aqui  a Praa da Fonte, explicou Katie.  o lugar de que mais gosto nesta escola. Aquele prdio comprido ali, de I dois andares,  a biblioteca. O outro ao lado 
dele  o Edifcio Hannan.  l que temos aulas de ingls e outras lnguas. O que fica atrs dele  o bloco de cincias, com laboratrios, etc. Aquele outro, deste 
lado aqui,  esquerda,  o Dishner, o prdio dos cursos de msica.
- Ah, esse eu quero visitar, disse Ronny.
- Iremos l. Podemos ver todos, se vocs quiserem. Mas primeiro vamos ao Centro Estudantil.
O centro ficava atrs do Edifcio Dishner,  direita. Katie os conduziu ao prdio, que tinha dois andares, mostrando as caixas de correspondncia e a sala de jogos, 
que ficava no primeiro piso. Subindo ao segundo, levou-os a uma ampla sala de visitas, que dava para um terrao aberto. Dali se avistavam a piscina, o ginsio de 
esportes, as pistas para corrida e um campo de beisebol.
- O mar fica para aquele lado, explicou a garota, apontando para a direita. Hoje tem muita poluio, mas s vezes d pra avist-lo claramente. Em geral, a gente 
s o enxerga bem cedo ou ento  tardinha.
Selena ficou parada no terrao, tentando imaginar a cena que veria, se as amareladas nuvens de poluio se afastassem, deixando o cu limpo. Algum dia, gostaria 
de ver essa paisagem. Katie j estava l embaixo, no gramado, junto com o resto do grupo, e de l acenou para a amiga.
- Vamos, Selena! Ainda temos mais alguns pontos pra visitar antes de o Wesley voltar para o prdio da administrao.
- J vou! replicou a garota.
Era tanta coisa para ver, e to depressa, que ela no estava conseguindo assimilar tudo. O lugar em si j era belssimo. Tinha a sensao de estar vivendo um sonho. 
E o fato de estar fazendo aquela visita guiada pela Katie aumentava ainda mais essa impresso.
O prdio que viram a seguir foi a cantina, a mais recente construo da escola. Lembrava mais a praa de alimentao de um shopping do que um refeitrio escolar.
- Vocs precisavam ver a antiga cantina, comentou Katie no momento em que regressavam ao prdio da administrao. Disseram que era igual a um refeitrio do exrcito. 
Eu mesma no a peguei. Quando vim pra c, havia quatro dias que tinham inaugurado essa nova. E a comida aqui  excelente!
- Quando  que voc veio pra c? quis saber Selena.
- Em Janeiro. Eu estudava numa faculdade municipal e me transferi pra c no incio do semestre, explicou ela, inclinando-se para a amiga. Tem s trs meses que estou 
aqui.  por isso que voc no sabia de nada. Na realidade, acho que nem lhe contei. Eu estava brincando quando a chamei de "pateta".
Selena passou o brao pelo pescoo da amiga e deu-lhe um leve abrao.
- Ah, mas foi to bom v-la! disse. Tem de me contar tudo. Quero saber notcia de todo mundo.
- Ah, a gente d um jeito nisso, replicou Katie com um sorriso significativo. Bom, agora vamos levar seu irmo para a entrevista dele e depois voltamos para a cantina, 
onde almoaremos. A poderemos conversar at cansar.
- Querem marcar um lugar pra gente se encontrar depois, pessoal? indagou Wesley.
Ele parara a porta do prdio administrativo. Parecia sem vontade de se separar do resto do grupo.
- Depois que almoarmos, disse Katie, vou lev-los para o dormitrio. Quando voc terminar a entrevista, pea a Dianne pra ligar para o meu quarto. Que tal assim?
- timo, concordou ele. Ento at mais!
Selena notou que o irmo estava correndo os dedos pelo cabelo, na lateral da cabea. Parecia nervoso, como se fosse ter uma entrevista para um emprego.
O grupo se dirigiu para a cantina. Haviam ganhado tquetes gratuitos para visitantes. Katie fez com que todos os aproveitassem bem, experimentando todos os pratos 
 disposio deles, que eram bastante variados. Selena se serviu de um sanduche de peito de peru, uma salada e um copo de leite. Contudo mal prestou ateno ao 
que comia. Estava "bebendo" cada palavra da amiga.
Na opinio de Katie, a escola era "tremenda", e ela pensava fazer os ltimos semestres do curso superior ali. Nela estudavam tambm alguns amigos de Katie e Cris, 
que Selena ficara conhecendo no ano anterior, quando viera  Califrnia para assistir ao casamento de Douglas e Trcia. Agora Selena estava toda empolgada, pensando 
em como seria legal frequentar essa escola, ao lado de todos aqueles amigos. E seria muito bom mesmo, j que seu irmo tambm iria concluir os estudos nesse lugar. 
Imersa em seus sonhos, no ouviu Amy lhe dizendo algo.
- 'T bom pra voc assim? repetiu a outra, dando-lhe um toque no brao.
- Ahn? O qu?
- Eu e a Vicki vamos dar uma volta por a. O Ronny voltou ao balco pra "repetir". E voc 't mais interessada em conversar com sua amiga.
Selena percebeu um leve tom de mgoa na voz da colega. No fora sua inteno deixar Vicki e Amy de lado. Mas aquela ali era Katie, uma pessoa especialssima. As 
outras iriam compreender isso.
- Vocs no vo querer conhecer os dormitrios? indagou Katie ao ver Amy se levantando da mesa.
- Talvez mais tarde, replicou ela.
- Ns vamos ficar um pouco na beira da piscina, informou Vicki, dobrando a manga da camiseta para enfatizar o que dizia. Quero ver se esse Sol da Califrnia me deixa 
com uma corzinha melhor. Aposto que voc logo percebeu que somos do Oregon, no foi?
- No! respondeu Katie, dando um tapa no ar. Vocs pareciam gente daqui mesmo! Encaixam-se muito bem no nosso ambiente!
Nesse instante, Ronny chegou com uma bandeja cheia: um sanduche, trs copos de refrigerante, uma poro de fritas e uma tigela de sorvete de iogurte.
- Onde foi que voc pegou esse iogurte? quis saber Vicki, que estendeu a mo, passou o dedo na pontinha do sorvete e provou-o. Humm, que delicia! Amy, vamos pegar 
tambm! Voc quer?
Se a garota queria ou no, ela no disse, mas levantou-se e acompanhou Vicki. E as duas se dirigiram para uma mquina de auto-atendimento que ficava num canto do 
refeitrio.
- E voc, Ronny? perguntou Katie. Vai querer conhecer os dormitrios ou ficar na piscina como as duas?
- Eu queria conhecer era o prdio dos cursos de msica, replicou o rapaz, dando uma mordida no sanduche.
E depois de mastigar e engolir, acrescentou:
- Quero dizer, depois que acabar de comer.
- Claro, concordou Katie.  uma questo de prioridade. E para os rapazes, pelo menos para a maioria dos que estudam aqui, comer  a prioridade mxima. Principalmente 
para o Douglas. Eu lhe contei, Selena, que ele e a Trcia vem a toda quinta-feira  noite pra dar um estudo bblico?
-  mesmo? disse Selena. Douglas e Trcia! E como eles esto?
- Esto timos! Formam o casal mais engraadinho que j vi. O nome de nosso grupo aqui  "Amigos de Deus 2", por causa do grupo que eles formaram em San Diego uns 
anos atrs.
- Ah, deve ter sido a esse grupo que Tnia foi com Jeremy, comentou Selena.
- , e agora me lembrei, disse Katie. Quase ia me esquecendo. Liguei pra sua irm e ela disse que vocs iriam pra casa dela hoje  noite. Mas se vocs quiserem, 
podem dormir na escola. Alguns alunos daqui vo passar o final de semana em casa, e disseram que vocs podem ficar no quarto deles, se quiserem. Vocs decidem. A 
Tnia pediu que ligassem pra ela. Se forem ficar aqui, ela vir v-los.
- Eu gostaria muito de ficar, concordou Selena, mas tenho de ver o que os outros querem.
- Esses tquetes gratuitos servem para o jantar tambm? quis saber Ronny.
Katie riu.
- No, sinto muito, replicou. Mas na cidade aqui perto tem uma churrascaria que, pelo que dizem,  muito boa. A gente pode ir jantar l, se quiserem.
Vicki e Amy retornaram com o sorvete de iogurte. Vinham acompanhadas de um rapaz. A primeira parecia muito satisfeita com o sorvete, mas Amy dava a impresso de 
estar empolgada com o estudante.
- Gente, quero apresentar a vocs o Antonio, disse ela, sorrindo para o simptico rapaz.
Contudo o "alto, moreno e simptico" no lhe retribuia o olhar. Estava fitando Selena.
Selena bella! exclamou ele com seu forte sotaque italiano. H quanto tempo no a via!
E ele se inclinou e a cumprimentou com beijos em ambas as faces. A garota sentiu o rosto avermelhar-se. Vendo a expresso de espanto de sua amiga, decidiu logo dar 
uma explicao.
- Como vai, Antonio?  mesmo! No o vi mais depois do casamento de Douglas e Trcia, no ano passado. Ento voc j ficou conhecendo minhas amigas Amy e Vicki, no? 
Pois , e este  nosso amigo Ronny, concluiu ela.
Ronny, que estava com a boca cheia, fez um amistoso aceno de cabea para o recm-chegado.
- O Antonio nos ajudou a operar a mquina de sorvete, explicou Vicki, erguendo o copinho de iogurte, que estava escorrendo. Olhe s a baguna que fiz! No consegui 
faz-la parar, ento foi s derramando!
- A Katie me contou que vocs viriam aqui, disse Antonio, sentando-se  mesa, em frente de Selena e Ronny. Em seguida, deu uma piscadinha para Katie e indagou:
- Contou pra eles a novidade?
Selena logo pensou que havia um romance se iniciando entre ele e sua amiga. No ano anterior, Katie havia deixado bem claro que tinha interesse no italiano. Alis, 
eles formavam um par muito interessante. Antonio ficava a pronunciar as palavras de forma errada, fingindo que no sabia a lngua direito, s para Katie corrigi-lo. 
E esta "caa" em todas. S que, se havia um princpio de namoro entre eles, nenhum dos dois estava agindo como tal.
- Muito obrigada, Antonio! exclamou Katie em tom de ironia. Eu estava querendo fazer uma surpresa pra eles. Mas agora...
- Eu no contei nada, defendeu-se o rapaz, rindo e erguendo as mos.
- Ah, no? interps Selena. Agora no adianta mais. Um de vocs tem de nos contar tudo!
Antonio inclinou-se para a frente, aproximando-se da garota.
- Voc 't pensando seriamente em vir estudar aqui? perguntou.
- Bom, principiou ela, no sei. Comecei a pensar nisso hoje.
- Eu estou, interveio Ronny. Isto , se o departamento de msica for mesmo bom, porque a comida eu j aprovei.
Selena fez um gesto para o colega, indicando que ele estava com o canto da boca sujo de maionese. O rapaz pegou um guardanapo e limpou.
-  sempre gostoso assim? indagou.
Antonio fez que sim.
- Aqui se come muito bem, disse.
Katie pegou a prpria pele entre o polegar e o indicador, como que a verificar sua gordura. Selena no conseguia imaginar a amiga com uns quilinhos a mais. Sendo 
uma pessoa muito cheia de energia, a jovem estava constantemente em movimento.
- Aqui eles chamam isso de "os sete do calouro". Todo mundo que entra aqui logo engorda uns sete quilos. Mas acontece at com quem j entra no segundo ano, como 
eu.
- Minha prima disse que engordou quase cinco quilos, no primeiro ano da faculdade, informou Vicki, dando uma lambida na colherinha e enfiando-a em seguida no copinho 
de sorvete.
- Ento ela deve ter estudado numa faculdade estadual, contraps Katie, dando um sorriso. Aqui, o mnimo, sem dvida nenhuma,  sete quilos.
Selena sentiu voltarem seus temores. Nunca tentara fazer regime para emagrecer. Seu corpo, que demorara um pouco para "desenvolver", mantivera sempre a mesma forma 
at uns seis ou oito meses atrs. Agora ficou preocupada ao ouvir que todo primeiranista normalmente engordava um pouco. Isso significava que teria mais uma rea 
de sua vida em que precisaria exercitar disciplina.
-  gente, disse ela prontamente, querendo alterar o rumo da conversa, vocs esto tentando mudar de assunto. Vamos voltar para aquela novidade que o Antonio mencionou. 
Que segredo  esse?
Katie e Antonio se entreolharam, e o rapaz ergueu as sobrancelhas como que dando  colega o privilgio de falar.
-  sobre a Cris e o Ted... principiou Katie.
Antes que ela pudesse continuar, porm, Selena tapou a prpria boca com a mo, como que reprimindo um grito.


Captulo Dezesseis

- No! Espere a! Disse Katie prontamente. No  o que voc 't pensando, no! Eles no ficaram noivos! Ainda no! Pelo menos, at onde sei, no! Mas, pensando bem, 
eu sempre sou a ltima a saber de tudo!
- Quem so Ted e Cris? indagou Vicki.
- J esqueceu? interps Amy, ainda com um tom magoado.  a amiga da Selena que a levou  Sua no ano passado.
- Na verdade, corrigiu Selena, foi a Marta, tia dela, que nos levou  Sua. , foi com ela que fui l, sim. E o Ted  o namorado dela. Eles j namoram h sculos! 
S que agora Cris 't estudando na Sua e ele 't aqui. Ele j deve se formar este ano, no  Katie?
A garota abanou a cabea.
- No, disse. Ele deu uma parada. No momento, o Ted no 't estudando nada. 'T s trabalhando. Tem dois empregos, porque quer ajuntar um pouco de dinheiro.
- Ele vai comear o ltimo ano agora, quando as aulas se iniciarem, explicou Antonio. E se voc quiser saber onde ele vai encerrar os estudos, vai ser na Rancho 
Corona.
- E tem mais, interveio Katie, fitando o colega com um brilho de irritao nos olhos verdes. O resto da notcia, que algum aqui no conseguiu guardar,  que a Cris 
tambm j foi aceita nesta universidade. Ento, no prximo ano letivo, vamos estar todos juntos aqui.
- Puxa, gente! exclamou Selena, lembrando-se de como se sentia unida a essa turma. Vai ser to legal pra vocs!
Apesar de todos eles serem mais velhos que ela, no a menosprezavam nem a faziam se sentir inferior.
- Pra ns? indagou Katie, fazendo um aceno na direo de Selena, Ronny, Amy e Vicki. E que tal todos ns, incluindo vocs quatro? Ah, e Wesley tambm! Vocs vo 
ter de vir estudar aqui. Todos vocs. No tem mais escolha!
- , mas a gente precisava primeiro ver um catlogo da escola, interps Vicki, rindo da ordem que Katie estava dando. Quero dizer, o campus  maravilhoso, e os alunos 
tambm. Ningum nega isso. Mas no  exatamente isso que meus pais vo perguntar quando eu chegar em casa.
- Ah, l no prdio da administrao h uns pacotes com panfletos contendo todas as informaes pra cada um de vocs, informou Katie. Era pra eu ter lhes dado assim 
que chegaram. Desculpem a minha falha. Podemos ir peg-los agora, antes de irem para a piscina ou para o Edifcio Dishner, como quiserem.
- Ento vamos, disse Ronny, levantando-se e pegando a bandeja vazia. Onde  que eu deixo isto?
- Aqui, respondeu Antonio.  voc que quer conhecer o Dischner?
- Sim;  o prdio dos cursos de msica, n?
- . Venha, vou lhe mostrar, disse o italiano.
Quando saam da cantina, Selena notou que Amy ainda parecia um pouco melanclica. Ser que estava frustrada porque Antonio no se ofereceu para ir com ela e Vicki 
para a piscina?
Katie os conduziu de volta ao prdio da administrao, onde Dianne lhes entregou um pacote com panfletos informativos. Quando j se separavam para irem cada um para 
o lugar que desejava, Wesley apareceu no saguo. Tinha no rosto um sorriso tranquilo. Selena compreendeu que a entrevista com o diretor financeiro da escola lhe 
fora favorvel.
A garota apresentou-lhe o Antonio e em seguida perguntou:
- Qual  seu prximo compromisso? J almoou?
- A comida daqui  tima, informou Ronny.
- Pensei em dar uma chegada na cantina, disse Wesley. Tenho uma entrevista com outro diretor s 2:30h. O que vocs acham? Vamos nos encontrar de novo aqui?
Selena lhe contou que haviam sido convidados para dormir aquela noite na escola. Poderiam fazer isso, se quisessem, em vez de ir para a casa de Tnia. O rapaz consultou 
os outros, e eles se mostraram desejosos de ficar ali, com exceo de Amy. Inicialmente ela dissera que concordava, mas logo acrescentara:
- Quer dizer ento que no vamos  praia!
Embora ela no estivesse "forando a barra", deixava claro que desejava bastante esse passeio. E Selena at que lhe dava razo. Se nunca tivesse estado numa praia 
do sul da Califrnia, com certeza iria ficar sentida de perder a oportunidade de ir a uma delas.
Ento imediatamente se puseram a combinar o que fariam. Wesley ficaria encarregado de ligar para Tnia. Cada um faria o que quisesse at 5:30h, quando ento se reuniriam 
perto da van, para irem  churrascaria que Katie recomendara. Passariam aquela noite em Rancho Corona. No dia seguinte, sbado, comeariam a viagem de regresso e 
tentariam visitar pelo menos mais uma universidade. Wesley se mostrou irredutvel quanto a estar de volta s aulas, em Corvallis, na segunda-feira de manh. No 
poderia perder a primeira aula. Assim sendo, no poderiam ficar muito tempo por ali no sbado, j que a viagem era longa. Todos entenderam a preocupao do rapaz.
Tudo acertado, o grupo se separou. Selena foi com Katie para o dormitrio. Assim que os rapazes se distanciaram um pouco, a garota perguntou:
- E a, Katie, o que aconteceu entre voc e Antonio? Achei que os dois estavam bem interessados um no outro.
- Eu e Antonio? repetiu a outra com um brilho diferente no rosto. Ah, sim! No ano passado! Ah, isso j ficou pra trs!
- Mas o que houve?
- Nada, replicou Katie, dando uma risada. O que houve exatamente foi "nada". Esse Antonio  um namorador, caso voc ainda no tenha percebido isso. Eu fui a ltima 
mulher da Terra a descobrir que aqueles beijinhos no rosto e as palavrinhas melosas  jeito dele. Trata todo mundo assim, ou pelo menos todas as garotas, continuou 
ela, abanando a cabea. E eu sou meio lerda pra perceber esses fatos, quando se trata de rapazes. Ento achei que ele me via como uma garota muito especial. Afinal, 
um dia acordei, bati com a cabea na parede, e o sonho acabou.
- Que pena! exclamou Selena, sentida pela amiga. Achei que vocs formavam um lindo casal!
- Todo mundo achou! ajuntou Katie. Portanto, quando algum lhe disser que voc forma um lindo par com algum rapaz, no fique muito esperanosa, no, viu? Chegamos, 
anunciou ela, apontando um prdio de trs andares.
O dormitrio era construdo no mesmo estilo colonial, como todos os outros prdios do campus.  entrada, Katie passou um carto magntico na tranca de segurana 
e a porta se abriu automaticamente.
O primeiro lugar que chamou a ateno de Selena foi um ptio interno que havia no centro do prdio retangular. Lembrava o saguo de um hotel extico, e no um dormitrio 
de estudantes. Era pavimentado com lajotas vermelhas e tinha um pequeno jardim com rvores grandes. Debaixo destas, via-se uma pequena fonte, ao redor da qual havia 
alguns bancos.
- Que lindo! murmurou a garota.  aqui que voc mura?
- . Chama-se Sophia Ha, em homenagem  esposa do Sr. Perez.
- E quem  esse Perez? indagou Selena.
As duas iam caminhando e passaram por vrias estudantes, que cumprimentavam Katie.
- Puxa, eu no contei a historia desta escola durante o passeio pelas dependncias dela? Ah, no! Nunca mais eles vo me contratar como guia! Esqueci de lhes contar 
isso!
Katie parou no centra do ptio, perto da fonte, e respirou fundo.
- Por volta da dcada de 1920 ou 30, sou pssima pra guardar datas, essa propriedade toda pertencia a um homem chamado Miguel Perez. Ele e a esposa queriam ter uma 
plantao de laranja aqui na "mesa". No deu certo porque houve uma seca, ou algo assim. Ele desistiu da agricultura e resolveu criar gado.
- Como ser que ele trouxe as vacas aqui pra cima? quis saber Selena.
Katie olhou-a com um ar engraado.
- Sei l, replicou. Naquela poca j havia caminhes, n? Bom, o Sr. Perez havia feito um voto a Deus dizendo que daria pra Deus metade dos lucros que obtivesse 
com o gado; e cumpriu o que disse. Durante vrios anos, a fazenda deu muito lucro. Ele destinava a metade pra instituies crists. Uma dessas era o Instituto Bblico 
Aberto, de Los Angeles!
- J ouvi falar dessa escola, informou Selena.
- Acho que na poca era a melhor faculdade crist que havia. Quando Perez morreu, ele no tinha filhos, ento deixou tudo para o I.B.A. de Los Angeles. Ento a Universidade 
Rancho Corona  um "brao" do instituto.
- Que presento, hein?! exclamou Selena. Ento a fazenda aqui devia se chamar "Rancho Corona", n?
- Na verdade, a propriedade deles se chamava "El Rancho de l Cruz e la Corona".
-  espanhol, n, e significa...
- Fazenda da Cruz e da Coroa. Na capela da escola, h um vitral que tem um emblema de uma cruz com uma coroa dourada em cima.  muito bonito. Antes de vocs irem 
embora, podemos dar uma chegada l.
- E onde  seu quarto? indagou Selena, olhando para o prdio com as longas fileiras de janelas nos trs andares.
-  no segundo andar. Vamos l.
O aposento no era muito grande. Havia uma escrivaninha s para as duas ocupantes dele. No meio dela, havia uma estantezinha estreita, dividindo a mesa em dois lados, 
um para cada estudante. As camas eram de bom tamanho, e cada uma se achava encostada a uma parede. Os armrios embutidos ficavam de um lado e outro da porta. Selena 
ficou espantada com o aspecto simples do quarto. Os da outra faculdade, a Valencia Hills, eram sutes, e bem mais elegantes.
No foi difcil saber qual era o lado de Katie. Havia muito poucos enfeites. O seu quadro de avisos estava repleto de fotografias. Muitas delas eram de conhecidos 
de Selena. Aproximou-se mais a fim de examinar melhor os retratos. Para sua surpresa, havia um dela ali tambm. Ela o tirara em frente ao castelo de Carnforth Hall, 
onde tinham se hospedado na Inglaterra. Achava-se  porta, e bem junto ao seu rosto via-se a enorme aldrava no formato de uma cabea de leo.
- Ah, eu me lembro de voc batendo esta foto, disse Selena. Ainda tenho essa jaqueta.
- E ainda tem aquelas botas de cowboy tambm? quis saber Katie.
Estava apontando para um outro retrato da garota, em que ela estava sentada sobre um muro de pedras, junto com outros amigos. Nesta se viam as famosas botas de cowboy. 
- Tenho e ainda uso, respondeu ela, apontando para outra foto. E quando foi que bateu esta aqui?  voc e a Cris, n? Parecem novinhas!
Katie inclinou-se para a frente para ver melhor. As duas estavam usando umas camisetas enormes e tinham amarrado o cabelo no alto da cabea. Seguravam no meio delas 
um enorme pacote de balinhas de chocolate "M&M's".
- Ah, replicou ela dando uma risada, foi uma vez em que nossa turma dormiu na casa de algum. Tnhamos quinze anos.
Ela olhou a foto ainda mais de perto e depois continuou:
- Acho que no foi nessa ocasio que ficamos amigas. Foi em uma outra, numa outra festa a que fomos.
-  to legal que vocs j sejam amigas h tanto tempo, n?
- Voc, a Vicki e a Amy no so?
- Agora, sim. Agora estamos nos dando muito bem. Mas antes no ramos, no. Quero dizer, no ramos as trs ao mesmo tempo. Faz s alguns meses que estamos mais 
unidas.  por isso que acho sensacional que voc e a Cris sejam amigas h tanto tempo.
- E vai ficar melhor ainda quando as aulas comearem e ela vier pra c. J fiz inscrio na secretaria pra ficarmos no mesmo quarto. Vai ser to legal, com voc 
tambm e seus amigos! concluiu Katie.
Selena se deixou cair sentada na cama da amiga.
- Do jeito que voc fala parece to fcil! disse.
- E por que no seria? indagou Katie. Quero dizer, por que vocs no iriam querer vir estudar aqui?
- Sei l. Acho que  muito caro.
- E da?  s orar! Inscreva-se em tudo quanto  bolsa de estudo e crdito educativo de que tiver notcia. E tambm pode se inscrever num programa de trabalho para 
o estudante, como eu fiz. Assim ganha o dinheiro pra suas despesas e estuda ao mesmo tempo.
- Como  esse seu programa de trabalho? perguntou Selena.
- Bom, eu vou me formar em agronomia, acredite se quiser. Sei que  meio estranho, mas desde que estudei botnica, no ensino mdio, me interessei por isso. Sinto 
uma vontade enorme de saber como  que a natureza opera. Ento eles me arranjaram um servio na nossa horta orgnica. Trabalho uma mdia de duas horas por dia. Ah, 
eu no mostrei a horta pra vocs no, n? Ela fica ao lado da piscina e  projetada em formato de plataformas. No sbado, h uma feira numa cidade prxima. A gente 
vai l e vende muitas de nossas verduras.
- Humm, parece muito legal!
- Eu gosto demais! Tenho um projeto de escola, pelo qual pretendo desenvolver um tipo especial de ch aromtico. Eu devia ter lhes mostrado a horta. J plantei as 
mudinhas, e elas esto crescendo muito bem.
Aqui Katie se jogou num enorme pufe e continuou:
- E voc? Vai estudar o qu?
- Comunicao, acho. Eu tinha de escrever o nome de algum curso, no formulrio, ento pus Comunicao. Pelo menos,  o que mais me interessa no momento.
- timo! exclamou Katie. O curso de Comunicao da nossa universidade  muito bom. Voc pode fazer rdio, jornalismo e, vdeo, o que quiser. No ano passado, houve 
um concurso de debates para os alunos de comunicao, em mbito nacional. Nossos representantes ficaram em segundo lugar. J estou vendo Selena como uma das principais 
debatedoras do Rancho e ganhando muitos prmios pra nossa escola.
Selena olhou para a amiga entusiasta e lhe deu um sorriso de dvida. Katie inclinou a cabea para um lado e fitou a garota fixamente.
- Ah, o problema no  nem dinheiro nem a escolha do curso, ?
Selena no respondeu, limitando-se a dar de ombros.
- 'T bom, continuou Katie. J entendi. Como  o nome dele e onde ele est estudando?
Selena ficou admirada com a capacidade de percepo da outra. Decidindo abrir-se, deu um sorriso suave.
- Ele se chama Paul e est estudando na Universidade de Edimburgo. No sei onde vai estudar no prximo ano.
Katie fez uma expresso de quem parece confuso. Logo em seguida, porm, deu mostras de se lembrar de algo.
- Paul, hein? Ah, no  aquele que uma vez a viu andando na chuva com um buqu nos braos?
Selena fez que sim.
- De lrios amarelos. De vez em quando ele ainda me chama de "princesa dos lrios".
- Ainda chama, hein? Vocs esto namorando?
A garota abanou a cabea.
- Escrevemos um para o outro duas ou trs vezes por ms, mas  s. Voc sabe que ele  irmo do Jeremy, no sabe?
- O namorado da Tnia? indagou Katie, inclinando-se para a frente. Ah, agora a trama 't se complicando, comentou com voz dramtica, em tom de suspense. 'T ficando 
cada vez mais interessante.
- , interveio Selena, s que no h nada de definido. Nem sei por que mencionei o nome dele. Ele me disse que voltaria para os Estados Unidos no final de junho. 
Ento eu estava apenas... sei l...
- Acalentando um pequeno sonho? disse Katie, concluindo o pensamento dela. Abrigando um desejo no corao? Desejando que os dois acabem estudando na mesma faculdade?
- , concordou Selena. Mais ou menos isso.
E tentou conter a imaginao, antes que ela comeasse a voar, subindo alto como uma pipa.
- , mas isso pode acontecer, disse Katie, dando um sorriso significativo. Olhe o Ted e a Cris, por exemplo. Se Deus quiser, ele pode transportar montes.
- , eu sei, confirmou Selena.
Quando Katie falou em "montes", ela se lembrou do momento em que passaram pelo Monte Shasta, que se encontrava envolto em nuvens.
- , continuou ela, mas quando ele quer, pode escond-los tambm.


Captulo Dezessete

- Assim que chegarmos l embaixo, Katie, voc ter de me explicar o caminho, disse Wesley falando alto por causa do barulho do carro.
- No primeiro sinal, voc vira  direita. Anda mais ou menos um quilmetro e j  ali, do lado direito. Sam's Churrascaria.
Katie estava no banco do meio, com Antonio e Amy. Vicki ia na frente. Selena, Tnia e Ronny se achavam no banco de trs, no "cantinho do ronco". Tnia tinha vindo 
para a Universidade Rancho Corona para passar algumas horas com o grupo. Parecera ter ficado muito alegre de ver a irm.
- O que voc achou desta escola aqui? indagou para ela.
Mais ou menos um ano atrs, Tnia viera morar na Califrnia para trabalhar como modelo. Acabara vendo que a profisso no era to maravilhosa como havia imaginado. 
Contudo estava se dando bem e, ao que parecia, sentia-se feliz de estar cuidando da prpria vida.
-  tima, replicou Selena. O que voc acha? Devo vir estudar aqui?
- Ah, isso  com voc, comentou Tnia.
- Voc desistiu mesmo de ir estudar em Reno, no foi?
- Tnia fez que sim. Ela havia torcido o cabelo, numa espcie de "banana", e o prendera no alto da cabea. No momento em que fez o aceno, alguns fios se soltaram, 
caindo ao lado do rosto. Todas as vezes que Selena a via, o cabelo dela estava com uma cor diferente. Nesse dia, era louro caramelo, parecido com a cor do de Selena. 
Contudo a semelhana entre as duas era s essa, j que Tnia era adotiva.
- No sei como fui inventar de ir estudar l s pra conhecer Lina! disse a jovem.
Tnia descobrira sua me biolgica, que se chamava Lina Rasmussen. Ficara sabendo tambm que ela lecionava na Universidade de Nevada, em Reno. Escrevera-lhe uma 
carta, mas a me no lhe respondera imediatamente. Ento pensara em ir estudar nessa cidade para tentar v-la. Contudo, um pouco mais tarde, Lina lhe escrevera e 
marcara um encontro entre as duas. Depois disso, elas j haviam se encontrado duas vezes. Alm disso, telefonavam uma para a outra de quinze em quinze dias.
- Jeremy lhe contou que o Paul vai voltar no final de junho? indagou Selena.
- No. Quando foi que Paul lhe disse isso?
- Recebi uma carta dele na semana passada.
- Ainda no entendo por que vocs se correspondem p carta, em vez de mandarem e-mails. Ele 't sempre enviando e-mails para o Jeremy.
Selena sorriu silenciosamente. Uma carta era to mais romntica do que um e-mail E exigia mais da pessoa. Ela precisava ter o trabalho de pegar uma caneta e elaborar 
um texto bem feito, com muitas notcias, e extravasar certa dose de ternura. E, no momento, esse era o nico "presente" que ela podia mandar a Paul - seu tempo e 
esforo. E sabia que, quando ele lhe escrevia, tambm tinha de empregar tempo e esforo.
- O que ele pretende fazer quando voltar? quis saber Tnia. 
- No falou. Acho que ele mesmo ainda no sabe.
- Hummm, fez Tnia.
- O qu? indagou Selena.
- Nada. S estou curiosa pra saber o que o Paul vai fazer. Jeremy disse que a maioria dos amigos vai se transferir pra esta universidade, no prximo ano.
- Que novidade! comentou a garota em tom irnico.
- Onde  que vamos jantar? perguntou Tnia.
Quando Selena j ia responder, Wesley virou e entrou num estacionamento que, alis, j estava bem cheio. Na fachada, no alto, havia uma placa luminosa que dizia: 
Sam's Churrascaria - A Melhor Costela da Regio - Maiores, s as do Texas.
-  aqui? indagou Tnia.  mesmo?
- Deve ser, replicou Selena, vendo que a turma comeava a sair do carro.
- Quando Wesley ligou e disse que iramos jantar fora, no foi isso que imaginei, comentou a jovem, esticando as longas pernas para sair tambm.
Selena foi logo atrs dela.
- Puxa! exclamou Katie gritando, quando entravam no restaurante. Este lugar hoje 't movimentado!
Ela teve de gritar porque o som ambiente tocava uma estridente msica country. Do lado direito do salo, via-se longas mesas rsticas, do tipo usado em reas ao 
ar livre.  esquerda, ficava o balco onde os clientes faziam o pedido.
- Na certa, existe outro restaurante nesta cidade, no? disse Tnia.
- Eu tenho ouvido boas referncias deste aqui, respondeu Katie, tambm falando aos berros.
Sem se deixar demover pelo comentrio da jovem, Katie foi  frente do grupo, encaminhando-se para o balco, e em seguida fez seu pedido.
- , acho que vamos ficar aqui mesmo, continuou Tnia. Ser que servem saladas?
O cardpio s oferecia um prato: costela. Os clientes s tinham escolha quanto ao numero de pores. A menor constava de seis pedaos de costela, e era para crianas. 
Havia outra com doze, outra com dezoito e outra, a maior, com vinte e quatro. Esta ltima dava direito a repetio.
Tnia e Amy, meio duvidosas, pediram a poro menor. Contudo o garom que as atendeu no quis servi-las. Alegou que o prato era para menores de doze anos, e elas 
no se encaixavam na categoria. Katie, percebendo o impasse, logo resolveu interferir. Com seu jeito amigvel e sua capacidade de persuaso, conseguiu convencer 
o homem a deix-las levar os seis pedaos. Argumentou que as duas s iriam querer aquela poro ou ento nada. E se o restaurante quisesse agradar aos clientes, 
teria de desistir desse regulamento. Selena pediu o prato mdio, com doze pedaos. Pagou-o e foi seguindo a fila, atrs de Vicki, que pedira o mesmo. As duas ficaram 
admiradas quando viram a quantidade de comida que havia na bandeja. S as costelas ocupavam toda uma travessa. Em outra travessa menor, vinham os acompanhamentos: 
feijo, salada de repolho e uma espiga de milho, alm de uma grossa fatia de po.
- Estou me sentindo o prprio "Fred Flintstone"! exclamou Selena enquanto se encaminhava para uma das mesas longas onde os outros j se acomodavam. Se fssemos comer 
no carro, ele iria arriar!
- Acho que eu vou arriar! comentou Vicki. No tem nem jeito de eu comer tudo isso!
- O bom foi que ns trouxemos aqui o Ronny. Qualquer coisa, ele se encarrega do resto!
- timo restaurante! exclamou Wesley, virando-se para Katie quando todos j estavam sentados.
Ele e Ronny haviam pedido a poro maior, e ambos tinham precisado pegar duas bandejas para levar tudo. A mesa que haviam escolhido era a mais afastada dos alto-falantes. 
Ali o barulho da msica no era to forte, e dava para conversar. Wesley ofereceu-se para orar agradecendo o alimento.
- Acho que seria mais certo pedir perdo por nossa glutonaria, comentou Katie.
Wesley riu e sugeriu que todos se dessem as mos para orar. Selena notou que ele estava ao lado de Katie. Assim que ele terminou, eles disseram "Amm" e, em seguida 
atacaram as costelas com muita vontade. Todos, menos Tnia e Amy. As duas se puseram a cortar a carne com as faquinhas, para remov-la do osso.
- Ah, deixem disso! brincou Katie. Vocs no precisam recortar isso a certinho. Avancem, meninas! Peguem com a mo mesmo!
E para demonstrar, ela agarrou um pedao com as duas mos e o levou  boca. O molho da carne escorreu-lhe pelo queixo e pingou na bandeja.
- Voc 't com um sujinho aqui, disse-lhe Wesley, indicando um ponto no rosto dela.
- Ah ? indagou Katie, olhando as mo sujas de molho.
E num gesto rpido, ela estendeu o brao e passou o dedo num lado do rosto do rapaz, manchando-o de vermelho.
- Voc tambm 't com um sujinho ali.
Para espanto de Selena, Wesley deu uma risada. Em seguida, "retribuiu a gentileza", fazendo o mesmo numa das faces da jovem. Para ficar quite com ele, Katie sujou 
a outra face dele. Vicki e Antonio riam s gargalhadas das brincadeiras dos dois. Selena estava rindo e se divertindo tambm, contudo sentia certo aperto no estmago. 
Era a mesma sensao que tivera quando pensara que Amy estava interessada em seu irmo. Agora, em vez desta, era Katie o alvo das atenes dele.
A garota ficou quieta e pensativa. Pegou sua espiga e se ps a com-la. Enquanto isso, ia se censurando por abrigar um cime to infantil com relao a Wesley. Precisava 
parar com esses sentimentos de posse em relao a ele. No poderia passar o resto da vida analisando as motivaes de toda garota que parecesse interessada em seu 
irmo.
Tomou um grande gole de leite e, naquele momento, decidiu afastar da cabea essa criancice. Tinha de resistir a essas sensaes de insegurana que tinha para com 
Wesley. Na fase da vida em que se achavam, precisava olhar para ele mais como um amigo, e no como um "irmozo" querido. Assim seria menos tentada a procurar decidir 
quem ele poderia ou no namorar. O mais engraado, porm, era que o rapaz no estava namorando ningum. E, at onde ela sabia, fazia um bom tempo que no arranjava 
uma namorada. Talvez seu receio  que, como ele estava ficando mais velho, ao procurar uma namorada, ele j estivesse "escolhendo" a esposa. E a questo era que 
ela queria dar palpite nessa "escolha".
Nesse momento, chegou  concluso de que no era ela quem teria de escolher. No se tratava da vida dela, mas da de Wesley. Sua parte era am-lo e dar-lhe todo o 
seu apoio. E a melhor maneira de fazer isso era deixando de lado suas suposies e expectativas.
Estranhamente, esse exerccio mental pareceu aumentar sua fome. Ento "atacou" as costelas com grande apetite.
- Ser que l no Texas realmente eles tm dessas costelas? indagou Antonio.
Ele se achava sentado em frente de Selena, mas dirigiu sua pergunta a Amy, que estava ao lado dele.
- Sei l, replicou a garota. Nunca fui l.
- Nem eu, disse ele, pegando um guardanapo na pilha que havia no centro da mesa. Na minha cidade, l na Itlia, no tem deste tamanho, no.
- De que parte da Itlia voc ?
- Do Norte, informou ele. Perto do Lago Como. J ouviu falar?
- Meu tio  de l tambm. No me lembro do nome da cidade, mas  dessa regio. Ele tem um restaurante italiano em Portland, continuou ela, dirigindo ao rapaz um 
belo sorriso. Acho que voc iria gostar. A comida l  deliciosa.
Selena continuou a observ-los, vendo-os envolvidos numa animada conversa a respeito de comida italiana. Virando-se para sua irm, indagou:
- E a? O que voc acha disto?
- O que eu acho de qu? perguntou a jovem, que pegara um pedao de po e o estava comendo sem manteiga.
- O que voc acha desta comida texana? Gosta?
- No  ruim, no. Talvez eu pudesse apreci-la mais se no soubesse que contm muitas calorias. Na semana que vem, devo fazer umas fotos para uma revista. Isso 
significa que no resto do final de semana vou ter de fazer um regime rigoroso.
- Voc no detesta isso tudo? Esse negcio de ter de se preocupar com seu peso e de ter de fazer regime?
- Ah, eu procuro no me preocupar, explicou Tnia. Pelo menos agora no me preocupo tanto quanto antes.  um aspecto da profisso que escolhi. Se eu fosse atleta, 
por exemplo, teria de treinar todos os dias pra me sair bem. Como sou modelo, tenho de cuidar da aparncia. Mas no cuido dela o tempo todo, no.
- No, eu no quis dizer isso, replicou Selena, lembrando-se do que tinha ouvido acerca dos calouros que engordam no primeiro ano da faculdade. O que eu pensei foi 
que deve ser penoso ter de vigiar tudo que a gente come o dia todo.
- s vezes, , concordou a irm, num tom menos defensivo. , mas acho que qualquer atividade nesta vida pode se tornar penosa. Acredito que todo mundo tem de decidir 
que sacrifcios est disposto a fazer pra atingir seus objetivos.
- , tem razo, concordou Selena pensativa. Isso que voc disse  uma observao bastante profunda.
A garota no estava acostumada a ouvir a irm emitir esse tipo de comentrio.
- Sabe quem me disse isso? indagou Tnia, limpando os dedos delicadamente e afastando de si o prato.
- Foi o Jeremy?
Tnia abanou a cabea.
- No, foi Lina. Ela explicou que foi por isso que resolveu me dar pra ser adotada. Voc sabe que ela tinha apenas quinze anos quando ficou grvida. E, a essa altura, 
o namorado dela j tinha sumido. Ento ela resolveu que desejava o melhor pra mim. Tinha conscincia de que no poderia me dar o melhor, como os pais adotivos poderiam. 
O objetivo dela era terminar os estudos, formar-se e se tornar professora universitria. E foi o que ela fez.
- E  provvel que abrir mo de voc tenha sido o maior sacrifcio que ela fez, n? observou Selena. Mas pra mim foi bom ela ter feito isso, seno a gente no teria 
sido irm.
Uma lgrima brotou nos olhos de Tnia e quase escorreu pelo rosto, ameaando atrapalhar sua maquiagem impecvel.
- Que legal voc dizer isso, Selena! exclamou ela, estendendo o brao e dando um abrao na outra. No sei se eu j lhe disse, mas tambm acho bom sermos irms, muito 
bom mesmo.
- Eu tambm! disse a garota ao ouvido de Tnia, pois as duas estavam abraadas e emocionadas.
Ao fundo, a msica country soava estridente, e as costelas frigiam na grelha. Realmente era um cenrio muito pouco adequado a um momento de comunho e intimidade. 
Contudo Selena sabia que era um momento do qual ela jamais se esqueceria.


Captulo Dezoito

No dia seguinte, Selena acordou muito cedo, sentindo um pouco de dor no estmago. No sabia se fora causada pelas costelas ou pelas bobagens que tinham comido depois. 
Ao sair do restaurante, haviam ido para o Centro Estudantil. Permaneceram na sala de estar at quase meia-noite, conversando e comendo chips e salgadinhos.
Levantou-se, procurando no fazer barulho, e olhou para Katie. A amiga dormia profundamente. Dianne, a colega de quarto de Katie, oferecera sua cama a Selena. Contudo 
a garota achara o colcho macio demais e passara a noite se remexendo Agora, j desperta, eram tantos os pensamentos, as idias e os sentimentos que lhe fervilhavam 
na mente, que Selena resolveu se arrumar e caminhar um pouco. Sabia muito bem que no adiantaria nada tentar dormir de novo. Preferia ir ver o dia nascer e talvez, 
quem sabe, ir ao terrao do Centro Estudantil para tentar avistar o Oceano Pacfico.
Vestiu sua cala jeans e um agasalho de moletom. Juntou o cabelo todo na nuca, e fixou-o com um passador. Silenciosamente saiu do quarto de Katie. Pelo visto, ningum 
mais havia acordado. Os corredores e as salas estavam todos vazios. E por que um estudante iria estar de p quela hora? Era sbado de manh, e o Sol mal surgira. 
Abriu bem de leve a porta dupla da entrada e saiu ao encontro daquele novo dia.
Assim que se viu ao ar livre, sentiu-se melhor, mais animada, talvez por causa da frescura do ar matutino. Ou talvez fosse o efeito do perfume de madressilvas que 
havia no ar. Do outro lado do prdio, havia uma cerca recoberta dessas flores. Ou esse novo nimo poderia ser resultado tambm dos tons rseos que surgiam no cu, 
espantando a escurido da noite. Fosse o que fosse, Selena respirou fundo, enchendo os pulmes daquela sensao agradvel, e dirigiu-se para o centro com passos 
leves, mas firmes. Ouviu o barulho do motor de um carro acelerando o estacionamento. Minutos depois, o veculo passava por ela na estradinha. Ao volante, estava 
uma jovem que lhe deu uma buzinadinha e acenou para ela, como se a conhecesse.
Isso era um dos aspectos dessa escola que ela apreciava. Os alunos eram amistosos e receptivos. Deu a volta em torno do Centro Estudantil e subiu a escadinha que 
levava ao terrao, de dois em dois degraus. E logo viu seus esforos recompensados. O dia acabara de amanhecer na "mesa". O Sol, fiel ao seu horrio, estava se erguendo 
no cu. Dali se avistava todo o campus, cheio de belezas naturais, ocupando toda a rea do planalto. Mais ao longe, estava o vasto oceano, muito azul, encimado por 
nuvens finas como renda. Olhando aquele cenrio amplo, de cores vivas, Selena ficou extasiada. Sentiu um forte arrepio, causado em parte pelo ar frio da manh e 
em parte pela beleza estonteante do lugar.
Numa das extremidades do complexo universitrio, meio afastada dos outros prdios, Selena avistou uma construo menor, toda branca, com uma torrezinha alta. Deduziu 
que devia ser a igrejinha que Katie havia mencionado. Ficou alguns instantes a contemplar aquela paisagem belssima, como que "bebendo-a" com os olhos. Era linda 
demais! Quase inacreditvel! Uma gloriosa maravilha de Deus!
Satisfeita, mas no totalmente "saciada", Selena desceu e foi caminhando rapidamente sobre o gramado at a capela. Sentia-se interiormente to leve que tinha vontade 
de rir alto. A certa altura, deu uma parada e pegou um dente-de-leo. Fechou os olhos e pensou um "desejo". Em seguida, soprou a penugem esbranquiada da flor, pondo-se 
a acompanhar com os olhos os pedacinhos que esvoaavam, levados pela brisa matutina.
Sabia que se algum a visse naquele instante, soprando um dente-de-leo e saltitando pela relva, diria que ela era meio amalucada. Ou ento pensaria que era tudo, 
menos uma candidata a estudante universitria. Contudo era bastante improvvel que algum j estivesse de p, naquele campus. E se estivesse, essa pessoa, com toda 
certeza, tinha algo mais importante a fazer, em vez de ficar olhando uma garota celebrando o novo dia que nascia.
E era assim que se sentia: jovem no corao e na alma, eternamente jovem. Todas as preocupaes e sensaes que a haviam afligido durante a noite, produzindo-lhe 
um enorme peso no corao, nesse momento pareciam haver se desvanecido. Nos dois ltimos dias, sentira tudo de forma to intensa que seu esprito acabara ficando 
perturbado. Agora, porm, nessa manh to cheia de promessas, com tanta vida pela frente, sentia-se leve.
Ainda saltitando, Selena chegou ao fim da estradinha, que dava na entrada da igrejinha, solene e silenciosa. Girou a maaneta e viu que a porta estava destrancada. 
Entrou com passos reverentes e foi at a frente. Assentou-se num dos bancos acolchoados. No centro, havia um plpito de madeira, belamente entalhado, sobre o qual 
se via uma Bblia aberta. Atrs dele, na parede do fundo, havia um vitral colorido, que ia se tornando cada vez mais brilhante,  medida que a luz do dia batia nele. 
Com isso tambm, as cores e os desenhos do vidro se refletiam difusamente no assoalho, perto dos ps dela.
A garota ficou um bom tempo a contemplar o vitral. Era exatamente como Katie dissera. Havia o desenho de uma cruz inclinada para a direita e, em volta dos braos 
da cruz, uma coroa de ouro cravejada de pedras preciosas.
- Pai, sussurrou ela em meio ao ambiente santo que a cercava, muito obrigada. Obrigada por teres enviado teu Filho ao mundo para morrer por mim. Dou-te graas por 
teres aberto um caminho para eu chegar a ti, por meio dele. Obrigada por teres perdoado meus pecados, no dia em que entreguei minha vida a Cristo. Obrigada pela 
vida eterna. Reconheo que, se sou capaz de confiar em ti com relao a essas questes, deveria confiar tambm no que diz respeito a essas idias e sensaes que 
me tiraram o sono ontem  noite.
Selena deu uma olhada ao redor e depois continuou. Sentia Deus bem perto dela nesse momento. Por um instante teve a sensao de que poderia ver a sombra dele na 
parede.
- Acho que estou muito preocupada com o futuro, Senhor. At hoje, eu nunca tinha me preocupado com isso dessa forma, creio. Parece que um lado meu quer fazer faculdade 
fora de casa, principalmente se for uma escola como esta. Mas outro lado prefere permanecer em casa.  que no quero ter essa responsabilidade de cuidar de mim. 
At aqui, minha vida foi muito tranquila. Acho que gosto muito da idia de morar em minha casa. No sabia que gostava tanto. Parece que ainda no estou disposta 
a assumir a vida de pessoa adulta.
Esfregou as mos uma na outra. Estava meio frio ali.
- Tenho a impresso de que ainda no acertei alguns aspectos de minha vida, na ocasio em que deveria ter acertado. Meu relacionamento com Tnia, por exemplo. Ontem 
 noite, quando ela me abraou, fiquei muito sentida porque no tivemos essa comunho quando ela estava em casa. Deixei passar todo esse tempo sem fazer nada. Por 
que no ramos boas amigas naquela poca? E agora  a Amy. O Senhor ouviu o que ela disse ontem? Claro que ouviu. Antonio perguntou para ela quando fora que ela 
havia se tornado crente, e ela respondeu que no era necessariamente uma crist igual a ns. Aquilo me deixou muito chateada. Por que ela no abre o corao para 
ti, Senhor? O que aconteceu?
E Selena continuou ali mais uns cinco minutos, falando a Deus sobre seus sentimentos e pensamentos. Sentia-se desinquieta com relao a Warner. Temia tambm tirar 
notas baixas nesses ltimos meses de aula. No sabia como iria descobrir em que faculdade Deus queria que ela estudasse. Ou como saberia se ele desejava que ela 
ficasse em casa. Reconhecia que era meio impulsiva. E as decises que teria de tomar na atual fase de sua vida eram muito srias. No poderia fazer essa escolha 
impulsivamente. Era seu futuro que estava em jogo.
Terminando de expor todos os seus temores, as duvidas e as preocupaes a Deus, parou de falar e se ps a escutar em meio ao silncio do ambiente. Aquela agitao 
emocional a deixara exausta. Deitou-se no banco da igreja. Minutos depois estava dormindo.
Acordou, de repente, com o barulho da porta se abrindo e de passos rpidos no assoalho. Sentou-se de sbito, e o homem que ia entrando assustou-se ao v-la. Ele 
soltou uma exclamao sbita e em seguida pediu desculpas por hav-la perturbado.
- No, no, tudo bem, replicou ela, cerrando um pouco os olhos por causa da claridade e girando o pescoo de um lado para outro, para alivi-lo. Eu j estava de 
sada. Que horas so, por favor?
- Nove e meia, informou o homem.
Ele parecia ser um professor. Carregava uma Bblia e um cadernos debaixo do brao.
- Obrigada! disse Selena.
Levantou-se, ajeitou o bluso de moletom e saiu apressadamente, passando pelo recm-chegado. Subiu a estradinha correndo, sem saber direito aonde iria primeiro. 
Se os outros j tinham se levantado, deviam estar procurando-a. O melhor a fazer agora seria ir ao quarto de Katie.
Chegando ao Sophia Hall, teve de esperar que aparecesse algum com um carto magntico para abrir a porta. Assim que entrou, subiu correndo para o segundo andar. 
Diante do quarto de Katie, bateu a porta e em seguida abriu-a. A amiga no estava ali. J ia sair de novo, quando viu um bilhetinho em cima da cama. Dizia:
Selena, onde voc est, menina? Se voltar aqui, v at o fundo do corredor, onde h um telefone, e disque 240.  o nmero da segurana da faculdade. Diga-lhes que 
est no dormitrio e pea-lhes para nos chamarem pelo alto-falante, Katie.
Selena correu ao telefone e fez o que a amiga orientara. A pessoa que atendeu logo indagou:
- Onde voc estava? Katie fez a gente procur-la por todo o campus. Faz uma hora que estamos  sua procura.
- Desculpe. Eu estava na capela.
- Ah, disse a outra. Vou chamar Katie e avisar-lhe que voc espera no quarto dela.
Selena retornou ao quarto e rapidamente se ps a guardar os objetos. Esperava que seu irmo no estivesse com raiva dela por ter deixado a todos aflitos. Ele tinha 
planejado partir bem cedo. Agora, para ele, nove e meia no era exatamente bem cedo.
Instantes depois, a porta do quarto se abriu e um bando de gente entrou, todos fazendo perguntas ao mesmo tempo. Tentou explicar que estava na capela orando e acabara 
adormecendo.
Vicki pareceu ser a mais compreensiva.
- Que bom que voc 't bem! falou ela Wesley disse que iria trazer a van e parar na porta do dormitrio pra irmos embora. Voc j pegou suas coisas?
- 'T tudo aqui. Ele 't muito irritado?
Vicki deu de ombros.
- Acho que 't bem. Ele tinha ficado  muito preocupado. Todos ns ficamos. Voc simplesmente desapareceu!
Instantes depois, chegando ao carro, ela colocou a mochila no bagageiro e foi explicando ao irmo:
- Eu no pretendia dormir. Sinto muito ter acontecido isso.
- Tudo bem, disse ele. Da prxima vez, deixe um bilhete avisando.
- Ou ento um cacho do cabelo, ou uma trilha de migalhas de po, brincou Katie, que ainda parecia abalada pelo ocorrido. Minha ficha como guia de visitantes na faculdade 
no vai ficar nada legal. Metade do pessoal aqui estava  sua procura. Acho at que  bem capaz de um desses jornais sensacionalistas publicarem sua foto com a legenda: 
"Jovem Visita Faculdade e  Raptada por Aliengenas".
As tiradas humorsticas de Katie ajudaram a desanuviar a tenso em relao a Wesley e aos outros. Foi a que se criou outra tenso: era a hora das despedidas. Katie 
continuou com suas piadinhas, tentando suavizar a situao. E todos se abraaram. Antonio deu nas garotas os dois beijinhos no rosto, que j eram sua marca registrada.
- Selena, disse Katie afinal, ento voc me manda um e-mail falando o que decidiu. Ou manda pra Cris. Ela me passa sua mensagem.
- Vou mandar pra voc, replicou Selena, entrando no carro logo atrs de Vicki. Vou "castigar" a Cris, por no haver me contado que viria estudar aqui. Tchau, tchau, 
e obrigada por tudo, viu?
Enquanto o carro rodava deixando o campus, Selena ia observando cada rvore e cada prdio do lugar. Todos estavam em silncio. Ela se indagou se os outros, como 
ela, tambm estariam tentando guardar na memria os detalhes daquele cenrio. Ou ser que ainda estavam irritados pelo fato de ela ter ido caminhar e depois inventado 
aquela histria de que dormira, para se justificar? Quando passaram pela entrada da escola, com sua placa e as pilastras de pedra, novamente pediu desculpas a todos.
- No se preocupe com isso, replicou Wesley, olhando-a pelo retrovisor. No tem importncia. Mas temos de conversar sobre o que vamos fazer daqui pra frente. Ns 
j falamos sobre isso na hora do caf. Agora quero saber qual a sua posio. Ainda quer visitar outra faculdade?
- Acho que sim. No sei. A gente tem de pegar a estrada direto pra Portland agora? O que o resto do pessoal quer?
- Ir  praia! replicou Vicki, dando um sorriso. Wesley estudou bem o mapa e disse que podemos visitar uma faculdade que fica no caminho. Depois seguiremos viagem. 
O que voc acha?
- Sou a favor de ir  praia, informou Selena.
- Foi o que pensamos, comentou Ronny, que se achava no banco da frente.
Ele se virou para trs e, com expresso mais sria, perguntou:
- E a, vai fazer sua inscrio na Rancho?
Selena foi pega de surpresa.
- No sei. Voc vai?
O rapaz fez que sim.
- Vou; creio que vou. Eu no tinha pensado em estudar fora. Planejava ficar l em Portland mesmo. Mas a Universidade Rancho Corona tem um excelente curso de msica. 
Sabia que eles tm at um estdio de gravao no campus? E o equipamento deles  o melhor que j vi.
- E voc, Wesley? Como foram suas entrevistas? indagou Selena.
- timas, disse ele. J tenho quase certeza de que  aqui mesmo que quero vir estudar. Mas nunca imaginei que voc quisesse vir pra c tambm.
A garota tentou avaliar as palavras do irmo. Ser que ele ficaria chateado se sua irm mais nova fosse caloura nessa faculdade, enquanto ele j estaria fazendo 
ps-graduao? Virou-se para Amy e Vicki e indagou o que elas pensavam de estudarem ali.
-  uma deciso muito sria, explicou Vicki. Eu gostei de l. Agora meus pais vo estudar o catlogo; e na certa vo querer saber o que a Rancho tem que outras universidades 
de Oregon no tem. Tenho certeza de que vou ter de conseguir uma bolsa de estudos ou um crdito educativo.
- Eu tambm teria de arranjar uma bolsa, comentou Selena.
Estava apreensiva com a idia de levar aos pais mais formulrios para preencherem, depois de j terem assinado diversos para ela. A questo  que antes ela no sabia 
da existncia da Rancho Corona.
Amy estava sentada atrs, bem silenciosa. Selena estendeu o brao e deu um aperto de leve no joelho da amiga.
- E voc? O que 't pensando? Vai querer fazer sua inscrio aqui?
- Creio que no, replicou a outra em voz baixa.
- Por que no? O que foi que a desagradou?
- Nada. A escola  tima. S que no  pra mim.
- U, por que no? Se ns todos acabarmos vindo pra c, voc deveria vir tambm.
- Selena, disse Amy meio irritada, chega, 't? No estou interessada, o.k.? No d pra voc parar de perguntar?
- 'T bom, 't bom! disse a outra, ainda fitando Amy nos olhos.
Esperou um minuto e depois repetiu:
- Mas ser que voc no pode ao menos dizer por qu?
- No!
E foi essa a ltima palavra que Amy disse durante todo o trajeto at a outra faculdade. 


Captulo Dezenove

E a visita  outra faculdade acabou sendo bastante rpida. Era uma escola de pequeno porte, localizada em uma cidade da regio metropolitana de Los Angeles. Wesley 
foi rodando pelo meio do campus e Ronny correu  secretaria e pegou um panfleto. Como j era por volta de meio-dia de sbado, havia poucos alunos  vista. Alm disso, 
fazia calor e o tempo estava muito bom. Vicki comentou que achava que todos tinham ido para a praia, e que timo que eles tambm iriam.
Selena j estivera na praia de Newport diversas vezes, mas nunca fora  de Huntington, para onde Wesley os estava levando. O rapaz contou que j a conhecia, pois 
estivera ali com seu amigo Ryan. Era uma praia bem comprida e larga, um lugar excelente. Assim que saram da van, porm, notaram que  beira-mar no estava to quente 
como estivera mais para o interior do estado. Na linha do horizonte, via-se uma leve camada de neblina, e uma brisa soprava, jogando os cabelos de Selena em seu 
rosto.
- Por que ser que 't to frio? indagou Amy. Eu j estava toda preparada pra vestir o mai, mas aqui 't frio como as praias do Oregon.
- Ainda estamos na primavera, n?! explicou Wesley. O vero mesmo ainda no comeou. Olha ali. Aqueles surfistas j entraram na gua.
- Mas  muito lindo aqui! exclamou Vicki em tom alegre.
Wesley j ia fechando a porta do carro, mas Vicki interrompeu-o para pegar seu agasalho de moletom.
- Espere! interveio Selena. Tambm quero pegar o meu.
- E eu tambm! disse Amy. E vou calar meia.
- Meia? perguntou Ronny admirado. No se anda de meia na praia. Tem de andar descalo. Assim que voc pisar na areia, seus ps esquentam.
- ... Voc sabe muito, mesmo! disse Vicki em to irnico, dando um tapa de leve no brao do colega. Voc vai muito  praia...
- Mas  verdade. Vi isso num filme. Eles corriam na praia no inverno, enfiando bem os ps na areia. Eles estavam sorrindo e no pareciam sentir nem um pouco de frio.
- Num filme? interps Vicki. Voc tambm nunca esteve numa praia da Califrnia?
- No, replicou o rapaz em tom curto, enfiando as mos no bolso. Estou comeando a concordar com a Amy. A gente poderia ter ido a uma das praias de Oregon, e talvez 
at estivesse mais quente.
- Ah, vamos l, pessoal, disse Selena. Ns temos de pelo menos andar na praia e molhar os ps. Incrvel como mais para o interior estava quente, e aqui 't este 
frio!
Eles se achegaram bem uns aos outros e saram andando meio duros sobre a areia fria.
- , meus ps no esquentaram nada, reclamou Amy. Ronny, quando  que eles vo comear a esquentar?
- Talvez seja bom a gente correr, props Wesley.
E antes que os outros discutissem a idia dele, o rapaz partiu num trote leve. Selena foi atrs dele. Havia vrias outras pessoas fazendo cooper na praia. A garota 
se emparelhou com o irmo. Viram alguns surfistas sentados sobre a prancha, esperando ondas mais adequadas. No geral, havia pouca gente na praia. Por ali no se 
viam os costumeiros banhistas, sentados debaixo de barracas, ouvindo rdio, fazendo um lanche ou tomando sol. Para Selena, praia era isso, pois fora o que vira em 
Newport Beach. Esta aqui parecia um "outro mundo".
Selena e Wesley prosseguiram na corrida leve, sem conversar. A garota procurou acompanhar o ritmo respiratrio do irmo. A me deles era uma entusiasta praticante 
de cooper. Todos os seus filhos, cada um a seu tempo, haviam aprendido alguns dos segredos desse esporte. Selena sabia que ela e o irmo j haviam "quebrado" uma 
de suas regras bsicas: no haviam feito aquecimento antes de correr.
A certa altura, Wesley parou e fez sinal  irm para que retornassem. Os outros trs ainda continuavam caminhando na areia, bem juntinhos, vindo na direo dos dois. 
Contudo assim que viram que Selena e Wesley tinham se virado, eles tambm viraram, pondo-se a andar em direo ao carro. Selena estava comeando a gostar da sensao 
de pisar a areia fria. Agora o vento estava "a favor" deles. Era bem mais agradvel sentir as rajadas s suas costas, como que empurrando-os, do que batendo em seu 
rosto. Apesar de estar frio e nublado, a praia transmitia uma impresso de fora. As ondas chegavam  areia com seu ronco forte, do mesmo jeito que faziam em dias 
ensolarados. As gaivotas piavam alto e davam "mergulhos" em direo ao cho, embora no houvesse nada nos lates de lixo para elas. Selena gostava daquele rugido 
constante do mar, que por vezes se mostrava to instvel. Assim era a praia, e assim ela continuaria sendo sempre.
- No vo querer nadar um pouco agora? indagou Wesley, ofegando bastante, no momento em que todos chegavam ao carro.
- Eu tenho certeza de que no, declarou Amy. Abra a porta depressa!
A garota vestia short e estava toda arrepiada, principalmente nas pernas. Os outros vestiam calas jeans e, por isso, no sentiam tanto frio quanto ela. Selena, 
porm, viu que a barra de sua cala se molhara e estava suja de areia. Logo percebeu que isso era pior que arrepios. Assim que entrassem no carro, ligassem o aquecimento, 
e Amy esfregasse as mos nas pernas, ela ficaria livre da sensao de frio. A barra de sua cala, porm, iria demorar um pouco para secar e a incomodaria por um 
bom tempo. Depois de haverem rodado alguns quilmetros estrada abaixo, ela comentou:
- , apesar de tudo, eu gostei. Foi bom termos ido  praia.
- No parece nem um pouco com os filmes, disse Ronny.
- Gente, eu estou com fome, informou Wesley. Algum mais 't?
- Eu estou, respondeu Selena. No tomei caf de manh.
O rapaz parou na primeira lanchonete que encontraram: Uma Taco Bell *. Pediram os sanduches e depois viram que tinham comida em quantidade suficiente para fazer 
uma festinha mexicana no carro, enquanto seguiam viagem. Dessa vez tambm Ronny foi o que mais comeu. E, de novo, fez o que sempre fazia quando ia com Selena a uma 
Lotsa Tacos, em Portland: "curtiu" com a cara dela por querer tomar leite, em vez de refrigerante.
- No tem nada de errado nisso, e  uma delcia, defendeu-se a garota.
- Uma delicia, repetiu Ronny com voz aguda, imitando-a.
Parece que voc 't fazendo um comercial de leite na televiso.
- Prefiro fazer um comercial de leite a participar de um daqueles seus filmes, onde as pessoas, em pleno inverno ficam fingindo que esto quentinhas.
- Isso a  chuva? indagou Vicki, apontando para o pra-brisa.
Wesley ligou os limpadores.
- , acho que no h dvida de que estamos a caminho do Oregon, comentou ele. A chuva sentiu nossa falta e veio se encontrar conosco aqui, pra nos fazer companhia.
- Ah,  por isso que estava fazendo frio l na praia, disse Amy.
Uma pesada sensao de tristeza caiu sobre o grupo. O passeio estava chegando ao fim. A "diverso" acabara. Agora s restavam quilmetros e quilmetros de estrada; 
e as inmeras paradas em banheiros de postos de gasolina.
Vicki achou uma rdio que lhe agradou. Amy passou para o banco de trs e se deitou para dormir, cobrindo-se com todos o bluses de moletom que encontrou no carro. 
Ronny estava ao lado de Selena, examinando os panfletos das faculdades que haviam visitado. De repente, ele soltou um assobio.
- Sabe quanto  a anuidade desta escola aqui?
Selena olhou para o catlogo que estava na mo dele.
- Ah, mas  o mesmo preo da Valencia Hills, comentou ela. A Rancho ainda  mais cara.
- Mais cara? 'T brincando! exclamou ele com expresso de espanto. Ser que existe mesmo um jeito de eu conseguir a bolsa de estudos antes de se encerrar a matrcula?
- Sei l, replicou a garota. Talvez a gente devesse ter comeado a olhar isso bem mais cedo.
- Esse negcio de ir estudar fora pra mim 't sendo meio estranho, interps o rapaz. Eu havia pensado em ficar na Universidade Estadual de Portland mesmo. Ou talvez 
fazer os primeiros anos numa escola municipal.
- Foi o que a Katie fez, explicou Selena. Ela e a Cris fizeram o primeiro ano numa faculdade municipal, pra ficar em casa e economizar dinheiro.
Ronny se remexeu um pouco no banco.
- Selena, principiou ele, voc j se sente suficientemente madura pra sair de casa e cuidar de si mesma?
- No, replicou ela, fitando-o atentamente. Pensei que era a nica que tinha esse sentimento.
- Voc tambm? indagou o rapaz. Mas logo voc que j deu uns "vos" por sua conta? Voc at j foi  Europa e tudo o mais! Acho que ainda me sinto meio "novo". A 
hora de fazer essa deciso chegou mais cedo do que eu esperava.
- Isso mesmo, disse Selena, olhando pela janela onde a chuva gotejava, vendo os carros passarem por eles em alta velocidade. Mas a verdade  que me senti mais insegura 
nesta viagem do que quando fui  Europa. No  esquisito?
- Ah, no, replicou Ronny. Nas outras viagens, voc sabia direitinho o que aconteceria quando chegasse em casa. Seus pais estariam l e voc receberia tudo na mo. 
O que me preocupa com relao ao curso superior  a questo do dinheiro. Mesmo que a gente consiga uma bolsa pra pagar os estudos, como  que vamos nos sustentar?
- , eu sei, concordou Selena. Vejo que estou mais mal-acostumada do que pensava.
- Eu tambm; ns dois. Uma lio que aprendi nesta viagem foi que preciso dizer a meus pais o quanto sou grato a eles pelo que me proporcionam, disse o rapaz, recolocando 
os papis dentro da pasta. Bom,  claro que sou eu quem compra as cordas do meu violo e pago a gasolina da minha caminhonete. E achava que isso j era muita responsabilidade. 
No sei o que vou fazer quando eu mesmo tiver de pagar os lanchinhos que fao no intervalo das refeies.
Selena sorriu.
- . Vai precisar de um emprego de tempo integral, ou ento um de meio expediente, mas com um bom salrio.
- Com certeza!
- Katie disse que podemos examinar as ofertas de trabalho que eles tm para os alunos.
- Mais papelada! resmungou Ronny.
Seguiram uns instantes em silncio. Vicki ia cantando baixinho uma msica popular que estava tocando no rdio. Selena comeou outra vez a sentir o pavor relacionado 
com as decises que teria de tomar. Tentou resistir a ele.
- Sabe o que mais, Ronny? disse em voz baixa para que s o colega ouvisse. Acho que ainda no sa da adolescncia. E no estou com muita vontade de me tornar adulta, 
no. Como era mesmo aquela cano que voc estava compondo? Falava sobre estar apenas com a luz do farol do carro iluminando s um pequeno trecho da estrada.
- Ah, sim, aquela sobre o Monte Shasta. Ainda no acabei, no.
- Pois , minha sensao  de que estou caminhando na estrada da vida, em direo  fase adulta, mas os faris do meu carro esto meio embaados. No estou conseguindo 
enxergar o caminho direito.
- Parece que 't com a bateria fraca, comentou o rapaz. Assim que der uma carga nela, vai melhorar.
Selena ficou a pensar se ele estava querendo dizer que ela precisava de uma carga fsica ou espiritual. Ou talvez ele tenha querido dizer emocional. Muitos fatos 
importantes haviam ocorrido nesses ltimos dias. Ficou a olhar para fora atravs da vidraa molhada. Sentia a mesma inquietao que experimentara de manh, quando 
orava na igreja. Achara que iria ver as solues de todos os seus problemas entrando pelo vitral colorido. Todavia isso no acontecera e ela acabara dormindo. , 
talvez sua bateria estivesse mesmo precisando ser recarregada.
No conseguiu dormir imediatamente nesse percurso de volta para casa, debaixo de chuva. A mente estava por demais agitada. Tinha muitas decises a tomar. Ser que 
deveria inscrever-se na Rancho Corona? O que Wesley acharia de ela ir para essa escola? E ser que estava interessada em estudar ali s porque seus amigos estudavam? 
E ser que era errado escolher essa escola s por isso? E a questo do dinheiro? Ser que conseguiria uma bolsa de estudos? E depois que comeasse o curso, ser 
que precisaria trabalhar tambm?
Selena olhou para o banco de trs, onde Amy dormia sossegadamente, debaixo de uma pilha de moletons. Sentiu que no ficaria tranquila enquanto no descobrisse por 
que a amiga havia demonstrado tanta averso pela idia de se inscrever na Rancho.
Por fim, seus pensamentos se voltaram para Paul. E o que aconteceria nesse aspecto da vida dela, que ainda era uma enorme incgnita? Isso, sim,  que era rodar numa 
estrada com pouqussima iluminao.
- Toque uma msica pra mim, pediu ela a Ronny. Como naquela noite em que eu estava dirigindo. Voc no faz idia do quanto isso transmite tranquilidade pra gente!
- Ah, 't querendo que eu a embale, n?  o que voc 't querendo?
- No!
Vicki desligou o rdio e entrou na conversa, concordando.
- Gosto demais quando voc canta, Ronny, comentou ela. Toque algo pra ns!
- Ento vai ser uma msica que todos conhecemos. Assim podemos cantar todos juntos.
Ele tirou o violo da capa e se ps a dedilhar um cntico conhecido. Devia estar pensando no que conversara com Selena algumas horas antes, pois era um hino que 
dizia:

Confiarei em ti, Senhor,
Em todas as situaes,
Firmarei em ti a minha f...

Selena comeou a cantar baixinho, mas sentia-se muito hipcrita. Reconhecia que era fcil dizer essas palavras, sem no entanto viv-las na prtica.


Captulo Vinte

Quinze dias depois da viagem  Califrnia, as trs amigas se reuniram na confeitaria Mother Bear. Era segunda-feira  tarde e estava chovendo. Vicki passara numa 
flora e comprara trs lrios amarelos, de cabo longo, um para cada uma delas. Agora as trs "trombetinhas" estavam dentro de um copo com gua. Selena j pedira e 
pagara trs xcaras de ch e pezinhos de canela bem quentinhos para o grupo. Amy lia um postal que tinha nas mos, e Vicki e Selena a escutavam atentamente. A foto 
do carto tinha em primeiro plano uma palmeira, acima da qual, escrita em letras douradas, estava a palavra "Califrnia".

Este carto  s para lhe dizer que me lembrei de voc, Amy bella. Penso muitas vezes em algo que voc disse, que Deus no  justo, j que as pessoas boas tambm 
sofrem. A nica resposta que posso dar  que Deus  Deus. Ele pode fazer o que quiser. E uma coisa que ele quer fazer, ao que parece,  ter um relacionamento conosco. 
Ento, com afeio por voc, estou orando para que o conhea e passe a ter esse relacionamento com ele.
Tchau,
Antonio

Amy ergueu os olhos e fitou as duas amigas, com expresso de raiva.
- Alguma de vocs pediu a ele pra me escrever isso?
- Claro que no! replicou Selena.
Amy soltou um suspiro e deu uma olhada para sua xcara.
- Sabem de uma coisa? disse. Vendo a maneira como vocs agem, fica difcil continuar com raiva de Deus.
Vicki e Selena no disseram nada, esperando que ela continuasse.
- Vocs, vocs todos, ficam s me tratando bem, interessando-se por mim. Quando chegamos a Rancho Corona, achei que ia ter muita antipatia de Katie.  que ela  
sua amiga, Selena, e ia "roub-la" da nossa companhia. Na minha vida toda, sempre aparece algum para "roubar" as pessoas que amo. Mas acabei vendo que era impossvel 
ter raiva de Katie. Ela dava a impresso de que gostava mesmo de todos ns, no apenas de voc, Selena. Se bem que poderia ser tudo fingimento.
- No era fingimento, no, Amy, interps Selena. As pessoas gostam de voc de verdade.
Amy piscou, para afastar uma lgrima que lhe chegou aos olhos.
- Por qu? indagou.
Selena se lembrou do versculo que havia escrito no carto que enviara ao Paul; e citou-o naquele momento.
- Porque "Deus  amor... ns amamos porque ele nos amou primeiro". Amar no  algo que a gente faz por esforo prprio.  sobrenatural.
- Espere a, Selena, antes de voc comear a me pressionar, quero dizer algo. Nesses cinco dias que passei com vocs duas, Wesley e Ronny, e tambm no convvio com 
Katie, Antonio e at com a Tnia, percebi que vocs tm algo de diferente. Vocs amam uns aos outros. O jeito como trataram o Warner, por exemplo, foi muito legal. 
Eu no o teria tratado daquela maneira.
- Ah, deixe-me contar um negcio pra vocs, interveio Vicki, interrompendo as palavras de Amy. Na semana passada, o Warner teve de apresentar um trabalho na aula 
de Comunicao. Ele falou sobre atuao em grupo. Disse que temos de nos interessar pelos direitos e sentimentos dos outros. Foi timo. Acho que a viagem a Corvallis 
e o acidente acabaram sendo muito bons pra ele.
Imediatamente Selena pensou que se ele tivesse podido ir com eles  Califrnia teria sido ainda melhor para o rapaz. Contudo estava satisfeita de no terem tido 
de passar por essa experincia.
- Sabe o que mais? disse Amy. Acho que tenho lidado com Deus do mesmo jeito que o Warner estava nos tratando na viagem. Ele agia como se merecesse todas as regalias, 
e se no fazamos o que queria, ficava irritado.  duro ter de reconhecer isso, mas acho que sou muito mimada e imatura. Eu sempre me justificava dizendo que era 
assim por ser a caula da famlia. Mas, gente, daqui a algumas semanas vou estar me formando no ensino mdio. At quando vou continuar sendo uma "caulinha"?
- Eu tambm estava me sentindo assim quando estvamos l na Rancho, comentou Selena. No queria ser adulta.
- E quem quer? interps Vicki.
- Todas ns queramos, um ano atrs, afirmou Amy. Eu estava aflita pra tirar carteira, ter meu carro e sair de casa, como minhas irms fizeram.* Agora tenho a impresso 
de que ainda no estou preparada pra isso. Minha vida ainda no chegou nesse patamar.
- 'T querendo dizer, ento, indagou Selena, que quer entregar sua vida ao Senhor Jesus?
Sabia que a amiga tinha pleno conhecimento acerca de como se tornar crente. Ela ouvira isso muitas vezes, quando estudava no Colgio Royal. Contudo saber algo a 
respeito de Deus no  o mesmo que conhec-lo pessoalmente. Selena estava ansiosa para que ela "baixasse a guarda" e parasse de "brigar" com Deus. E em sua opinio, 
este era o momento certo para Amy finalmente entregar toda a vida ao Senhor.
- No, replicou a garota firmemente. O que estou querendo dizer  que estou dando um pequeno passo pra me aproximar dele. S isso. No me pressione.
- 'T bom, replicou Selena, esfriando o nimo e dando uma "beliscadinha" na ponta do pozinho de canela.
Percebendo que, nesse momento, era melhor ficar calada, enfiou o pedacinho de po na boca.
- O de que eu mais estou gostando, prosseguiu Amy aps um instante de silncio,  que vocs no esto tentando dar explicaes sobre Deus. Olha este carto do Antonio, 
por exemplo. Ele se mostra muito sincero. Diz o que pensa, o que cr, e  s. No suporto quando as pessoas comeam a arranjar desculpas pra Deus ou a explicar por 
que ele age dessa ou daquela maneira, como se fossem autoridade no assunto. Ontem mesmo eu estava pensando que, se fosse fcil entender Deus ou explicar seus atos, 
a eu duvidaria de que ele era poderoso pra governar o Universo e resolver o problema de todo mundo.
Vicki e Selena se entreolharam admiradas.
- , comentou Vicki. Isso que voc disse  muito importante.
- 'T, replicou Amy, dando um sorriso meio seco, mas no fiquem muito empolgadas. No tive nenhum outro pensamento profundo, no.
Selena tomou um gole de seu ch e resolveu contar s amigas algo que ainda no lhes havia relatado.
- Gente, eu queria lhes contar um fato que me aconteceu na viagem. Eu... ... tive um momento de comunho profunda com Deus.
- Um momento? repetiu Vicki com uma expresso de dvida no olhar. Onde? Foi na capela, naquele dia em que desapareceu?
- No; foi no parque de diverses, explicou.
Nesse instante, ela viu como era estranho o fato de que Deus tivesse vindo ao seu encontro num parque, no meio de uma multido, e aparentemente ficara silencioso 
na igreja. Fixou isso na mente, vendo-o como uma evidncia de que a maneira como Deus se manifesta muitas vezes no  a que ns queremos.
- No tenho certeza se vou conseguir explicar o que se passou, continuou ela. Estava me sentindo sozinha, meio perdida e, de repente, foi como se Deus, invisivelmente, 
tivesse pegado minha mo e me dito pra segurar firme na dele.
- 'T querendo dizer que ele conversou com voc? indagou Amy, erguendo uma sobrancelha.
- No! Quero dizer, sim. Quero dizer... no escutei uma voz ou algo assim. Foi mais um pensamento. No sei explicar direito. Isso nunca aconteceu com vocs?
Amy baixou os olhos e tomou um gole de ch. Vicki abanou a cabea.
- No estou querendo dizer que no acredito em voc, disse Vicki. S que nunca tive uma experincia desse tipo.
- Bom, mas tenho certeza de que aconteceu. Eu me senti diferente. Tive a ntida sensao de que Deus estava ali do meu lado.
Selena sabia que no precisava se justificar. Como Amy dissera, no saberia explicar. E tambm no queria exagerar.
- Houve uma razo pra isso acontecer, continuou ela. Mas agora no me lembro mais de qual era.
- Enquanto voc se lembra, interps Vicki, deixe-me fazer outra pergunta. J mandou pra Rancho Corona todos os formulrios, documentos e solicitao de bolsa de 
estudos?
- J. E voc?
- Mame mandou tudo ontem, finalmente. Ontem  noite, escutei meu pai conversando com algum ao telefone e dizendo que no ano que vem vou estudar na Rancho. At 
parecia que j estava tudo resolvido. Eu ainda no havia entendido que eles queriam que eu fosse pra l. Demoraram muito pra estudar todos os panfletos e catlogos.
Em seguida, deu outra mordida no seu pozinho de canela e sem olhar para Amy, indagou:
- E voc, Amy, pensou melhor a respeito da Rancho, se vai se inscrever l ou no?
- No, replicou a outra em voz baixa. Acho que no quero estudar numa faculdade evanglica, no. Mas, se eu quisesse, certamente seria pra l que eu iria. Realmente 
 muito boa. Vocs tm razo em querer ir pra l.
Selena tinha resolvido se inscrever na Rancho alguns dias depois de chegarem da viagem  Califrnia. Havia conversado muito com os pais sobre o assunto e at ligara 
para o irmo, pra saber se ele no se importava de ela estudar l. Depois de debater bem a questo com os pais, de aceitar a idia de fazer faculdade fora, de orar 
bastante a respeito da deciso, sentira muita paz. Compreendeu que era hora de crescer e de assumir as responsabilidades da prxima etapa de sua vida, assim como 
desejava os privilgios inerentes a ela.
To logo decidira se inscrever, ela e os pais tinham corrido muito para preencher toda a papelada e envi-la para a escola. O maior problema agora era o dinheiro. 
E mais ainda porque Wesley, que tambm estaria na Rancho, no recebera nenhuma resposta acerca das bolsas de estudos que estava tentando obter. De certa forma, Selena 
estava aprendendo que fazer a vontade de Deus implicava dar um passo  frente, sem saber o que aconteceria depois. Tinha de confiar firmemente nele a cada passo 
que fosse dar. Inscrever-se na Rancho fora um passo. E j dera outro tambm com relao ao Paul.
- Vocs duas vo vibrar com o que fiz, disse ela para as amigas. Na semana passada, escrevi para o Paul e contei tudo que estou planejando para o ano que vem. E 
depois, meio despistadamente, perguntei: "E voc? O que tem pensado com relao ao prximo ano letivo?"
- E ele j respondeu? quis saber Amy.
- No; ainda no.
- Bom, mas pelo menos assim vocs vo poder conversar sobre o assunto, comentou Amy, e continuou: No gostei nem um pouco, na semana passada, quando voc disse que, 
se for pra vocs dois se unirem, o Paul vai pintar em sua vida misteriosamente. Parecia que tudo ia se resolver sem que os dois conversassem sobre isso.
- . Concordo com ela, Selena, interps Vicki. Voc 't sempre dizendo que a gente tem de estar aberta a todo tipo de comunicao. E se o Paul j tiver feito planos 
totalmente diversos dos seus, vai ser bom ele ver que voc no 't aqui parada, esperando por ele. Os dois vo seguir em frente, fazendo o que cada um acha que  
a vontade de Deus.
Selena sorriu para as amigas.
- E eu estou seguindo em frente s at onde vai a "luz do farol do carro".
- 'T certo, opinou Vicki. A gente tem de seguir em frente devagar, sem procurar ir muito depressa. Se formos avanando devagarzinho, no corremos o risco de ficar 
descontroladas.
- Ou ento dar uma batida e se "machucar", como sempre acontecendo comigo, comentou Amy.
- ; estou mesmo precisando desses conselhos sensatos! exclamou Selena, lambendo no polegar um pouquinho da cobertura aucarada do pozinho.
- Ah, ! disse Vicki em tom irnico. Ns somos as grandes entendidas em questes amorosas! Principalmente eu com meu interesse pelo Ronny, ainda no correspondido. 
Passei cinco dias na companhia dele, e o cara continua me tratando como um dos seus colegas!
- Pois , comentou Amy, depois desses cinco dias, eu tambm resolvi fazer um "jejum" de namorado. Agora vou escolher bem os caras com quem vou sair. Depois que o 
Antonio e o Wesley me trataram como uma princesa, estou achando esses rapazes daqui um prato de quinta categoria.
Selena deu uma risada.
- Ento, imagine s, Amy, se voc resolvesse estudar na Rancho conosco, ia ter um verdadeiro banquete.
- Ah, sim, e essa seria uma razo muito espiritual pra eu ir estudar l! replicou a garota em tom irnico.
- , interps Vicki, talvez no seja a melhor, mas ser que  assim to errada?
As trs caram na gargalhada e Vicki comentou:
- Parece incrvel que estejamos aqui conversando sobre a faculdade e a formatura, como se fosse algo to simples! Ontem  noite comecei a pensar sobre essas coisas 
e quase fiquei doida. Fiquei to nervosa com tudo isso! No sei por qu.
- E foi s agora que voc comeou a ficar assim? indagou Selena. Pois eu tive essa sensao a viagem toda. Foi por isso que fui  igreja naquele dia.
- Mas depois voc superou esse medo? quis saber Vicki.
- , acabei superando.
- Pois ontem  noite, comentou Vicki, senti o mesmo que tinha sentido no Montanha Mgica, quando estvamos subindo ao ponto mais alto da "Cobra". Foi a mesma sensao 
de pavor que a gente tem ao ver que a engrenagem j 't em movimento e no d mais pra voltar atrs.
- , eu sei, concordou Selena. Esse negcio de nos tornar adultos no  nem um pouco como eu imaginava.
- No entendo como fiquei assim de repente, disse Vicki. A impresso  de que tive quinze anos durante uns trs anos. Depois fiz dezesseis e a tudo comeou a andar 
depressa.
- ... parece mentira que ns j estamos com dezessete! exclamou Selena.
- Pois eu tenho outra ainda mais incrvel, interveio Amy em tom solene. Parece mentira que vamos nos formar daqui a dois meses.
Nesse momento, o grupinho sentado quela mesa ficou em silncio. Num gesto espontneo, elas estenderam os braos lateralmente e se deram as mos, formando um crculo. 
No centro dele, ficaram as xcaras e as flores. Selena abriu os lbios num sorriso comedido e deu um leve aperto nas mos das colegas.
As gotas de chuva continuavam a deslizar pela vidraa das janelas da Mother Bear, e as trs amigas permaneceram sentadas, segurando firme.



Fim

* Nos Estados Unidos, o ingresso nas escolas de nvel superior no se d por meio de um exame vestibular, como no Brasil. Como existem muitas escolas, os alunos 
que terminam o ensino mdio simplesmente fazem uma inscrio na faculdade de sua preferncia, solicitando matricula. Nessa inscrio, entre outras coisas, eles tm 
de apresentar seu histrico escolar. Dependendo das notas que tiverem recebido no ensino fundamental e no mdio, podem ser aceitos ou no na faculdade. (N. da T.)
* Trata-se do "Dia de Valentine", comemorado a 14 de fevereiro.  semelhante ao nosso "Dia dos Namorados", porm no abrange apenas os namorados, mas todos os tipos 
de relacionamentos afetuosos: de pais com filhos, de amigos e conhecidos, etc. (N. da T.)
* Algo semelhante ao nosso Guia Quatro Rodas. (N. da T.)
* A personagem faz referncia ao fato de que, nos Estados Unidos, muitos jovens vo fazer faculdade em outra cidade. Ento moram em repblicas e no podem ter muito 
controle sobre a alimentao, como tm quando esto em casa. (N. da T.)
* A palavra "grapevine" significa "videira, parreira de uva", da o fato de Selena estranhar darem esse nome a uma estrada reta. (N. da T.)
* Taco Bell  uma rede de lanchonetes especializada em "tacos", um tipo de sanduche mexicano. (N. da T.)
* Nos Estados Unidos, o jovem pode tirar carteira com dezesseis anos. E muitos deles, quando completam dezoito anos ou terminam o ensino mdio, saem de casa e alugam 
uma moradia, assumindo responsabilidade pelo prprio sustento. (N. da T.)
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